As Arenas de Arles: um colosso romano no coração da Provença
Dois milênios após sua construção, o anfiteatro de Arles continua a dominar a cidade com seus 21 metros de altura. Suas 120 arcadas de pedra dourada testemunham uma época em que a pequena Roma gaulesa rivalizava com as maiores cidades do Império. Esse gigante de pedra sobreviveu a invasões, transformações e séculos para se tornar hoje o monumento mais visitado de Arles.
Por que o anfiteatro de Arles merece a visita
Edificado em 90 d.C. sob o reinado do imperador Domiciano, esse anfiteatro encarnava o poder da colônia romana de Arelate. Com suas dimensões impressionantes de 136 metros por 107 metros, ele supera até o de Nîmes e ocupa a vigésima posição mundial entre os anfiteatros romanos. Inspirado no Coliseu de Roma, concluído dez anos antes, sua concepção permitia receber até 21.000 espectadores distribuídos em dois níveis de arquibancadas.
Sua inscrição no patrimônio mundial da UNESCO em 1981 consagra sua importância arquitetônica excepcional. O edifício atesta a genialidade romana com seu sistema engenhoso de galerias, escadas e passagens que permitiam a circulação fluida das multidões.
Uma arquitetura que conta mil histórias
Os segredos da construção romana
A fachada elíptica exibe 60 arcadas em dois níveis. O primeiro andar, sóbrio, adota a ordem dórica, enquanto o segundo ostenta colunas coríntias com capitéis ornados com folhas de acanto. Essa dualidade refletia a hierarquia social romana. As galerias subterrâneas, recentemente restauradas e abertas ao público, revelam os bastidores dos espetáculos antigos.
Sob a arena, um piso de madeira hoje desaparecido ocultava a maquinaria, as jaulas das feras e os bastidores onde os gladiadores se preparavam. Esses espaços técnicos revelam a sofisticação das encenações romanas.
As torres medievais, cicatrizes da história
No século V, o anfiteatro se transforma em fortaleza. Torres de vigia são erguidas, e mais de 200 casas invadem progressivamente as arquibancadas, transformando o edifício em uma vila fortificada com suas duas capelas. Essa ocupação medieval, embora destrutiva, contribuiu paradoxalmente para a preservação da estrutura. Os restauradores do século XIX escolheram sabiamente conservar essas torres medievais, dando ao monumento seu perfil único atual.
Viver a experiência das arenas hoje
O anfiteatro não é apenas um museu a céu aberto. Ele vibra no ritmo dos espetáculos contemporâneos e perpetua sua função original de local de encontro popular:
- As ferias de Arles: a feria de Páscoa e a feria do Arroz atraem mais de 500.000 espectadores todos os anos
- Reconstituições históricas: combates de gladiadores com equipamentos autênticos durante as férias escolares
- Concertos e espetáculos: a acústica natural da arena recebe eventos musicais de abril a setembro
- Corridas camarquesas: tradição provençal onde a agilidade dos raseteurs desafia os touros de Camargue
A dica de amigo: suba até as arquibancadas superiores no fim da tarde. A luz dourada do sol poente incendeia a pedra loira das arcadas e oferece uma vista panorâmica excepcional sobre os telhados de Arles e o vale do Ródano. Você vai entender por que Van Gogh se apaixonou por esta cidade.
Explorar os novos subterrâneos
As galerias subterrâneas restauradas finalmente podem ser visitadas. Essas passagens labirínticas abrigavam antigamente enfermaria e necrotério, atestando a violência dos espetáculos. Cerca de dez alcovas serviam de jaulas para as feras. Essa imersão nas entranhas do anfiteatro completa maravilhosamente a visita e faz reviver a atmosfera elétrica dos jogos antigos.
Horários
*Informações sujeitas a variação
Embora eu não tenha me apaixonado pela cidade de Arles em si, que achei meio suja, as arenas valem a visita. Esse monumento bem no centro é super bem preservado e contrasta na paisagem. A visita é muito interessante e oferece uma vista bonita dos arredores.