Puteaux, a outra face de Paris
Aos pés das torres de La Défense, uma igrejinha do século XVI resiste ao tempo. Essa imagem resume Puteaux: uma cidade que soube preservar suas raízes ao se tornar a antessala do maior distrito financeiro da Europa. Por aqui, você passa sem transição de um roseiral centenário para um museu de arte contemporânea ao ar livre, de um moinho de 1648 para arranha-céus de vidro e aço.
Uma parada inesperada às portas de Paris
Vamos ser francos desde o início: poucos turistas planejam visitar Puteaux. A comuna de 45.000 habitantes funciona na maioria das vezes como base para quem trabalha em La Défense ou busca hospedagem mais barata do que em Paris (cerca de 30% a 50% menos). É um erro. Esta cidade nos Hauts-de-Seine oferece uma pausa bem-vinda entre duas visitas à capital, com suas margens do Sena, sua ilha verdejante e seu patrimônio pouco conhecido.
Se você detesta torres e concreto, os arredores de La Défense não vão te agradar. Mas se você aprecia contrastes, arquitetura contemporânea e caminhadas à beira d'água, Puteaux merece algumas horas do seu dia. O carro é dispensável, pois o metrô e o VLT atendem perfeitamente à região.
Orçamento moderado para a região parisiense
Espere gastar de 80 a 150 euros (cerca de 500 a 930 reais) por noite em um hotel decente, o que custa menos do que em Paris intra-muros. Uma refeição em restaurante oscila entre 15 e 40 euros (cerca de 95 a 250 reais) conforme o seu apetite. O acesso ao topo da Grande Arche custa 18 euros (cerca de 110 reais), mas a maioria das atrações é gratuita.
A Ilha de Puteaux e seus jardins secretos
Poucos parisienses conhecem esta ilha de dois quilômetros de extensão, espremida entre Puteaux e Neuilly-sur-Seine. O Parc Lebaudy, legado em 1942 pela viúva de um industrial açucareiro, abriga um roseiral com 1.600 pés divididos em 200 variedades. A rose de Puteaux, também chamada de Rosa Damascena, ainda cresce por lá. No século XIX, perfumistas como Coty a compravam por causa de sua fragrância marcante.
A melhor época para admirar esse roseiral vai de maio a junho, quando as flores explodem em cores. No restante do ano, o parque continua sendo um refúgio de paz com seu coreto, sua pista de cooper e sua área verde frequentada por borboletas. Colmeias produzem anualmente um mel local vendido em quantidade limitada.
Dica de amigo: nas tardes de domingo durante o verão, concertos gratuitos animam o coreto do parque. Chegue cedo para garantir um lugar nos bancos.
La Défense, um museu a céu aberto
O distrito financeiro, situado entre Puteaux, Courbevoie e Nanterre, surpreende os visitantes. Atrás das fachadas de vidro, mais de 60 obras de arte contemporânea pontuam a esplanada. A Araignée Rouge de Alexander Calder, com 15 metros de altura, convive com os Personnages Fantastiques de Joan Miró e o famoso Pouce de César, uma réplica gigante de 12 metros.
O Bassin de Takis fecha a esplanada em direção ao leste com seus sinais metálicos enigmáticos fincados na água. A Cheminée de Moretti, uma coluna de 32 metros revestida com fibra de vidro colorida, ganha uma iluminação espetacular à noite. Todas essas obras podem ser visitadas de graça, a qualquer hora.
O ponto alto do passeio é a subida até o teto da Grande Arche. O elevador panorâmico te leva a 110 metros de altura. Lá de cima, o Axe historique se estende diante de você: o Arc de Triomphe, a avenida Champs-Élysées e o Louvre alinham-se perfeitamente. Em dias claros, a vista chega até a Torre Eiffel.
O Velho Puteaux e seu patrimônio esquecido
A poucos minutos a pé de La Défense, o centro histórico de Puteaux guarda tesouros discretos. A église Notre-Dame-de-Pitié, tombada como monumento histórico, data de 1523. Seus vitrais do século XVI sobreviveram a guerras e a reformas desastrosas. O campanário, reconstruído em 2012, lembra o que Jean-Baptiste Lully fazia soar no século XVII.
O Hôtel de Ville, inaugurado em 1934, merece uma visita por causa de sua arquitetura Art Déco assinada por Jean e Édouard Niermans. Os trabalhos em ferro forjado de Raymond Subes, o afresco de Louis Bouquet na escadaria principal e os pisos de parquet em mosaico revelam um savoir-faire do passado. A entrada é livre durante o expediente da prefeitura.
Nas alturas, o Moulin de Chantecoq domina a cidade desde 1648. Este moinho de vento, o mais antigo dos Hauts-de-Seine, moeu o trigo dos moradores por dois séculos antes de virar uma fábrica de tintas de impressão. O Jardin des Vignes, criado em 2009 nas proximidades, mantém viva a tradição vinícola de Puteaux com seus 170 pés de Chardonnay. Todo outono, a colheita resulta na safra Clos Chantecoq.
Onde comer e beber em Puteaux?
O endereço gastronômico de destaque na cidade é o L'Escargot 1903. Esta casa centenária, comandada pelo chef Yannick Tranchant, figura no Guia Michelin. Sua cozinha intuitiva, generosa e criativa valoriza produtos da estação em um ambiente elegante com terraço sombreado. Espere gastar 55 euros (cerca de 340 reais) no menu de almoço. Os executivos de La Défense lotam o salão, portanto reserve com antecedência.
Para uma refeição mais simples, o L'Andouille serve pratos clássicos de bistrô francês em uma antiga cervejaria renovada. No shopping center Les Quatre Temps, há muitas opções para comer um lanche rápido entre um passeio e outro. As feiras de rua de quinta e domingo trazem a oportunidade ideal para provar ingredientes da região de Île-de-France.
Onde dormir em Puteaux e arredores?
A rede hoteleira se concentra ao redor de La Défense. O Mama Shelter Paris La Défense atrai viajantes modernos com seu design colorido e seu rooftop. O Social Hub conta com piscina ao ar livre, algo raro na região. Para quem viaja com o orçamento mais enxuto, redes como o Ibis Styles oferecem quartos funcionais a preços razoáveis.
Se você prefere a tranquilidade do Velho Puteaux, existem algumas pousadas e quartos na casa de moradores perto das margens do Sena. A proximidade com o metrô permite chegar a Paris em 15 minutos, o que transforma a cidade em uma alternativa econômica em relação aos hotéis parisienses.
Como chegar e circular em Puteaux?
A linha 1 do metrô conecta Paris a La Défense em menos de 20 minutos partindo de Châtelet. O RER A também atende o distrito financeiro. O Transilien que sai da gare Saint-Lazare chega à estação de Puteaux em 10 minutos, onde também passa o tramway T2.
A partir dos aeroportos, calcule de 45 minutos a 1 hora usando transporte público. Orly é acessível via RER B seguido pela linha 1 do metrô. Roissy-Charles-de-Gaulle se alcança pegando o RER B até Châtelet e fazendo baldeação para a linha 1. De carro, as rodovias A14 e A86 levam direto a La Défense, mas estacionar por lá custa caro.
Quando ir?
A primavera continua sendo a melhor estação para aproveitar o roseiral florido e as margens do Sena. No verão, o evento Puteaux en plage agita a ilha com atividades esportivas e shows gratuitos. Evite os dias úteis durante a semana caso você queira fugir da multidão de funcionários de La Défense na hora do almoço.