Era uma vez São Francisco ou, melhor dizendo, um labirinto de ladeiras e subidas cada vez mais vertiginosas e malucas, a ponto de que, vistas pela televisão da sua sala ou na telona do cinema, você quase poderia pensar que se trata de uma grande brincadeira dos estúdios de Hollywood!
Foi exatamente essa a impressão que tive na primeira vez que descobri São Francisco no famoso filme americano «Uma Babá Quase Perfecta»! Impressionada e estupefata com o urbanismo completamente inacreditável e improvável da cidade, pensei primeiro que o cenário da comédia saía diretamente da imaginação de um daqueles produtores de cinema «excêntricos» de Hollywood e tinha sido montado do zero para acentuar o lado excêntrico e fantasioso do filme!

Mas, na realidade, não era uma brincadeira... Depois de perguntar aos meus pais, que assistiam ao filme comigo, tive a confirmação de que aquele cenário existia de verdade e que não era nenhuma farsa dos estúdios da Califórnia. Foi bem nesse momento exato que decidi que, quando eu crescesse (pois na época eu tinha apenas 6 anos), uma das minhas primeiras missões seria ir conferir com meus próprios olhos a loucura daquela cidade.
E esse grande dia chegou durante a minha primeira road trip pelo oeste americano com o meu companheiro. São Francisco era a nossa segunda parada no roteiro, logo depois de Los Angeles (conto tudo sobre a nossa parada em LA neste artigo), e tínhamos planejado uma estadia curta de dois dias que, infelizmente, foi bem curta para explorar a fundo essa cidade repleta de tesouros e surpresas!
Então, para os mais curiosos de plantão, sigam o guia e venham ver o que São Francisco tem a oferecer!
Mas espere um minuto: antes de aprofundarmos a nossa análise, vamos nos familiarizar um pouco mais com esse exemplar cheio de personalidade para conseguir apreciar todo o seu charme, sua autenticidade e, acima de tudo, seu caráter inusitado!
Um pouco de história...
Longe de mim querer ser chata ou repetitiva, mas achei que um breve contexto histórico da cidade era fundamental para entender a verdadeira essência dessa metrópole fora dos padrões, sua mentalidade, seu urbanismo, sua população...
Para começar, fundada em 1776 por missionários espanhóis vindos do Vice-Reino da Nova Espanha (hoje conhecido como México!), a cidade recebeu esse nome em homenagem ao patrono daqueles religiosos, ninguém menos que São Francisco de Assis (em espanhol: «San Francisco de Asís»).
A corrida do ouro e da prata
Mais tarde, esse vilarejo começou a decolar quando, em 24 de janeiro de 1848, a 220 km dali, James Marshall (um operário itinerante) entregou ao seu patrão, o suíço John Sutter (um comerciante suíço), a primeira pepita de ouro.

Foi o início da corrida do ouro e do mito de São Francisco (1848-1849), que, em apenas dois anos, viu suas terras serem invadidas por aventureiros, mineiros, desempregados, cortesãs, marinheiros, comerciantes e malfeitores de todos os tipos vindos do mundo inteiro. A ponto de receber o apelido de «Barbary Coast» para descrever seu caráter extremamente popular e turbulento, onde proliferavam os excessos de todos os tipos (prostituição, jogos de azar, ópio, corrupção...).
A propósito, foi dessa época que sua lendária ponte avermelhada tirou o famoso nome de «Golden Gate Bridge» (ou «Ponte do Portal Dourado»). Não que ela seja feita de ouro, mas porque levava diretamente à «terra do ouro»! Uma mina de ouro a ser explorada com urgência, mas que logo secou, como tudo o que é bom e tem fim!
Mas, felizmente, cerca de dez anos depois, a febre voltou com força total graças à descoberta de jazidas de prata na Serra Nevada, atraindo uma imensidão de investidores e mineiros profissionais. São Francisco transformou-se então em uma «cidade cogumelo», com sua população multiplicada por 25 entre 1848 e 1849 e por 150 entre 1848 e 1870.
A chegada da ferrovia transcontinental
Um salto facilitado pela chegada da estrada de ferro em 1860, que passou a ligar as costas atlântica e pacífica em apenas seis dias, em vez dos dois meses anteriores! (A propósito, abrindo um breve parêntese, milhares de trabalhadores chineses foram recrutados para as perigosas obras daquele que seria apelidado de «cavalo de ferro», o que explica em parte a forte comunidade chinesa em São Francisco hoje em dia).

Uma verdadeira revolução para a cidade, que aos poucos foi perdendo seu clima de "Velho Oeste" para assumir ares de metrópole mais séria, com seus bancos, comércios e escritórios. Além disso, os « cable cars » começaram a subir as ruas íngremes, e o bairro de Nob Hill ganhou um certo ar de imponência e solenidade com a construção de suntuosas residências vitorianas em madeira pelos primeiros magnatas das ferrovias e dos negócios.
A famosa San Francisco que conhecemos hoje, com suas casas vitorianas, os bondinhos, dinâmica, vibrante e símbolo de tolerância e emancipação das minorias, ganha todo o sentido quando olhamos para esse passado tumultuoso, que oscilava entre uma cidade um tanto "devassa" e "libertina" e uma metrópole de negócios refinada e audaciosa!
O terremoto de 1906
E não se surpreenda se você não encontrar (ou encontrar muito poucos) monumentos históricos em San Francisco, pois em abril de 1906 um poderoso terremoto de magnitude 7,1 na escala Richter destruiu 80% da cidade.
Castigo divino para punir esta cidade decadente entregue ao demônio do vício?
Enquanto essa era a teoria de alguns religiosos e puritanos da época, nós preferimos a versão mais científica e cartesiana, que utiliza a localização geográfica da cidade para explicar essa catástrofe natural.
Um pouco de geografia...
Primeiramente, aquela que não por acaso é apelidada de « City by the bay » (ou «cidade na baía») fica na extremidade norte da península de San Francisco, cercada por água em três lados (a leste, pela Baía de San Francisco; ao norte, pelo estreito de Golden Gate; e a oeste, pelo Oceano Pacífico), o que lhe confere paisagens deslumbrantes e praias de Sonho que não devem nada às de Los Angeles.
Mas, embora esse território cercado por água pareça um "paraíso insular", é importante notar que sua localização também faz dele um lugar geologicamente inóspito, e até arriscado, para toda a população.
A começar por sua costa de relevo particularmente acidentado devido às ondas e ventos muito fortes vindos do Oeste.
Além disso, a cidade fica frequentemente coberta por vários dias por uma espessa camada de neblina (o famoso « fog »), gerada pela diferença de temperatura entre as terras californianas superaquecidas e as águas frias do Pacífico, chegando a encobrir até mesmo a nossa Golden Gate Bridge. Dá para entender por que San Francisco ganhou esse outro apelido: « Fog City » (ou a «cidade do nevoeiro»)!

Por fim, San Francisco, assim como toda a Califórnia, está situada sobre a grande falha de San Andreas, formada onde as placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte se separam gradualmente, tornando a região particularmente instável e vulnerável a inúmeros terremotos e incêndios (como o sismo de 1906 que mencionei antes).
Inclusive, um grande terremoto previsto para a região da baía nos próximos 30 anos, apelidado de « Big One », é motivo de preocupação constante, transformando este cantinho da Califórnia em uma verdadeira "bomba-relógio"!
É por isso que você precisa absolutamente descobrir esta cidade antes que ela desapareça completa e definitivamente do mapa dos Estados Unidos!
Então, para isso, há várias opções disponíveis:
Como se locomover em San Francisco
De bicicleta, a pé ou de transporte público
Se você ler vários blogs, muitos dirão que é ótimo explorar a cidade de bicicleta, de transporte público ou simplesmente a pé, pois San Francisco é uma metrópole relativamente compacta onde todos os principais pontos de interesse ficam perto uns dos outros.
Além disso, segundo eles, esta é uma excelente maneira de absorver verdadeiramente a atmosfera única e excepcional que reina na cidade, especialmente porque ela conta com uma excelente rede de transporte público (ônibus, trólebus, bondes, « cable cars »...).

Embora eles não estejam totalmente errados, também não estão totalmente certos. Porque, primeiramente, devido à inclinação impressionante das ruas, suas panturrilhas e seus pés vão sofrer e perder o encanto muito rapidamente!
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Além disso, se você quiser ir além do centro ou simplesmente percorrer a « 49-Mile Scenic Drive » (um passeio pela cidade que se estende por cerca de 49 milhas e traça um roteiro espetacular para ver o melhor de San Francisco), o carro acaba sendo extremamente útil, e até essencial, em comparação a um simples par de tênis de caminhada!
De carro
Pessoalmente, sempre que viajamos para os Estados Unidos, meu companheiro e eu temos o hábito de alugar um carro pela internet com vários meses de antecedência para garantir tarifas vantajosas. Para isso, usamos o site BSP Auto, que é um excelente comparador de preços do qual nunca nos decepcionamos até hoje.
Então, um pequeno detalhe (e isso não é piada): se você alugar um carro em São Francisco, saiba que, ao estacionar em uma rua íngreme, é obrigatório virar as rodas em direção à calçada para que o veículo não desça a ladeira caso o freio de mão falhe!
Essa regra consta no Código de Trânsito da Califórnia desde 1959 e, se você não a seguir, prepare-se para pagar uma multa, seja você um simples turista ou não!
Portanto, resumindo, a escolha do seu meio de transporte em São Francisco vai depender dos seus passeios, do seu preparo físico, da duração da viagem e, acima de tudo, das suas vontades. O mais sensato é provavelmente combinar as duas opções que acabamos de ver para não se sentir frustrado ou arrependido!
Com esses detalhes e informações em mãos, acho que estamos mais do que prontos para partir rumo à descoberta de "SF", um apelido de São Francisco que os locais aceitam bem, mas preste atenção neste conselho: nunca chame a cidade de "Frisco" ou "San Fran’", pois você corre o risco de ser julgado e ridicularizado pelos moradores mais puristas e bairristas, que simplesmente não suportam esses apelidos, mesmo que a cidade na baía tenha a fama de ser a mais tolerante dos Estados Unidos!
DIA 1
Antes de rumar para São Francisco, eu tinha colocado na cabeça que queria ver três coisas a todo custo: a Golden Gate Bridge, as Painted Ladies e aquelas famosas ruas íngremes!
Três coisas que eram tão simbólicas para mim que eu não podia passar o nosso primeiro dia na cidade sem dar um pulo nelas.
Então, se me permitem, vamos partir sem demora ao encontro desse gigante vermelho saído diretamente dos mares: a Golden Gate Bridge!
1, A Golden Gate Bridge e seu vizinho Fort Point

Ora atacada por um polvo gigante saído das profundezas (O Monstro do Mar, 1955), sacudida por um terremoto (Superman, 1978), destruída por um mutante (X-Men: O Confronto Final, 2006), mastigada por um tubarão gigante (Mega Shark vs. Giant Octopus, 2009) ou até varrida por um tsunami (Terremoto: A Falha de San Andreas, 2015), a Golden Gate Bridge já apareceu nas telas pequenas e grandes do mundo todo. Mas naquele dia, ela deixou de ser ficção e virou pura realidade. Ela estava ali, bem na nossa frente, e a única palavra que me veio à mente foi: "MÁGICO"!
Inclusive, meus olhos maravilhados não eram grandes o suficiente para absorver toda a grandiosidade desse colosso de 2,7 km de extensão que domina o Golden Gate, o estreito que liga a baía de São Francisco ao oceano Pacífico. Nele, seis faixas de trânsito dividem zelosamente o espaço com duas pistas para pedestres e ciclistas, para a nossa enorme alegria como turistas!
Afinal, essa estrutura permite caminhar até um terço da ponte e apreciar a vista deslumbrante de São Francisco, além de garantir um panorama um tanto quanto impressionante da antiga prisão de Alcatraz!


Uma coisa é certa: seja em cima ou aos pés dela, esse monumento icônico concluído em 1937 é indiscutivelmente uma obra-prima tanto arquitetônica quanto técnica. É e continuará sendo para sempre o símbolo máximo da cidade, AQUELA foto obrigatória, o registro que todos guardamos na memória para compartilhar com amigos e familiares, em resumo, a imagem indelével de uma viagem ao coração de uma cidade emblemática.

E quer saber uma curiosidade? Dizem que os fios de aço que compõem os cabos deste gigante da baía de São Francisco seriam capazes de dar três voltas ao redor da Terra!
Isso só confirma o caráter espetacular e imensurável deste lugar, onde algo simplesmente acontece: um "não sei quê" inexplicável que vai marcar você para o resto da vida!

E como se quisesse proteger e vigiar aquele que é considerado "uma das sete maravilhas do mundo arquitetônico", um antigo forte militar construído em 1850, em plena época da corrida do ouro, espera cada visitante ao pé da Golden Gate Bridge. Trata-se do <strong>Fort Point</strong> que, embora não tenha sido construído com o objetivo de proteger a famosa ponte, já que é muito mais antigo do que ela, , tinha mesmo a missão de defender a baía de São Francisco, bem como suas instalações comerciais e militares. Felizmente para os americanos, o forte nunca entrou em ação e os canhões que enfeitam sua parte superior nunca precisaram disparar um tiro sequer!
Aliás, devido à obsolescência e ao desuso do local, os canhões foram removidos após a Guerra Civil e chegou-se a pensar em demolir o forte para facilitar a construção da futura Golden Gate Bridge. Mas, felizmente para nós e para toda a pátria americana, o engenheiro responsável pela própria ponte, Joseph Baermann Strauss, opôs-se firme e implacavelmente à destruição do forte, por considerá-lo um exemplar arquitetônico único. E, depois de visitar pessoalmente este monumento histórico, dá para entender perfeitamente a teimosia desse arquiteto, e concordamos totalmente com ele!
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Por falar em arquitetura, vamos continuar nossa jornada rumo a um dos locais mais fotografados de São Francisco: as <em>Painted Ladies</em>!
<img alt="Painted Ladies." src="/Avygeo/uploads/4125/articles/thumb_pic_5fef855226fdc.jpg" style="height:379px; width:570px"/>
Se, assim como eu, você é apaixonado pelo estilo das casas americanas, vai se sentir como se fosse Natal fora de época ao chegar ao <strong>710-720 Steiner Street</strong>, diante dessa fileira de sete casas vitorianas construídas em degraus tendo como pano de fundo os arranha-céus do centro da cidade, criando um contraste visual impressionante!
Afinal, se os edifícios ao fundo destacam o caráter vibrante e movimentado da cidade em tons predominantes de cinza, as Painted Ladies, pintadas com cores vivas para ressaltar seus detalhes arquitetônicos que parecem rendas, parecem congelar o tempo e nos transportar para as casinhas de boneca da infância.
Um verdadeiro deleite para os olhos, a ponto de podermos passar horas admirando essas fachadas que refletem toda a delicadeza e o refinamento do estilo vitoriano.
<img alt="Style victorien des Painted Ladies." src="/Avygeo/uploads/4125/articles/thumb_pic_5fef8576e697f.jpg" style="height:570px; width:456px"/>
Aliás, meu companheiro teve que fazer um esforço danado para me arrancar daquele lugar, onde tirei centenas de fotos para não perder nenhum detalhe, para guardar uma prova real da magia que acabara de acontecer diante dos meus olhos e para me lembrar de que aquilo não era um sonho!
Mas, se deixar esse lugar majestoso foi de cortar o coração, para minha sorte, um consolo inesperado me aguardava a poucos passos dali. Acontece que outras casas no mesmo estilo, além do estilo eduardiano, 48.000 para ser exata, , foram construídas em São Francisco entre 1849 e 1915, durante o boom de desenvolvimento do final do século XIX!
Que alegria imensa foi para mim... Mas também que tormenta e suplício para o meu companheiro, que teria que parar a cada esquina para que eu pudesse eternizar a beleza e a imponência daquelas casas, cada uma mais linda que a outra! Mas, como diz o famoso ditado: «<em>Quem ama não conta</em>»!
E eu já nem contava o tempo naquelas várias ruas íngremes que descobríamos pela primeira vez e com enorme espanto, dado o tamanho da inclinação! A propósito, nossas panturrilhas ainda se lembram disso... Mas que importa o sofrimento diante daquele cenário excepcional e quase irreal que desfilava diante dos nossos olhos, parecendo sussurrar em nossos ouvidos: «admirar-me, contemplar-me e explorar-me de novo e de novo»!
E por que parar por aí, sabendo que outra surpresa e tanto nos esperava a poucos quarteirões de distância, a famosa <em>Lombard Street</em>, considerada a rua mais sinuosa do mundo.
Era uma vez um pedacinho de rua de nem 200 metros, mas que conseguiu construir uma reputação mundial não por seu valor histórico, seus edifícios ou moradores, mas apenas por seu formato e suas oito curvas lendárias! Senhoras e senhores, tenho a honra de apresentar: Lombard Street!
<img alt="Lombard Street et ses 8 virages mythiques." src="/Avygeo/uploads/4125/articles/thumb_pic_5fef85ce135e4.jpg" style="height:570px; width:428px"/>
Projetada em 1922 pelo proprietário de terras Carl Henry, no bairro de <strong>Russia Hill</strong>, entre a <strong>Hyde Street</strong> e a <strong>Leavenworth Street</strong>, esta é dita ser a rua mais sinuosa do mundo, contando com oito curvas bem fechadas.
<em>Mas para que tanta extravagância? </em>
<img alt="Lombard Street." src="/Avygeo/uploads/4125/articles/thumb_pic_5fef85f1d4022.jpg" style="height:570px; width:456px"/>
Na verdade, essa concepção um tanto quanto peculiar teria sido implementada para reduzir a inclinação original de 27% (considerada íngreme demais para tráfego de veículos ou para pedestres), com o objetivo de reduzi-la para 16%.
E a aposta foi ganha, visto o número de carros que não param de tentar percorrê-la e os milhões de turistas que correm para lá todos os anos!
Mas se esta rua tão mediática e conhecida no mundo inteiro atrai tantos curiosos devido à sua surpreendente e desconcertante sinuosidade, ela também é muito apreciada pelo seu caráter atípico e pelo cenário original que desenha um tapete de tijolos vermelhos no chão, oferecendo aos visitantes canteiros de flores e vegetação em cada curva, e revelando uma vista espetacular a partir do topo.

Enfim, o suficiente para fazer a sua cabeça girar de várias maneiras!
E as nossas próprias cabeças não paravam de girar, de tão enfeitiçados que estávamos com os tesouros descobertos desde a manhã!
Aliás, para saborear essas deliciosas lembranças acumuladas durante o primeiro dia, o que há de melhor do que fazer uma pequena pausa relaxante ao pé da <strong>Bay Bridge</strong>, outra ponte extraordinária da cidade que, assim como sua vizinha no noroeste de São Francisco, realmente merece ser apreciada com calma durante um delicioso café!
<h3>4, A Bay Bridge</h3>

Se a sua companheira vermelho-alaranjada é facilmente avistada de longe no meio do "fog" de São Francisco, a Bay Bridge acaba sendo um pouco mais discreta, com sua cor azul-acinzentada que tende a se fundir delicadamente com o céu azul da Califórnia.
Mas passar mais despercebida não significa necessariamente despertar menos interesse, pois com <strong>os seus dois níveis bem distintos e as suas duas pontes superpostas</strong> (cada uma dedicada a um sentido de circulação: o nível inferior para ir a Oakland e o superior para voltar a São Francisco), a Bay Bridge constitui uma verdadeira proeza arquitetônica que merece ser atravessada pelo menos uma vez na vida!
Foi exatamente isso que eu e meu companheiro fizemos para chegar a Oakland após uma travessia de 8 km suspensos no vazio, tornando esta ponte uma das mais longas do mundo e talvez a mais assustadora e espetacular de todas as que já atravessei até hoje!

Portanto, em conclusão, se eu tivesse que dizer algumas palavras em comparação com a Golden Gate Bridge, diria que a Bay Bridge não tem nada do que se envergonhar diante da sua parceira!
Foi assim, saboreando o nosso "caramel macchiato coffee" diante do pôr do sol nesta excecional Bay Bridge, que terminou este primeiro dia rico em emoções e cheio de memórias. E, como para nos dizer boa noite, esta ponte com 25 000 LEDs iluminou-se num clarão de mil e uma luzes, deixando-nos com os olhos brilhando antes de irmos dormir.

<h2>DIA 2</h2>
Se o nosso primeiro dia foi dedicado aos grandes monumentos que fazem de São Francisco uma cidade mítica, desta vez proponho dedicar o segundo dia aos bairros diversificados da metrópole, que também vão conquistar você e surpreendê-lo, pode acreditar na minha palavra!
A começar por <strong>Haight-Ashbury</strong>, o bairro hippie mais popular da cidade.
<h3>1, Haight-Ashbury</h3>

Localizado na interseção das ruas <strong>Haight</strong> e <strong>Ashbury</strong> (daí o seu nome composto atual), foi neste bairro lendário que nasceu o movimento hippie no início dos anos 1960, a época do não conformismo, da despreocupação e do pacifismo, tendo como programa o amor livre, baseados e shows a rodo encabeçados pelos famosos Janis Joplin, Jimi Hendrix ou Jefferson Airplane.
Embora hoje seja uma época que ficou muito para trás, ainda restam no bairro vestígios desse período livre e alternativo, com murais muito coloridos, brechós, estúdios de tatuagem e piercing, lojas de vinil e tudo o que compõe a cultura hippie. Enfim, uma parada obrigatória para os amantes da música e fãs de itens vintage.


Mas se este bairro deve estar entre as suas prioridades durante a sua estadia em São Francisco devido à sua originalidade, devo alertá-lo sobre um ponto. Depois de <strong>Tenderloin</strong>, Haight-Ashbury é considerado o bairro mais perigoso de São Francisco, com seus 7 000 moradores de rua deitados no chão, diante dos quais muitas vezes não sabemos como reagir. Por isso, recomendo evitar a região à noite e planejar a visita para o início do dia.
Igualmente colorido e descontraído, convido você agora a partir à descoberta de <strong>Castro</strong>, O bairro gay de São Francisco, que também é altamente recomendável visitar durante o dia para as almas mais sensíveis...
<h3>2, Castro</h3>
Quartier-general de Harvey Milk, o ardoroso militante da causa homossexual assassinado em "SF" em 1978, apresento-lhes o primeiro bairro gay de São Francisco e um dos primeiros dos Estados Unidos a surgir na década de 1970: Castro. Lá, várias bandeiras arco-íris (o famoso "rainbow flag") aguardam cada viajante em uma sacada, um semáforo, um poste de luz ou uma faixa de pedestres, como para dar as boas-vindas a quem se aventura por ali.

Digo "se aventura" porque é bom não ter medo de nada ao entrar neste bairro, onde é comum dar de cara com alguns "espécimes" praticamente em trajes de Adão e Eva!
Mas não tema: este bairro de belíssimas casas vitorianas, com inúmeras lojas e cafés alinhados nas ruas, é considerado muito seguro, sendo inclusive um dos mais seguros da cidade para fazer compras!
Portanto, não deixe de fazer um desvio por este bairro super agradável e amigável durante o dia, até porque ele esconde várias joias, entre elas o Castro Theatre, uma magnífica sala de cinema em estilo barroco inspirada na arquitetura colonial espanhola, onde você pode assistir a uma sessão por pouco mais de 10 dólares e descobrir um interior suntuoso.

Além disso, você encontrará no bairro, mais precisamente no 3841 18th Street, São Francisco, CA 94114, a famosíssima "Maison bleue adossée à la colline" (A casa azul encostada na colina) cantada pelo francês Maxime Le Forestier em um de seus primeiros sucessos, "San Francisco" (1972). Ela foi colocada à venda no início de 2020 pela módica quantia de 3,5 milhões de dólares (cerca de 3 milhões de euros), e uma placa comemorativa em homenagem ao famoso cantor e à sua canção foi oferecida aos proprietários para lembrar aos americanos por que esta casa é tão importante para nós, franceses.
E então, o que me dizem, caros leitores?
Bem, deixo vocês pensarem nisso enquanto seguimos desta vez rumo a Union Square, onde nos espera uma atmosfera bem mais agitada e vibrante do que neste pacato bairro colorido.
3, Union Square
Se você gosta do fervo das grandes cidades, edifícios, restaurantes, grandes lojas, boutiques chiques e, acima de tudo, se quer provar uma fatia do melhor cheesecake dos Estados Unidos na famosa CheeseCake Factory, sobre a qual você certamente ouviu falar na famosa série americana "The Big Bang Theory", então este é o lugar perfeito para se esbaldar tanto nas compras quanto na gastronomia. Afinal, Union Square é famosa por ser o templo da moda e um dos centros comerciais mais importantes do país!
Portanto, só tenho uma coisa a lhe dizer: "preparem os bolsos e divirtam-se"!
Mas Union Square não se resume a lojas. É também uma grande esplanada em cujo centro ergue-se uma imensa coluna de estilo coríntio de 30 metros de altura, encimada por uma estátua de bronze da deusa da vitória. No inverno, o local ganha uma pista de patinação no gelo e uma grande árvore de natal, assumindo ares de Rockefeller Center em Nova York nas festas de fim de ano!

É também o lugar onde, se tiver vontade, você pode pular entre uma compra e outra em um daqueles bondinhos antigos emblemáticos da cidade (os famosos "cable cars"), que cruzam Union Square regularmente.

Por fim, Union Square também é famosa por abrigar em suas entranhas o primeiro estacionamento subterrâneo do mundo, concluído em 1934!
Portanto, esteja a pé ou de carro, rapazes, vocês não têm desculpa para não convidar a amada para fazer compras neste lugar imperdível e de prestígio em São Francisco!
Pessoalmente, meu companheiro não teve essa paciência, pois aquele bairro fervilhante de pedestres, turistas e homens de negócios o lembrava demais do estresse das grandes cidades europeias. Por isso, ele decidiu contornar rapidamente a grande praça de Union Square de carro e fugir direto para uma atmosfera completamente diferente: Chinatown, onde uma viagem cultural garantida nos aguardava de braços abertos.
4, Chinatown

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Quando eu falava em mudança de ares, não estava mentindo: ao cruzar o grandioso portão de Chinatown, em formato de pagode e localizado na esquina da Bush Street com a Grant Avenue, você realmente tem a impressão de entrar na "Cidade Proibida" e ir parar direto na Ásia!

Aliás, com seus 100.000 habitantes hoje em dia, o Chinatown de São Francisco se tornou o maior bairro chinês do mundo fora da Ásia, oferecendo aos visitantes uma infinidade de lojinhas que vendem ervas medicinais improváveis, vários restaurantes onde você pode testar suas habilidades com os hashis, um mercado, o «Stockon Street Market», , onde você encontrará alguns dos produtos mais frescos e baratos de Chinatown e, finalmente, a Golden Gate Fortune Cookie Factory que, desde 1962, produz «fortune cookies» (biscoitos da sorte), sabe? Aqu aqueles biscoitinhos que escondem mensagens de papel positivas, desde simples ditados de sabedoria até números de loteria (que se revelaram vencedores em casos RARRÍSSIMOS!).

Bom, para constar, a maioria concorda que este pequeno biscoito da felicidade nasceu graças a um japonês chamado Makoto Hagiwara, morador de São Francisco. Ele era jardineiro e projetou o famoso jardim Japanese Tea Garden no Golden Gate Park (outra atração de "SF"). O prefeito da época o demitiu do cargo, mas alguns anos mais tarde, o novo prefeito o reintegrou. Então, para expressar sua gratidão a ele e a todos que o apoiaram durante sua fase difícil, o Sr. Hagiwara criou, em 1914, um biscoito com um bilhete de agradecimento dentro. Em seguida, ele os distribuiu no Japanese Tea Garden e começou a servi-los regularmente. Por fim, eles alcançaram a consagração em 1915, quando foram apresentados na Exposição Panama-Pacific, a Feira Mundial de São Francisco.
Pronto, agora você sabe tudo sobre esse biscoitinho que com certeza todo mundo já comeu pelo menos uma vez na vida, pois com os 60 milhões enviados por mês pelo maior fabricante do mundo, a empresa Wonton Food Inc. de Long Island City, no Queens, é difícil passar longe dessa pequena doçura da felicidade!
Aliás, foi a primeira coisa que fiz questão de comprar durante nossa visita a esse bairro que realmente transporta a gente para a Ásia.
Mas a pergunta que surge logo de cara quando você cruza as portas da mítica «Dragon Gate»:
«O que explica que tantos chineses tenham decidido fazer as malas e vir parar aqui, em São Francisco e, em particular, neste bairro? Como explicar que esta "cidade dentro da cidade" abrigue hoje a maior comunidade chinesa fora da Ásia?».
Bem, a história respondeu às minhas perguntas...
Na década de 1840, uma série de desastres e guerras atingiu a China, gerando fome e rebeliões, e levando consequentemente muitos chineses a fugirem do país.
Mas para onde ir então?
A resposta não demorou a chegar com as primeiras notícias da descoberta de ouro na Califórnia e, especialmente, em São Francisco, que se tornou uma parada óbvia e fundamental para os imigrantes chineses entre 1850 e 1900.
Mas por que Chinatown?
Na verdade, a força de trabalho chinesa logo se tornou uma ameaça para os americanos, que acabaram por excluir esses recém-chegados por meio de leis discriminatórias e regulamentações repressivas. Os chineses se viram, portanto, confinados entre si em áreas da cidade que acabaram se tornando uma "minicity": o nosso famoso Chinatown.
Pronto, o mistério está desvendado sobre este bairro que é, de longe, um dos meus favoritos!
Mas meu coração também balança por outro lugar que me parece perfeito para encerrar com chave de ouro este segundo dia e, por tabela, nossa estadia em São Francisco: caros leitores e leitoras, proponho irmos dar uma paradinha na baía, no "Cais dos pescadores", mais conhecido como «Fisherman’s wharf» e seu famoso «Pier 39».
5, «Fisherman’s wharf» e o «Pier 39».

Se Chinatown nos transportou para terras distantes, aqui você vai mergulhar em um universo completamente diferente, onde vai se surpreender de cara ao dar de cara com centenas e centenas de lobos-marinhos (mais de 900 no total) que se tornaram as estrelas do lugar, tanto que ganharam o apelido de «Sea Lebrities»!

Mas este bairro também é um lugar excepcional e um tanto desconcertante, pois a gente não espera encontrar pescadores e acompanhar o dia a dia deles ao vivo em uma cidade urbana e moderna como São Francisco! Aliás, se você quiser provar frutos do mar ou caranguejos pescados na hora por eles, este é O lugar perfeito para isso!
Por fim, esse bairro emblemático da cidade, repleto de lojinhas, atrações de parque de diversões e museus, é também um lugar onde a gente sente um frio na barriga ao avistar ao longe a antiga prisão de Alcatraz, a penitenciária de segurança máxima mais famosa do mundo, "aquela de onde ninguém foge", , para a qual você pode pegar uma balsa. É também um lugar onde você pode se consolar sabendo que vai saborear um autêntico chocolate da Ghirardelli, que nasceu bem aqui em São Francisco.


Assim, entre biscoitos da sorte e chocolates Ghirardelli, é bem provável que a sua balança reclame na sua volta dos Estados Unidos, sabendo que, assim como eu, você muito provavelmente vai se render aos deliciosos hambúrgueres servidos pelos restaurantes dessa metrópole famosa por sua gastronomia inovadora e refinada!
Mas esqueça a preocupação com as calorias consumidas: o mais importante é ter tido a oportunidade de conhecer essa cidade que a gente ama ou odeia logo de cara, de acordo com as opiniões bem divididas dos turistas.
No meu caso, eu me apaixonei por São Francisco, essa metrópole anticonformista, super rebelde, com um charme louco e uma qualidade de vida sem igual, pela qual eu daria tudo para voltar!
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