"Olá, bem-vindo ao Canadá!" Assim que desci do avião em Montreal, aquele sotaque cantado me envolveu como uma promessa de aventura. Passei
duas semanas em setembro
cruzando as estradas de Quebec e Ontário, sozinha ao volante, com apenas um voo avulso Paris-Montreal e um carro alugado. Essa viagem de carro me presenteou com skylines vertiginosos, cachoeiras ensurdecedoras, lagos a perder de vista e amizades que duram até hoje.Neste artigo, compartilho meu roteiro completo, meus lugares favoritos, meus perrengues e todas as
dicas práticas
que eu teria adorado saber antes de partir. Seja você um casal, em família ou viajando sozinho, este relato foi feito para ajudar você a montaro seu
road trip ideal.Meu roteiro dia a dia: o grande circuito Montreal - Ontário - Quebec
Antes de mergulhar nos detalhes de cada parada, aqui vai uma visão geral do meu trajeto. A ideia era simples: sair de Montreal, descer em direção a Toronto e às Cataratas do Niágara, subir pelo Parque Algonquin e Ottawa, e então voltar para Quebec para terminar na cidade de Quebec antes do meu voo de volta.
| Dias | Parada | Noites | Tempo de estrada |
|---|---|---|---|
| D1 ao D3 | Montreal | 3 | , |
| D4 | Estrada para Toronto (via Mil Ilhas / Kingston) | , | ~5h com paradas |
| D5 ao D7 | Toronto | 3 | , |
| D8 | Bate-volta Cataratas do Niágara & Niagara-on-the-Lake | , | ~1h30 ida e volta |
| D9 ao D10 | Parque Algonquin | 2 | ~3h saindo de Toronto |
| D11 ao D12 | Ottawa | 2 | ~3h30 saindo de Algonquin |
| D13 ao D14 | Cidade de Quebec (+ Cascata Montmorency) | 2 | ~4h30 saindo de Ottawa |
| D15 | Retorno a Montreal & voo | , | ~2h30 |
⚠️ É bom saber: este roteiro forma um circuito, então você pode começar por qualquer etapa dependendo da sua cidade de chegada (Montreal ou Toronto). O sentido inverso funciona muito bem também!
Por que setembro é a época perfeita para este road trip

Escolhi setembro meio por acaso, e foi um tiro certeiro. Os turistas de verão já foram embora, as temperaturas continuam agradáveis (15 a 22°C) e, acima de tudo, é o início do
verão indígena
. Os bordos começam a se tingir de vermelho e dourado, oferecendo um cenário de cartão-postal ao longo das estradas. Se você puder viajar entre meados de setembro e meados de outubro, não pense duas vezes.Organizar a viagem: por conta própria ou com agência?
Essa é A pergunta que todo mundo faz. Escolhi organizar tudo sozinha: voo avulso, aluguel de carro no aeroporto e reserva de algumas hospedagens com antecedência. O resto, eu improvisei. O resultado? Liberdade total, mas também algumas noites gastas procurando um B&B disponível de última hora.
O método "voo avulso + aluguel": o que eu aprendi
Reservar o voo e o carro separadamente permite
controlar o orçamento
e manter uma flexibilidade máxima no roteiro. Mas é preciso estar confortável com o imprevisto e aceitar perder um pouco de tempo com a logística, especialmente para as hospedagens na alta temporada.Liberdade de roteiro
: você muda de plano de última hora sem penalidade, você estende uma parada se gostar do lugar.Economias potenciais
: comparando os voos e reservando o carro cedo, dá para baixar a conta de forma significativa.Carga mental
: é preciso prever tudo sozinho (estradas, distâncias, hospedagens, atividades) e isso exige tempo de preparação.
A opção de pacote com roteiro pronto: para quem é?
Pensando bem, se eu tivesse que fazer essa viagem de novo com crianças ou para uma primeira viagem ao Canadá, eu provavelmente escolheria um roteiro de carro com a Canada en Liberté. O conceito é atraente: uma agência prepara o itinerário, reserva as hospedagens e o carro, mas você continua ao volante e mantém sua liberdade no dia a dia. Você combina o conforto de uma organização estruturada com a flexibilidade de um road trip.
Vantagens do roteiro de carro organizado
- Zero estresse logístico: hospedagens, carro e roteiro detalhado fornecidos
- Itinerário otimizado por especialistas no Canadá
- Assistência no local em caso de imprevistos
- Ideal para uma primeira viagem ou viagem em família
Limitações a considerar
- Orçamento mais alto do que organizando tudo por conta própria
- Itinerário pré-definido, com menos espaço para total improvisação
- Datas de hospedagem fixadas com antecedência
Montreal, primeira parada e paixão à primeira vista

Assim que saí do avião, me deliciei com o sotaque québécois trocando algumas palavras com as pessoas no aeroporto. Eu adoro a forma como os québécois falam e as expressões super criativas que eles usam. "Char" para carro, "dépanneur" para lojinha de conveniência... Falamos francês e, mesmo assim, tudo é deliciosamente exótico e diferente.
O Velho Montreal, o Velho Porto e a Basílica Notre-Dame
Fiquei três dias em Montreal e teria podido ficar cinco. O Velho Montreal é um bairro onde cada viela conta uma história. Passei horas caminhando ao redor do Velho Porto, que realmente vale a pena visitar, com seus espaços revitalizados às margens do Rio São Lourenço. Foi lá que avistei o primeiro arranha-céu do país, construído em 1887.
Mas o verdadeiro impacto estético é a Basílica Notre-Dame. Sua construção começou em 1672 e ela continua sendo um dos monumentos mais antigos da província. Por dentro, é um verdadeiro museu de arte religiosa com abóbadas azuladas e detalhes dourados que deixam a gente sem palavras. Voltei lá à noite para o espetáculo de luzes Aura e, francamente, foi mágico.

O Mont Royal e um skyline único no mundo
Você sabia que Montreal proíbe que os arranha-céus ultrapassem a altura do Mont Royal? É essa preocupação com a estética que dá à cidade um perfil tão único. O centro da cidade transborda edifícios impressionantes pela arquitetura, mas nenhum rouba a cena da montanha. Suba até o topo do Mont Royal para entender o porquê: a vista da cidade e do rio é de tirar o fôlego.
O centro de Montreal também é super animado graças às suas três grandes universidades, que atraem estudantes do mundo todo. O clima é jovem, cosmopolita e os bares ao ar livre estão sempre lotados.
Os bairros que eu teria gostado de explorar mais
Pensando bem, me arrependo de não ter passado mais tempo no Plateau Mont-Royal e no Mile End, dois bairros boêmios com cafeterias artesanais, arte urbana em cada esquina e uma cena gastronômica efervescente. Os blogs em inglês falam deles como o "Brooklyn de Montreal" e, depois de ver o clima de relance ao passar por lá, confirmo que vale a pena dedicar pelo menos meio dia a eles.
💡 Dica gastronômica: não saia de Montreal sem provar uma poutine (batatas fritas, molho marrom e queijo coalho granulado). É o prato emblemático de Quebec e há tantos debates sobre o melhor endereço quanto restaurantes que o servem!
Depois do Museu de Arte Contemporânea, que adorei, e de um passeio pelo Estádio Olímpico (apelidado de "Big O" devido ao seu formato, desenhado por Roger Taillibert, o arquiteto do Parque dos Príncipes), era hora de pegar a estrada rumo a Ontário.
Na estrada para Ontário: as Mil Ilhas, a parada que os franceses desconhecem

Aqui está um segredo que descobri depois da minha viagem, lendo blogs em inglês, e ainda me arrependo amargamente. Entre Montreal e Toronto, a maioria dos viajantes franceses passa direto pela rodovia sem parar. Grave erro.
Na altura de Gananoque, apelidada de "Porta das Mil Ilhas", o rio São Lourenço se alarga e é salpicado por 1.864 ilhas (sim, muito mais do que mil!). Algumas são minúsculas com apenas uma árvore, enquanto outras abrigam castelos extravagantes como o Boldt Castle, construído no início do século XX pelo diretor do Waldorf Astoria para sua esposa. Uma história de amor trágica que os guias contam com paixão.
Os cruzeiros partem de Gananoque, Rockport ou Kingston. Espere gastar entre 35 e 80 dólares canadenses (CAD), dependendo da duração (de 1h a 5h). O cruzeiro de 3 horas é um excelente compromisso. Se você optar pelo de 5 horas com parada no Boldt Castle, lembre-se de levar seu passaporte: o castelo fica do lado americano!
⚠️ Reserve seu cruzeiro com antecedência no verão, as vagas esgotam rápido. Na baixa temporada (setembro-outubro), é mais tranquilo, mas verifique os horários reduzidos.
Toronto, a megalópole que me pegou de surpresa

Depois de cruzar espaços imensos por horas sem cruzar nenhuma cidade, dou de cara com uma aglomeração vibrante. O contraste é gritante. O Canadá é um país muito vasto e relativamente pouco populoso (você pode dirigir quilômetros sem passar por nenhuma vila), mas em Toronto a história é bem diferente.
A CN Tower, a orla e as Toronto Islands
Toronto é facilmente reconhecível graças à sua CN Tower, que chega a 553 metros de altura. É um dos símbolos do Canadá. A cidade é composta por seis bairros, todos diferentes uns dos outros, oferecendo múltiplas facetas ao visitante recém-chegado.
Uma dica que encontrei em guias de língua inglesa e que aprovo 100%: pegue a balsa para as Toronto Islands. Em 15 minutos, você sai da selva urbana para um parque verdejante com uma vista panorâmica espetacular do horizonte de Toronto. É gratuito (exceto a balsa) e um dos melhores locais para fotos da cidade.
Distillery District e Kensington Market: a alma de Toronto
Se o centro da cidade impressiona pela verticalidade, é nos bairros com personalidade que Toronto revela sua verdadeira essência. O Distillery District é um antigo complexo industrial transformado em vila de pedestres com galerias de arte, cervejarias artesanais e cafés descolados. A atmosfera é única, especialmente no fim da tarde, quando a luz oblíqua brilha nos tijolos vermelhos.
Já o Kensington Market é o bairro boêmio por excelência: casas vitorianas coloridas, brechós, mercearias do mundo todo e uma energia de mercado permanente. É o tipo de lugar onde você entra por 30 minutos e acaba ficando 3 horas.
Patrimônio vitoriano: a Antiga Prefeitura e o Osgoode Hall
Pessoalmente, adorei a Antiga Prefeitura (Old City Hall), que data do final do século XIX, com sua torre de 103 metros. Construído mais ou menos na mesma época, o Osgoode Hall também chamou minha atenção. Este edifício hoje serve como Tribunal de Apelação de Ontário e é aberto à visitação. O grande salão, os jardins, os vitrais e a biblioteca são particularmente impressionantes. Uma pequena joia arquitetônica que muitos turistas ignoram em favor da CN Tower.
As Cataratas do Niágara (e o vilarejo secreto de Niagara-on-the-Lake)

Primeira coisa na minha lista: as famosas quedas do Niágara, que eu queria ver de jeito nenhum. Siga para o sul saindo de Toronto, cerca de 1h30 de estrada para chegar à margem oposta do Lago Ontário e acompanhar o rio Niágara.
O espetáculo que te espera é simplesmente alucinante. O barulho dessas massas de água despencando é ensurdecedor, e a névoa que sobe das quedas te deixa encharcado em poucos segundos. Na verdade, existem várias cachoeiras: as Horseshoe Falls no lado canadense (as mais impressionantes) e as American Falls no lado americano.
💡 Minha dica: reserve um tempo para cruzar a fronteira americana para variar os pontos de vista. Do lado canadense, você tem a vista frontal mais icônica. Do lado americano, você consegue chegar muito mais perto da borda. Leve seu passaporte e uma capa de chuva!
O desvio por Niagara-on-the-Lake: uma joia
A apenas 20 minutos das quedas, no caminho de volta, Niagara-on-the-Lake é uma vila com um charme louco que a maioria dos turistas desconsidera completamente. Ruas ladeadas por casas vitorianas, vinhedos (sim, existe vinho de Ontário e ele é bom!), lojinhas de artesanato e uma calma total após o tumulto das quedas. É um contraste impressionante e uma parada que eu recomendo muito.
O Parque Algonquin: quando a natureza canadense recupera seu espaço

Mudança de cenário radical. Direção norte saindo de Toronto, em direção ao Parque Algonquin. Este parque florestal de quase 7.725 km² é cortado por incontáveis lagos e cursos d'água. Logo na entrada, a gente entende que o Canadá selvagem é aqui.
O parque pode ser visitado a pé ou de canoa, e eu logo percebi que não teria tempo suficiente para explorá-lo por completo. Dois dias é o mínimo estrito. Eu fiz o suficiente para ver que a natureza ali é suntuosa, e aliás, os moradores da cidade grande do sul de Ontário vão em peso arejar os pulmões por lá todo fim de semana.
🦌 Dica de fauna: em setembro, é a temporada de acasalamento (ruido) do alce. Saia cedo de manhã pelas trilhas perto dos lagos para maximizar suas chances de avistar um. Os castores também são muito ativos ao entardecer.
Quanto tempo programar para o Parque Algonquin?
Se você é fã de trilhas ou de canoagem, planeje de 3 a 4 dias para aproveitar o parque ao máximo. Com 2 dias como eu fiz, você pode pegar a estrada panorâmica que cruza o parque (Highway 60, 56 km), parar nos mirantes e fazer uma ou duas trilhas curtas. A beleza dos lagos cercados por florestas de folhosas no outono é inesquecível.
Ottawa, a capital canadense que pega a gente de surpresa

Meu caminho seguiu então para o leste, em direção a Ottawa. Passei uma noite e dois meio-dias lá, e esse é o meu único arrependimento: eu devia ter ficado mais tempo. Menos famosa que Montreal ou Toronto, Ottawa me causou uma ótima impressão, muito além do que eu imaginava.
O Parlamento: o ponto alto da visita
Meu momento favorito foi a visita ao Parlamento. Construído no século XIX em uma colina que domina o rio Ottawa, este grandioso edifício em estilo neogótico é parcialmente aberto ao público. É possível, inclusive, subir na grande torre central para ter uma vista panorâmica da cidade, do rio e das colinas de Gatineau bem em frente. Gratuito e impressionante.
Canal Rideau, ByWard Market e museus
Eu também adorei caminhar ao longo do canal Rideau, declarado Patrimônio Mundial da UNESCO. No verão, as pessoas passeiam de bicicleta ou de barco; no inverno, ele se transforma na maior pista de patinação natural do mundo (7,8 km!). A cidade, aliás, é incrivelmente verde, com vários parques, incluindo o parque Major's Hill, onde passei um momento de descanso mais do que merecido.
Se você tiver um pouco mais de tempo que eu, dois museus merecem a visita: o Museu Canadense da História (bem do outro lado do rio, em Gatineau) e a Galeria Nacional do Canadá. Já o ByWard Market é o mercado histórico de Ottawa, com suas bancas de produtos locais, restaurantes e lojinhas. Perfeito para almoçar em um terraço.
A cidade de Quebec: o gran finale desta road trip

Saindo de Ottawa, peguei a estrada novamente em direção ao leste para chegar à cidade de Québec, a última parada da minha viagem. E que maneira de encerrar! Eu simplesmente adorei essa capital banhada pelo rio São Lourenço. Pois é, a capital da província de Québec é a cidade de Québec, e não Montreal, ao contrário do que muita gente pensa. Tudo ali é lindo. Eu não imaginava que Québec fosse uma cidadela fortificada, a única cidade da América do Norte a ter preservado suas muralhas originais.
Cidade Alta: Place d'Armes, Seminário e Terraça Dufferin
Do alto da cidade alta, a vista é espetacular. Fiquei encantada com a Place d'Armes, a Prefeitura com suas torres e o Seminário de Québec, uma das instituições de ensino mais antigas da América do Norte. Mas o ponto alto foi subir até a Terraça Dufferin. Essa longa passarela de madeira que margeia o Château Frontenac oferece uma vista grandiosa do São Lourenço. Ao pôr do sol, com a luz dourada banhando o rio, é um dos panoramas mais bonitos que já vi na vida.
Tive a sorte de ser acolhida por uma família quebequense adorável, com quem fiz amizade até hoje. Essa hospitalidade faz parte da experiência: os quebequenses têm uma generosidade contagiante.
O Petit-Champlain e a Velha Québec: cenário de conto de fadas
Descendo a Escadaria Casse-Cou (a escadaria mais antiga da cidade, veja só!), a gente chega à rue du Petit-Champlain, frequentemente apontada como uma das ruas mais bonitas do Canadá. Lojas de artesanato, cafés aconchegantes, fachadas coloridas... Dá a impressão de estar em um vilarejo francês congelado no tempo, mas com aquele toque norte-americano especial. É um bairro que os viajantes adoram e que realmente merece ser explorado sem pressa.
Québec também é uma cidade surpreendentemente verde, repleta de parques e jardins bem cuidados. Dá para passar horas caminhando sem nunca se cansar da paisagem.
Excursão expressa: a Queda Montmorency, mais alta que as Cataratas do Niágara!

Se eu soubesse, teria reservado meio dia a mais em Québec só para visitar a Queda Montmorency. Localizada a apenas 15 minutos de carro do centro, essa cachoeira de 83 metros de altura supera as Cataratas do Niágara em 30 metros! O acesso ao local pode ser feito por uma escadaria panorâmica de 487 degraus, por um teleférico (cerca de 15 $ CAD) ou até mesmo por uma ponte suspensa que passa bem acima do abismo.
💡 Dica: chegue cedo para evitar a multidão na alta temporada. Em setembro, o clima é bem mais tranquilo. Os mais corajosos também podem se arriscar na tirolesa de 300 metros sobre a queda d'água (cerca de 30 $ CAD) ou fazer uma via ferrata ao longo do penhasco.
Com a minha viagem chegando ao fim, restou apenas pegar a estrada de volta rumo a Montreal para embarcar no voo de retorno. Já se passaram duas semanas, e a sensação é a de que apenas arranhei a superfície deste país imenso.
O que faltou fazer (e que vou guardar para a próxima)
Duas semanas parecem muito tempo, mas o Canadá é tão gigantesco que a lista de "queria ter feito" cresce rapidinho. Aqui está o que ficou na minha lista de desejos:
- Baía de Hudson: essa imensa extensão de água salgada, congelada durante boa parte do ano, é lar de belugas e ursos polares. Eu adoraria ter ido lá, mas é impossível chegar de carro, sendo necessário pegar um avião. Faltou tempo e orçamento.
- Tadoussac e a observação de baleias: na confluência do rio Saguenay com o São Lourenço, este é um dos melhores lugares do mundo para ver baleias (belugas, baleias-azuis, baleias-comuns). A temporada ideal vai de maio a outubro.
- Fiorde do Saguenay: um fiorde espetacular com penhascos vertiginosos, trilhas de caminhada e até uma via ferrata.
- Mont-Tremblant: uma vila de montanha nas Laurentides, belíssima no outono, a cerca de 1h30 de Montreal.
- Parque Nacional da Mauricie: um parque nacional situado bem no meio do caminho entre Montreal e Québec, com uma rota panorâmica de 63 km em meio a lagos e florestas.
Em suma, motivos de sobra para voltar para uma segunda road trip, desta vez subindo o São Lourenço em direção ao norte!
Orçamento, dicas práticas e o que eu faria diferente
Estimativa de orçamento para 2 semanas (1 pessoa)
| Item de despesa | Estimativa | Observações |
|---|---|---|
| Voo ida e volta Paris - Montreal | 450 a 700 € | Reservando com 3 a 4 meses de antecedência, setembro costuma ser mais barato que julho e agosto |
| Aluguel de carro (14 dias) | 400 a 700 € (conforme a categoria) | Compare em várias plataformas, atenção aos seguros |
| Combustível | 150 a 250 € | Cerca de 2.500 a 3.000 km rodados no roteiro |
| Hospedagem | 700 a 1.200 € | Mistura de B&B / hotéis, espere gastar de 50 a 90 € por noite em média |
| Alimentação | 350 a 500 € | Alternar restaurantes e compras em supermercados |
| Atividades e passeios | 150 a 300 € | Cruzeiros, museus, parques nacionais |
| Total estimado | 2.200 a 3.650 € | Excluindo compras pessoais e souvenirs |
Aluguel de carro: o que você precisa saber
Peguei meu carro diretamente no aeroporto de Montreal. Alguns pontos importantes para planejar com antecedência:
- Carteira de motorista: a CNH brasileira é aceita no Canadá para estadias de até 6 meses. Embora a CNH nacional seja aceita junto com uma tradução, é altamente recomendável levar também a Permissão Internacional para Dirigir (PID) por segurança.
- Seguros: verifique a cobertura do seu cartão de crédito antes de contratar os seguros oferecidos no balcão. Alguns cartões premium já cobrem colisões e roubo.
- Direção: as estradas são excelentes e muito bem sinalizadas. Fique atento aos limites de velocidade (100 km/h nas rodovias, fiscalizados rigidamente) e às distâncias, que são sempre maiores do que a gente imagina.
- Quilometragem ilimitada: essencial para este tipo de road trip. Verifique bem essa opção na hora da reserva.
Hospedagem: minhas dicas
Eu alternei entre pousadas (os famosos "gîtes" québécois, muitas vezes administrados por famílias encantadoras) e hotéis tradicionais nas grandes cidades. Em setembro, as tarifas são mais amenas do que no pico do verão, mas mesmo assim recomendo reservar pelo menos a primeira e a última noites de cada etapa para evitar estresse.
📱 Dica de dados móveis: o roaming internacional não funciona bem por lá se você usar planos europeus, e para brasileiros o mais prático é comprar um chip local ou uma eSIM logo na chegada. Conte com cerca de 30 a 40 $ CAD para 2 semanas de dados. É indispensável para o GPS e reservas de última hora!
Minhas 5 dicas para uma road trip de sucesso no Canadá
- Nunca subestime as distâncias. O Canadá é imenso. Uma "estradinha" de 3 horas não surpreende ninguém por lá. Planeje paradas e saia cedo.
- Reserve as atividades populares com antecedência: cruzeiros pelas Mil Ilhas, observação de baleias se for a Tadoussac, subir na CN Tower... Os lugares esgotam rápido na alta temporada.
- Leve roupas em camadas. Em setembro, as manhãs podem ser frescas (8 a 10 °C) e as tardes agradavelmente quentes (mais de 20 °C). O clima muda rápido, especialmente nas montanhas.
- Experimente de tudo. Poutine, xarope de bordo na neve (na temporada!), bagels de Montreal, smoked meat... A gastronomia de Quebec merece toda a atenção.
- Converse com as pessoas. Os canadenses estão entre as pessoas mais acolhedoras que já conheci. Uma conversa espontânea pode render uma dica preciosa de local ou até um convite para jantar.
Meu balanço: uma viagem que muda a perspectiva
Esta road trip de duas semanas entre Quebec e Ontário continua sendo uma das minhas lembranças de viagem mais bonitas. Da basílica de Montreal às cataratas do Niágara, do silêncio profundo do Parque Algonquin à energia vibrante de Toronto, cada dia trazia uma nova surpresa.
Se fosse hoje, eu incluiria as Mil Ilhas no meu roteiro, ficaria um dia a mais em Ottawa e na cidade de Quebec, e me organizaria para ir até Tadoussac. Mas é isso que torna uma road trip no Canadá tão bela: há sempre um motivo para voltar.
E aí, pronto(a) para pegar a estrada?
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