Beverly Hills: o sonho californiano entre palmeiras e ostentação
São 9h da manhã na Rodeo Drive. As vitrines da Chanel e da Louis Vuitton já brilham sob o sol californiano, mas as calçadas continuam estranhamente calmas. Um homem de terno impecável sai de um Tesla preto com um café na mão. Uma mulher passeia com dois poodles minúsculos, com óculos de sol maiores do que o próprio rosto. Bem-vindo ao 90210, o código postal mais famoso do mundo.
Beverly Hills: para quem, verdadeiramente?
Se você sonha em cruzar com Leonardo DiCaprio fazendo compras ou jantar ao lado de Kim Kardashian, corre o risco de se decepcionar. As celebridades se escondem atrás de seus portões e de suas cercas impenetráveis. O que você vai ver, em contrapartida, é a expressão mais descomplexada do luxo americano: carros esportivos estacionados em fila dupla, lojas onde uma camiseta custa o preço de vários salários mínimos e hotéis onde a diária supera o orçamento de férias de muitas famílias.
A região atrai quem gosta de arquitetura residencial espetacular, curte compras de alto padrão e quer observar um estilo de vida completamente fora da realidade comum. Por outro lado, se você procura a Califórnia descontraída dos surfistas e dos food trucks, siga direto para Venice Beach.
Dica de amigo: reserve no máximo meio período para Beverly Hills se você não for obcecado por compras de luxo. A parte comercial é fácil de explorar a pé, mas um carro se torna indispensável para subir as colinas residenciais.
Um orçamento que assusta
Os preços praticados em Beverly Hills desafiam o bom senso. Espere gastar de 300 a 800 dólares (cerca de 1.700 a 4.500 reais) por noite em um hotel intermediário, de 25 a 50 dólares (cerca de 140 a 280 reais) em um almoço simples e pelo menos 100 dólares por pessoa (cerca de 560 reais) em um jantar em restaurante renomado. Até o estacionamento custa entre 5 e 20 dólares por hora (cerca de 28 a 110 reais), dependendo da zona.
Golden Triangle: o coração pulsante da cidade
O triângulo formado pelo Santa Monica Boulevard, pelo Wilshire Boulevard e pela Crescent Drive concentra a maior parte da atividade comercial. Foi aqui que Julia Roberts fez compras em Uma Linda Mulher, e a atmosfera não mudou muito desde então.
A Rodeo Drive continua sendo a grande estrela. São três quarteirões de lojas de grife onde o simples ato de entrar pode intimidar. Mas, ao contrário do que se pensa, os vendedores costumam receber bem os visitantes, mesmo aqueles que não pretendem comprar. A área exclusivamente para pedestres chamada Two Rodeo imita uma ruela europeia com paralelepípedos e postes de ferro forjado.
Para uma pausa mais acessível, caminhe até a Beverly Drive. As marcas ainda são caras, mas em um patamar menos estratosférico, e os cafés são ótimos para observar o movimento dos moradores entre um compromisso e outro.
As colinas: onde moram as celebridades
Ao norte do Sunset Boulevard, a paisagem muda radicalmente. As ruas serpenteiam pelas Santa Monica Mountains, ladeadas por propriedades com portões imponentes. Há passeios guiados focados em mansões de famosos que oferecem tours de ônibus, de bicicleta ou até de helicóptero.
Na minha opinião, esses passeios costumam ser decepcionantes. Você só vê muros altos, câmeras de segurança e, no máximo, um pedaço de telhado. Se quiser fazer isso mesmo assim, prefira grupos menores em SUVs do que os grandes ônibus lotados.
A Mulholland Drive oferece uma alternativa gratuita e muito mais interessante. Essa estrada sinuosa de 33 quilômetros atravessa as colinas de Hollywood até a costa. Vários mirantes permitem avistar o letreiro de Hollywood, o vale de San Fernando e, em dias claros, o oceano Pacífico. O pôr do sol visto do Jerome C. Daniel Overlook é particularmente marcante.
As joias escondidas
A Greystone Mansion merece totalmente a visita. Esse casarão de 55 cômodos, construído em 1928 para o filho de um magnata do petróleo, serviu de cenário para dezenas de filmes, de Homem-Aranha a O Grande Lebowski. O interior raramente abre para visitação, mas os jardins em estilo inglês têm entrada gratuita. A história do lugar chama a atenção: em 1929, o proprietário foi encontrado morto em um dos quartos de hóspedes em circunstâncias nunca esclarecidas.
Os Virginia Robinson Gardens formam a primeira propriedade de luxo construída em Beverly Hills, em 1911. Fred Astaire e Charlie Chaplin frequentavam o local. Hoje, os jardins botânicos podem ser visitados mediante reserva por 15 dólares (cerca de 85 reais), revelando coleções de plantas tropicais, mediterrâneas e um lindo roseiral.
Dica de amigo: a Spadena House, conhecida como a casa da bruxa, fica no número 516 da Walden Drive. Essa construção torta e fantasiosa, erguida em 1921 para estúdios de cinema, rende ótimas fotos em meio às vilas clássicas. É uma propriedade privada e não aceita visitas por dentro, mas vale a pena conferir da calçada.
Beverly Gardens Park
Este parque linear de três quilômetros acompanha o Santa Monica Boulevard e abriga a famosa placa de Beverly Hills onde todo mundo quer garantir uma foto. O espaço também esconde um jardim de rosas, um cactário e um dos ficus mais antigos do país. Os moradores frequentam o local para correr cedinho, mantendo um clima tranquilo apesar da proximidade com o comércio de luxo.
A cena cultural
O Wallis Annenberg Center for the Performing Arts ocupa a antiga agência dos correios de Beverly Hills, um prédio em estilo renascentista italiano de 1933. A programação mistura dança contemporânea, teatro e concertos em uma sala com 500 lugares. Os afrescos restaurados do antigo prédio público já compensam a visita.
Quem gosta de arte contemporânea deve seguir para o Mr. Brainwash Art Museum, instalado em um edifício projetado por Richard Meier. O artista de rua Thierry Guetta expõe ali suas obras pop coloridas. Mais reservada, a Frederick R. Weisman Art Foundation, no bairro vizinho de Holmby Hills, exibe sob reserva um acervo particular impressionante com obras de Picasso, Kandinsky e Warhol.
Onde comer e beber em Beverly Hills?
A gastronomia local oscila entre restaurantes de chefs consagrados com jantares caríssimos e endereços mais tradicionais que resistiram à especulação imobiliária. O Spago, principal empreendimento de Wolfgang Puck, dita o ritmo da culinária californiana inventiva desde 1992. A pizza de salmão defumado com caviar servida ali é um clássico absoluto.
Para uma relação melhor entre qualidade e preço, o Il Pastaio serve massas frescas caseiras em uma trattoria animada. Justin Bieber tem até um prato com seu nome por lá, o paccheri com molho rosé de vodca. No almoço dos dias úteis, o terraço ferve com moradores locais em reuniões de negócios.
O Nate 'n Al's, aberto desde 1945, prepara os clássicos da culinária judaica de Nova York, como sopa com bolinhos de matzá, pastrami e corned beef. Larry King tinha sua mesa reservada ali. O clima retrô contrasta com o restante do bairro. Para queijos e sanduíches caprichados, a The Cheese Store of Beverly Hills reúne mais de 500 variedades e monta opções para viagem.
Dica de amigo: o Polo Lounge, no Beverly Hills Hotel, permite vivenciar a atmosfera da Hollywood de antigamente sem precisar se hospedar lá. Reserve uma mesa para o brunch ou para um coquetel no terraço arborizado.
Onde ficar em Beverly Hills e arredores?
O Beverly Hills Hotel, apelidado de Pink Palace, hospeda celebridades desde 1912. Marilyn Monroe e John Lennon já passaram por lá. As diárias começam em torno de 700 dólares (cerca de 3.900 reais). O Beverly Wilshire, eternizado por Uma Linda Mulher, pratica tarifas parecidas com uma proposta mais urbana.
Viajantes com orçamento mais controlado encontram boas opções em West Hollywood, bem perto de Beverly Hills, onde hotéis intermediários oferecem melhor custo-benefício. O Maison 140 tem quartos a partir de 200 dólares (cerca de 1.100 reais) com decoração parisiense irreverente. O Avalon Hotel, antigo refúgio de Marilyn Monroe, mantém uma piscina marcante e preços mais convidativos do que os vizinhos luxuosos.
Como chegar e se locomover em Beverly Hills?
O aeroporto LAX fica a uma distância que varia de 25 a 45 minutos dependendo do trânsito, que pode complicar bastante nos horários de pico. Uma corrida de táxi ou aplicativo custa entre 50 e 80 dólares (cerca de 280 a 450 reais). Pelo aeroporto de Burbank, menor e mais tranquilo, o trajeto leva cerca de 30 minutos.
A expansão da Linha Roxa do metrô agora atende Beverly Hills, facilitando o deslocamento até o centro de Los Angeles. Porém, para explorar a cidade e as colinas com liberdade, alugar um carro continua sendo essencial. É fácil estacionar nos bolsões municipais ao redor do Golden Triangle.
Partindo de San Francisco, espere cerca de 6 horas de viagem pela costa ou 5 horas pelo interior. Um voo doméstico dura cerca de 1h20. Para quem sai do Brasil, os voos para Los Angeles exigem conexão (geralmente nos Estados Unidos ou no Panamá) e duram em torno de 14 horas de viagem no total.
Quando ir?
O clima mediterrâneo de Beverly Hills convida a passeios agradáveis o ano todo. O verão é quente e seco, com termômetros na faixa dos 28°C, enquanto o inverno se mantém ameno, oscilando entre 10°C e 20°C. A primavera e o outono oferecem as melhores condições, com menor fluxo de turistas e temperaturas muito agradáveis. Evite, se possível, a semana da entrega do Oscar em março, período em que os hotéis lotam rapidamente e as tarifas disparam.
Bairro chique, Beverly Hills se revela através de suas magníficas vilas e lojas de luxo na Rodeo Drive. Entre Saint Laurent, Gucci, Chanel, é um lugar bacana para ver a vitrine. Difícil comprar qualquer coisa com aqueles preços, mas curti a atmosfera chique e descontraída do lugar. Também é um bom pico para fotos de lembrança, principalmente em frente à placa de Beverly Hills e seu lago de nenúfares encantador. Vale a pena ir no comecinho da manhã para fugir dos grupos de turistas. Cerca de uma hora por lá é suficiente na minha opinião.