Toronto, a metrópole de cento e cinquenta bairros
Mais da metade dos moradores de Toronto não nasceu no Canadá. Esse dado diz tudo. Nessa metrópole de seis milhões de habitantes, cada rua conta uma história diferente e cada bairro fala uma nova língua. Você atravessa a Chinatown em dez minutos, chega à Little Italy e depois entra na Kensington Market, onde o cheiro de especiarias caribenhas se mistura com o aroma dos bagels de Montreal.
Essa cidade, muitas vezes chamada de bolsão de Nova York, tem uma personalidade bem própria. Ela tem a paixão pelo hóquei no gelo, o ritmo do bonde quinhentos e um que atravessa a cidade de leste a oeste e aquela educação canadense que sempre surpreende os visitantes.
Uma cidade feita para você?
Toronto atrai viajantes curiosos pela diversidade cultural, fãs de museus e musicais e quem gosta de alternar entre o ritmo urbano e fugas na natureza nas ilhas do lago Ontário. A cidade também agrada famílias com seus parques numerosos, seu aquário espetacular e seus eventos ao ar livre.
Em compensação, se você procura uma cidade antiga com arquitetura milenária, escolha melhor Quebec, por exemplo. Toronto é uma cidade moderna, vertical, onde os arranha-céus dominam o cenário. Quem busca praias paradisíacas também pode se decepcionar: o lago Ontário oferece enseadas agradáveis, mas bem longe das águas cristalinas do Caribe. Quanto ao deslocamento, a cidade é gigantesca e os trajetos costumam ser longos, mesmo de transporte público.
Orçamento: prepare o seu bolso
Toronto está entre as cidades mais caras do Canadá. Espere gastar no mínimo 120-200 CAD (cerca de 500 a 830 reais) por noite em um hotel de três ou quatro estrelas no centro, e pelo menos 25-40 CAD (cerca de 105 a 165 reais) em uma refeição de restaurante. Atrações como a CN Tower ou o aquário Ripley custam entre 30 e 45 CAD (cerca de 125 a 185 reais) por adulto.
O centro e suas torres vertiginosas
É impossível ignorar a CN Tower. Seus quinhentos e cinquenta e três metros dominam o horizonte e oferecem uma vista panorâmica incrível da cidade e do lago. Para quem gosta de adrenalina, o EdgeWalk permite caminhar sem as mãos na borda externa da torre. A experiência custa caro, mas fica gravada na memória.
A poucos passos dali, o Rogers Centre recebe as partidas de beisebol dos Blue Jays sob seu teto retrátil. A energia contagiante da torcida vale a pena, mesmo para quem não entende do esporte. Para apreciar a vista da cidade sem pagar nada, suba até o bar do restaurante Canoe, no quinquagésimo quarto andar do TD Centre.
A praça Nathan Phillips Square convida a um passeio noturno, tendo a antiga e a nova prefeitura como pano de fundo. No inverno, sua pista de patinação ao ar livre brilha sob os arcos. O Eaton Centre, bem perto dali e inspirado na Galleria Vittorio Emanuele de Milão, impressiona com sua cobertura de vidro monumental.
Dica de amigo: chegue à CN Tower logo cedo, por volta das 9h, para evitar as filas que passam de uma hora na alta temporada.
Bairros com mil faces
O Distillery Historic District merece pelo menos meio dia de visita. Esse antigo complexo industrial vitoriano, totalmente para pedestres, reúne galerias de arte, lojas de artesanato e restaurantes em meio a construções de tijolos vermelhos. Dá para caminhar entre as antigas destilarias renovadas a ponto de esquecer que você está em uma megalópole norte-americana.
Mais ao norte, a Kensington Market mostra a alma boêmia da cidade. Aos domingos, de maio a outubro, as ruas viram calçadões. Ali você encontra bancas de frutas frescas, brechós vintage, restaurantes jamaicanos e cafeterias veganas. É o lado alternativo, barulhento e colorido de Toronto.
Para ver arte contemporânea, siga para West Queen West e a movimentada Ossington Avenue. A região concentra galerias, arte urbana e lojas independentes. A galeria Art Gallery of Ontario vale a visita, assim como o chamativo Sharp Centre for Design, que parece flutuar sobre a rua em pilares coloridos.
Dica de amigo: pegue o bonde quinhentos e um em direção à Ossington Avenue para cruzar a cidade de leste a oeste e notar a mudança no estilo de cada bairro.
O lago Ontário e suas ilhas
As dezoito ilhas do lago Ontário funcionam como um refúgio contra o ritmo acelerado da cidade. Saindo de barco dos píeres, você chega a Centre Island em quinze minutos. Por lá, faixas de areia, ciclovias e áreas de piquenique tomam o lugar dos prédios altos. A ponta de Hanlan's Point atrai um público mais sossegado, enquanto a Ward's Island encanta com seus duzentos e sessenta chalés pitorescos.
No continente, o Harbourfront Center organiza shows e exposições nos finais de semana. É o local ideal para um passeio no fim da tarde, enquanto o sol se põe no lago. Quem prefere atividades físicas pode alugar um caiaque ou uma bicicleta e pedalar pela orla até a área em desenvolvimento de South Core.
High Park, o maior parque urbano de Toronto, abriga um zoológico gratuito e um parquinho espaçoso para as crianças. Na primavera, as cerejeiras em flor atraem fotógrafos do mundo inteiro. Durante o verão, peças teatrais acontecem ali ao ar livre em um anfiteatro natural.
Cultura e esporte: a identidade canadense
O hóquei no gelo continua sendo a grande paixão nacional. Assistir a um jogo dos Maple Leafs na Scotiabank Arena garante uma imersão profunda na cultura local, embora conseguir ingressos seja um desafio. Uma alternativa mais acessível é o Hockey Hall of Fame, localizado no Brookfield Place, que expõe a taça Stanley original e conta com jogos interativos que divertem até os iniciantes.
No cenário cultural, o Royal Ontario Museum, focado em história natural, é o maior do país. O festival de cinema TIFF, em setembro, transforma a cidade na capital mundial das telas por dez dias. Os palcos do Roy Thomson Hall, do Sony Centre e do Four Seasons Centre apresentam óperas, concertos sinfônicos e musicais o ano todo.
Onde comer e beber em Toronto?
A gastronomia torontonese reflete seu caráter cosmopolita. Duas receitas locais merecem destaque: o peameal bacon sandwich, um sanduíche de bacon empanado em farinha de milho, e as butter tarts, tortinhas doces de manteiga com nozes-pecãs que derretem na boca. Para provar a versão mais tradicional, vá ao balcão da Carousel Bakery, dentro do St Lawrence Market.
Esse mercado coberto, apontado como um dos melhores mercados de alimentos do mundo pela National Geographic, abriga nas manhãs de sábado um Farmer's Market com o melhor da produção local. Para uma refeição rápida e sofisticada, o Chef's Hall, na área central, reúne vários balcões gastronômicos sob o mesmo teto.
Toronto hoje conta com vários restaurantes premiados pelo guia Michelin. O Alo serve pratos franceses refinados, enquanto o Sushi Masaki Saito proporciona a experiência omakase mais exclusiva da cidade. Para um clima mais descontraído, o Pai Northern Thai Kitchen, na Duncan Street, prepara um excelente khao soi, aquela sopa de macarrão com curry e leite de coco típica de Chiang Mai.
Onde se hospedar em Toronto e arredores?
A região central e a área de Old Toronto oferecem a localização mais prática para turistar, mas as diárias são altas. O One King West Hotel apresenta uma boa relação entre custo e benefício em suas suítes equipadas. Para quem busca luxo, o Four Seasons, em Yorkville, e o Fairmont Royal York, em frente à estação Union, continuam sendo escolhas certeiras.
Com um orçamento menor, bairros como The Annex, Chinatown ou Little Italy dispõem de alternativas a menos de quinze minutos do centro de metrô. O albergue Samesun Toronto oferece camas em dormitórios a partir de 30 EUR (cerca de 185 reais) por noite, café da manhã incluso.
Para famílias, ficar perto do Harbourfront facilita o acesso ao aquário Ripley, às praças arborizadas e às ilhas. Nos arredores, bairros como Etobicoke ou North York ajudam a economizar bastante na hospedagem, mas aumentam o tempo de deslocamento.
Como chegar e circular em Toronto?
A Air Canada, a Air Transat e a Air France operam voos diretos diários saindo de Paris Charles de Gaulle. A viagem dura cerca de oito horas. A Icelandair faz conexões em Reiquiavique, e a Brussels Airlines, em Bruxelas. Desembarcando no aeroporto Toronto Pearson, o trem UP Express leva você até a estação Union em vinte e cinco minutos por cerca de 13 CAD (cerca de 55 reais).
Pela cidade, a Toronto Transit Commission opera uma rede integrada de metrô, ônibus e bondes. Usar o cartão Presto simplifica o pagamento das passagens. A tarifa única custa cerca de 3,35 CAD (cerca de 14 reais) por viagem. Caminhar continua sendo a melhor forma de explorar os bairros centrais, e a rede subterrânea PATH, com trinta quilômetros de extensão, permite cruzar o centro protegido do frio no inverno.
Andar de carro pelo centro não é aconselhable: o estacionamento sai por cerca de 30 CAD (cerca de 125 reais) a diária e o trânsito costuma travar nos horários de pico. Por outro lado, o veículo é útil para viagens bate-volta até as cataratas do Niágara, a uma hora e meia de estrada, ou para conhecer as vinícolas da península do Niágara.
Quando ir?
O verão é a melhor época, especialmente entre junho e agosto, quando os termômetros marcam entre 20 e 28 graus. Os festivais se sucedem: a Pride Toronto em junho, a Caribana em agosto e o TIFF em setembro. Vale um aviso: os preços dos hotéis sobem bastante durante essas datas.
O outono entrega paisagens coloridas e menor movimento de turistas. O inverno, rigoroso com marcas que chegam a vinte graus negativos, atrai fãs de patinação na Nathan Phillips Square e de jogos de hóquei. Se possível, evite março e abril: a neve derrete, o céu fica cinzento e a cidade perde parte do encanto.
Situada às margens do lago Ontario, Toronto oferece vistas lindíssimas ao longo de toda a orla. É inclusive assim que eu recomendo você ter um primeiro panorama da cidade, antes de explorar os diferentes centros.
Em termos de atividades, você vai se fartar, entre museus, teatros, musicais, jogo de hóquei, drinks em um rooftop ou até mesmo uma excursão para as Cataratas do Niágara.