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O que fazer em Quioto em 3 dias

Traduzido do francês — Ver o original em francês

Olá a todos,

Tenho vontade de falar sobre a minha viagem ao Japão com o meu amor, que começou com uma visita de 3 dias a Quioto.

Por que o Japão e por que Quioto

Mesmo que eu nunca tenha morado lá (os mais observadores entre vocês provavelmente já repararam no meu apelido...), chegou o momento em que eu quis conhecer um pouco mais sobre este país que abriga as origens da minha família. Cheia de clichês, perguntei-me se o que eu encontraria lá se pareceria com o que costumamos ver: cidades fervilhantes de gente, letreiros luminosos por toda parte, falta de espaço, a mistura entre tradição e modernidade, etc...

A catástrofe nuclear de Fukushima em 2011 infelizmente colocou o Japão sob uma luz negativa, mas espero que, ao ler o meu artigo, vocês fiquem com vontade de dar uma volta na Terra do Sol Nascente.

Comecei a minha estadia por Quioto porque fazia questão de ver a cidade que foi a capital imperial nipônica por mais de 1000 anos, antes de Tóquio assumir o posto em 1868.

Tempos de Kyoto

Como chegar a Quioto

O trajeto mais inteligente que encontrei em termos de duração e preço foi pegar um voo Paris - Kansai (aeroporto internacional situado em alto-mar, na costa de Osaka). É preciso prever pelo menos 500€ por uma passagem de ida e volta e cerca de 14 horas de viagem em cada sentido com escala. Aqui está um link para comparar os preços dos voos para Osaka.

Enfim em solo japonês, eu não estava achando ruim poder esticar as pernas e esperava chegar logo ao hotel. Infelizmente, levei duas horas e meia a bordo do Limousine bus nº 8 para chegar à Kyoto station. Você pode comprar suas passagens na hora, em totens automáticos. Depois disso, pegamos um táxi (mais 20 minutos!!!) até o nosso hotel.

Minhas dicas para a sua hospedagem

Aconselho fortemente que façam como eu e escolham um Ryokan, que é uma pousada no mais puro estilo japonês: até as mais modernas preservam os materiais e a arquitetura de antigamente. Chegando lá, graças ao táxi para o qual eu havia dado o endereço rabiscado num pedaço de papel, apresentei-me na recepção.

Não me arrependi da minha escolha: tirei os sapatos e calcei os chinelos que foram disponibilizados pela okamisan, que é a gerente do local. Fiquei completamente encantada porque encontrei tudo o que esperava: os quartos com paredes de correr em papel (os famosos shoji que vemos em todo lugar, inclusive nos mangás), a mesinha de centro onde se pode tomar chá, a ausência de cadeiras, os tatames de palha de arroz no chão, o futon no qual se dorme muito bem, o teto um pouco baixo... Enfim, havia ali tudo o que eu tinha vindo buscar no Japão para vivenciar uma viagem realmente exótica e diferente de tudo!

Intérieur du RyokanOs Ryokan dão realmente a sensação de tocar de perto a cultura japonesa: a circulação lá dentro é feita sem barulho, tudo é pensado para favorecer a discrição. Cabe a você prestar atenção aos costumes para não cometer nenhuma gafe. Saiba, por exemplo, que os banhos do estabelecimento são abertos para homens e mulheres... mas não nos mesmos horários! Tudo é charme e dolce vita. Vão pedir a você (ou melhor, você precisa saber, pois ninguém vai lhe dizer) para não ficar deitado até tarde de manhã, o que pode parecer desconcertante para nós, adeptos de dormir até mais tarde. Fique tranquilo: para recompensá-lo por ter levantado cedo, você terá o direito de se revigorar aproveitando os cafés da manhã tradicionais que lhe serão servidos. Além do café da manhã, o jantar também está incluído no preço.

Para circular dentro desse tipo de acomodação, além dos chinelos, você certamente também terá à disposição um quimono de algodão com estampas azuis e brancas chamado yukata.

Atenção: você provavelmente vai pagar, assim como eu, no dia da chegada e, muito frequentemente, vão lhe pedir dinheiro em espécie... Prepare-se. A título de informação, custou-nos 100 euros a noite para 2 pessoas, o que está na média dos preços por lá. Você pode encontrar opções mais baratas, mas corre o risco de se decepcionar, pois pode acabar em um espaço menor e com um conforto mais precário: trata-se principalmente das pousadas familiares (minshuku), um pouco menos glamourosas... E para encontrar facilmente uma hospedagem em Quioto, é por aqui.

Visitar Quioto

Dia 1

Após uma curta noite de sono, em que o cansaço venceu facilmente o jet lag, fomos logo dar um passeio pela cidade e nos surpreendemos com o fato de que edifícios deslumbrantes podiam coexistir com velhos barracos totalmente decrépitos e que ameaçavam desabar. A cidade, muito animada, é barulhenta e é preciso prestar atenção nas pessoas e nos veículos que vêm de todos os lados.

Kyoto station

Para constar, se você precisar de informações no local, vá até a Kyoto station: é a estação principal de Kyoto, com 11 andares de galerias comerciais e restaurantes que servem um Ramen incrível por um preço super em conta: 800 ienes (menos de 7 euros) por um pratão de sopa com macarrão, carne e meio ovo... Uma delícia que sacia perfeitamente aquela fome de leão. No fim da minha viagem, eu já estava até conseguindo aspirar o miojo quente sem me queimar, fazendo o maior barulhão! Não é por nada não, mas fiquei toda orgulhosa!! Mas, além dos restaurantes, o mais importante é saber que o posto de informações turísticas fica no 9º andar, bem em frente ao elevador. As atendentes falam um inglês excelente e responderam com precisão a todas as nossas dúvidas.

Ao sair da estação, à sua esquerda, você verá o Kyoto Central Post Office: há ali um caixa eletrônico que aceita cartões Visa e Mastercard, o que não é tão comum assim... Aproveite!

Mas nós não tínhamos vindo só para aproveitar as maravilhas da civilização mercantil: também alimentamos nossa alma visitando, por exemplo, o templo Chishaku-in. Os templos e jardins são de uma paz inigualável: carpas coi (do mesmo tamanho daquelas que a gente vê na França :)) nadavam calmamente nos lagos, e os jardins davam muita vontade de meditar... Até o cemitério era relaxante, o que é raro, já que no fundo sempre me dá um pouco de angústia na França!

Le chemin du philosophe

Não deixe de aproveitar os passeios oferecidos pelo circuito conhecido como "o caminho do filósofo" (Tetsugaku no Michi), que na verdade é uma delícia de caminhada pelas encostas montanhosas de Kyoto (pegue o metrô até Sanjo). É maravilhoso fazer esse trajeto ao cair da noite para admirar as cores da cidade. O caminho margeia um canal cercado por cerejeiras: o lugar perfeito para a meditação. Dizem que ele ganhou esse nome por causa de um professor da Universidade de Kyoto, Nishida Kitaro, que costumava meditar por ali todos os dias.

Visite também o Nijo-Jo, que é o palácio do primeiro Xogum. A gente faz o tour pelos 5 edifícios que compõem o palácio fortificado... descalço! Pois é, é bom ir se acostumando: é super comum nos locais históricos... Depois, é só calçar os sapatos de novo e respirar ar puro no jardim ao redor: é impossível não se render à beleza e à serenidade que esses lugares encantadores transmitem.

Musée du MangaTambém demos uma passada no Museu Internacional do Mangá de Kyoto. Só um aviso: não espere encontrar um museu entupido de lembrancinhas e produtos de merchandising à venda. É um museu de verdade, que explora a cultura tradicional do Japão, mostrando as bases do desenho e tudo o que deu origem ao mangá. Há uma biblioteca de acesso livre com milhares de livros... só que em japonês... Mas há uma lojinha onde você com certeza vai querer comprar alguma lembrança. O museu é recente (inaugurado em 2000) e marca uma grande virada: antes visto por alguns (inclusive pelos próprios japoneses, às vezes) como um produto de subcultura, o mangá ganhou muito reconhecimento graças a este espaço.

O local preserva obras que geralmente eram impressas em papel de baixa qualidade em revistas e similares... Na verdade, o governo percebeu que as novas gerações estavam conquistando o mundo inteiro e quis "proteger" essa particularidade cultural para passá-la adiante.

O museu também acompanha a produção de obras em países ocidentais para fazer paralelos interessantes, além de contar com uma linha do tempo de 1947 a 2001.

Depois de visitar o museu, seguimos em direção ao sul e ao centro da cidade. Se você continuar batendo perna ao cair da noite, não tem como perder a Kyoto tower. Construída perto da estação central, esta torre de observação panorâmica tem 131 metros de altura. Dá para vê-la de dia, mas à noite ela fica toda iluminada e serve como um ótimo ponto de referência.

Dia 2

Fomos conhecer o Palácio Imperial Kyoto-Gosho, que foi a residência principal do imperador do Japão até o século XIX. Em perfeito estado de conservação, é possível visitar os jardins e todo o complexo de edifícios. Só é bom conferir os horários e dias de funcionamento, que parecem mudar bastante (ou então foi eu que não entendi direito o que as moças do posto de informações explicaram...).

No bairro ao norte, Takagamine, fica o famoso templo zen Kinkaku-ji, o Pavilhão Dourado, que é o grande cartão-postal do Japão tradicional. Construído em 1397 e reconstruído em 1955 após um incêndio, ele é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1994. Revestido de ouro (exceto no térreo), o pavilhão abriga relíquias de Buda. Dá para visitar o templo e seu jardim seguindo um circuito demarcado.

Le Pavillon d'Or

Essa região é riquíssima, pois nela também ficam os templos Jôshô-ji, o templo Shôden-ji e seu jardim de areia impecável, além do belíssimo jardim zen Ryôan-ji, entre outros... Nós não tínhamos tempo para visitar todos, mas fizemos questão de dar uma olhada por fora para ver como eram esses lugares.

A cidade de Quioto tem a vantagem de ter preservado todos esses vestígios de sua grandeza em edifícios perfeitamente conservados. O exemplo do bairro norte não é, portanto, único.

Dia 3

Por fim, antes de continuar nossa viagem pelo arquipélago japonês, queríamos absolutamente ver o bairro de <strong>Gion</strong>: é o bairro mais famoso de Quioto, considerado o coração e a alma da cidade, nada menos!

É em Gion que acontecem todos os anos dois festivais de prestígio sobre os quais você certamente ouvirá falar: o <strong>Gosan Okuribi</strong> em agosto e o <strong>Gion Matsuri</strong> em julho. Todo mundo participa e aproveita esses momentos festivos que permitem relembrar os momentos marcantes da vida de Quioto (a luta contra a peste, por exemplo). Há carros alegóricos, flautistas, comerciantes, e as ruas ficam bloqueadas e proibidas para o tráfego de carros.

O teatro Minami-zaEste bairro abriga a <strong>ponte Shijô, o parque Maruyama, os templos Chion-in, Kennin-ji, Shôren-in, Yasaka-jinja, teatros de kabuki como o Minami-za</strong>... Mas esta parte da cidade também é muito famosa pelas famosas gueixas. Bem, ainda estamos procurando por elas. Imagino que a atividade delas seja bastante discreta.

Volto a falar sobre o <strong>Kabuki</strong> e convido você a aproveitar se puder. O <strong>Minami-za</strong> é considerado o berço dessa arte. O Kabuki é o teatro tradicional japonês em que os atores usam muita maquiagem, e o palco e os cenários se movem. A região de Kansai é hoje a vanguarda do renascimento dessa arte. No bairro de <strong>Pontocho</strong>, há inclusive uma estátua de Okuni, considerada a figura feminina essencial do Kabuki.

Em conclusão

Como você provavelmente já percebeu, a cidade de Quioto é um verdadeiro museu a céu aberto onde você encontrará muito o que fazer durante sua estadia, sem nenhuma dificuldade. A sensação de estar em outro mundo é incrível e te pega assim que você coloca o pé para fora do avião.

Fui realmente conquistada por essa descoberta e convido você a fazer o mesmo. Fique sabendo de uma coisa, no entanto: não será fácil fazer amizade com os japoneses que você encontrar. Eles não vão parar para bater papo com você, mesmo que não sejam malvados ou desagradáveis. A única solução parece ser ser apresentado às pessoas por meio de expatriados que moram lá; caso contrário, é um pouco difícil estabelecer contato. A propósito: um abraço para o Philippe, a Haiko e as crianças!

Até breve, espero.

Comentários (2)

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  • Dudy
    Dudy
    J'ai adoré Kyoto! J'ai eu la chance d'apercevoir 2 ou 3 Geishas dans le quartier de Gion, et j'ai été à la fois impressionnée car elles sont très élégantes et pour tout ce qu'elles représentent, mais l'attitude des touristes qui osent leur couper le chemin et planter leur caméra à 10 cm de leur visage pour prendre leur photo sans demander la permission m'a vraiment dégoûtée...
    • Asiangirl
      Asiangirl
      Haha, pas faux. Ces touristes et leurs appareils photos :)
  • aqua777
    aqua777
    En effet, j'imagine que le dépaysement doit être totale. Quel beau voyage tu sembles avoir fait. Je ne pensais pas qu'on pouvait voir tout cela en 3 jours seulement, tu ne t'as pas arrêté beaucoup.
    • Asiangirl
      Asiangirl
      Oui, un peu fatigant, mais ça vaut la peine, et je n'aurai pas beaucoup l'occasion de revoir cette ville!

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