Como muitas crianças, eu costumava brincar de vikings atacando cidades francesas em seus ataques com os drakkars, aterrorizando as populações. Pois bem, talvez em um espírito de revanche, fui eu quem quis pisar em suas terras, mais especificamente em Estocolmo, a capital sueca. Mas sem nenhum espírito belicoso!

Como chegar
Partindo no início de junho para passar uma semana, tive a sorte de escapar do fluxo massivo de turistas. Na verdade, a temporada começa de fato no fim de junho e vai até meados de agosto.
Embarquei no aeroporto de Roissy Charles-de-Gaulle pela companhia Scandinavian Airlines SAS com destino a Estocolmo. O voo durou apenas duas horas e meia, o que passou bem rápido. Fique atento na hora de reservar: havia voos pelo mesmo preço (ou até mais caros) com duração de quatro horas... Acredito que você evite esses problemas ao viajar com uma agência de turismo, mas eu decidi montar a minha própria viagem por conta própria.
Portanto, reservei um hotel três estrelas em Estocolmo mesmo, que estava com ofertas interessantes por estar liquidando os últimos quartos do período. Na verdade, foi a publicidade do hotel e a minha reserva que me fizeram escolher a Suécia como destino. Aqui está um comparativo para ajudar você a escolher sua hospedagem em Estocolmo.
Informações práticas
Moeda
Embora a Suécia faça parte da União Europeia desde 1995, o país vem adiando sistematicamente sua entrada na união econômica e monetária europeia. Por isso, a moeda continua sendo a coroa sueca (SEK) ou Krona. Cada coroa é dividida em 100 öre.
Não há problemas com cartões de crédito por lá, eles são aceitos em todo lugar. No meu caso, consegui negociar com o meu banco para que as taxas de transações internacionais fossem isentas. Com isso, não precisei trocar dinheiro em espécie, pagando tudo com o cartão.
Vacinação
Nenhum problema por aqui: nenhuma vacina específica é necessária, ao contrário do que se poderia esperar.
Transportes em Estocolmo
A cidade oferece uma rede enorme de metrô, bondes, trens, ônibus... e barcos! Estes últimos fazem parte do transporte público porque a cidade é formada por várias ilhas. A rede é gerida pela "Storstockholms Lokaltrafik AB" ou SL (você verá essa sigla em todo lugar).
Os transportes são limpos: os ônibus, por exemplo, rodam a etanol.
Como as passagens individuais são bem caras, recomendo comprar passes de vários dias ou talões de bilhetes para economizar.
No metrô, se você pedir informações, saiba que os suecos se referem às linhas pelas cores, e não por números.
Os bilhetes podem ser comprados na entrada das estações de metrô ou nos ônibus. Algumas lojas também vendem, identificadas por um adesivo da SL.
Mas, é claro, a Suécia também é o país da bicicleta! As ciclovias são numerosas e tudo é feito para facilitar a vida dos ciclistas. Leva um tempinho para se acostumar com a sinalização e se orientar, mas a gente acaba pegando o jeito. Se preferir, sempre há a opção de táxi...
Respeito ao meio ambiente
Muito avançados nessa área, os suecos já adotaram hábitos ecológicos há algum tempo. Portanto, faça o mesmo e pegue bons costumes: não jogue nada na rua e lembre-se de separar o lixo. Os espaços verdes da capital, como a ilha de , são cuidadosamente preservados.
Clima
Se, assim como eu, você imaginava que faz frio o ano todo na Suécia, vai se surpreender positivamente ao visitar o país no verão. A primeira semana de junho foi agradável (em torno de 20 °C em média), o que reflete o clima da estação. Na verdade, as temperaturas sobem ainda mais em julho e agosto. Então, não exagere nos casacos, traga apenas algo mais agasalhado para as noites ou para os passeios de barco.
Outro ponto que adorei: no início de junho, os dias são super longos. Ainda dá para ver a luz do dia às 22h... E ela volta a dar as caras antes das 4h da manhã. Por outro lado, dizem que no inverno a noite começa a cair antes das 15h.
Relato da viagem
Bem, devo confessar que não exercitei muito o meu espírito aventureiro e acabei confiando bastante no que li em guias de viagem e na internet.
A Cidade Velha de Estocolmo
Pela cidade (que me lembrou um pouco o que vi em um fim de semana em Viena, especialmente pelas grandes fachadas coloridas), comecei cruzando uma das muitas pontes que ligam as ilhas para chegar à cidade velha, que os suecos chamam de "Gamla Stan".
![]()
Ainda há muitas ruelas sinuosas por lá, caminhamos por ruas de paralelepípedos e nos maravilhamos com a mistura de estilos arquitetônicos antigos e nobres, herança do período dos primeiros habitantes germânicos. É realmente a sensação de mergulhar de volta na Idade Média. Para você ter uma boa ideia e uma visão geral, sugiro uma vista aérea (não fui eu que tirei!):
E, é claro, você não pode ir até lá sem ver o Palácio Real, imponente como um bloco maciço à beira da água, nas margens do lago Mälaren (Malär em sueco). Embora continue sendo a residência oficial da monarquia, o rei e sua família já não moram lá, razão pela qual hoje é possível visitar parte do local, especialmente os apartamentos reais. Perto da capela real, a Sala do Tesouro exibe as coroas, cetros e outros atributos da família real. No subsolo, um museu mostra as muralhas da antiga fortaleza erguida ali antigamente. Imperdível: a troca da guarda às 12h15 em junho (convém verificar as datas, pois os horários e a organização podem mudar).
![]()
Precedidos por uma fanfarra e por uma tropa a cavalo, os soldados, vestidos de azul na fanfarra e de cinza na tropa, todos com capacetes prateados (um pouco no estilo dos capacetes prussianos), trocam o comando na praça, cercados por canhões. É bem legal de ver e vale sempre a pena dar uma olhada. Em todo caso, eles não ficam devendo nada à guarda real britânica!
Também com vista para o lago Mälaren, a prefeitura (Stadshuset), que você reconhecerá facilmente por seu campanário e tijolos vermelhos, é famosa por seu salão de recepção, onde é feita a entrega do Prêmio Nobel.
E já que estamos falando do Prêmio Nobel, siga em direção à praça principal, com suas lojas e lojinhas de souvenirs. Depois de encontrar o que procura, vale a pena dar uma olhada na Academia Real, cuja fachada me lembrou muito (mais uma vez!) os edifícios vienenses. É por trás dessas paredes que se reúne o comitê do Nobel responsável por escolher o laureado na categoria de literatura.
Há também um museu do Nobel no térreo do edifício. Mas eu não tive a oportunidade de visitá-lo, então não poderei falar mais sobre ele.
Quanto ao resto, deixo você flanar, um pouco como nós fizemos: há tantas igrejas, estátuas e fachadas para ver que basta caminhar um pouco para encontrar algo interessante para olhar, fotografar e visitar.
A ilha de Djurgården, a verde

Evidentemente, você deve se dar ao luxo de um pequeno passeio até o primeiro museu ao ar livre do mundo: o Skansen, na ilha de Djurgården (a poucos minutos do centro da cidade). Criado no final do século XIX, este museu oferece uma visão panorâmica da Suécia com suas casas tradicionais, oficinas de artesanato, um zoológico com alces e renas, jardins, um correio (em pleno funcionamento) e também casas Sami (povo indígena que vivia na Lapônia), entre outros. É um parque enorme onde você certamente encontrará algo do seu agrado: há até um museu sobre tabaco e fósforos! Se você sentir fome ou sede, não terá o menor problema em encontrar uma lojinha para comer algo.
Sem planejar, tive a sorte de estar na Suécia durante a festa nacional, que acontece em 6 de junho e comemora o fim da dominação dinamarquesa. À noitinha, o parque de Skansen se transforma em um local de festividades onde todos os habitantes de Estocolmo se reunem para dançar e cantar. Havia até grupos folclóricos que faziam o maior sucesso entre todas as gerações. Por outro lado, embora seja difícil encontrar bebidas destiladas fortes na Suécia (é preciso ir a lojas estatais especializadas), a maioria dos suecos presentes parecia já ter começado a beber, e muito, em casa... Resultado: quando aqueles grandalhões um pouco embriagados começam a andar cambaleando e vêm na sua direção falando alto, chegou um momento em que meus 1,80 m e eu decidimos voltar prudentemente para o hotel...
Ao que parece, a política rigorosa sobre o álcool não é de hoje, e os suecos costumam beber bastante quando celebram. É sempre bom saber disso, especialmente à noite quando se sai. No entanto, tirando essa noite que lembra um pouco o que acontece em Paris na chegada do Beaujolais Nouveau, por exemplo, não me senti inseguro nas ruas da capital sueca.
Birka e os vikings
Todas essas imersões no tempo e na história do país nos convenceram a fazer um passeio até a ilha de Birka, no lago Mälaren (de novo ele, veja o Gamla Stan mais acima), onde ficava um antigo entreposto comercial viking. Hoje, o local abriga museus e oferece visitas guiadas aos sítios históricos. Um folheto na recepção do hotel oferecia cruzeiros de ferry de um dia inteiro, incluindo a visita ao museu e ao cemitério viking, tudo por cerca de 260 SEK.
Outras versões existiam sem as visitas guiadas, mas queríamos nos dar esse agrado e aprender um pouco mais, então decidimos nos render ao pacote "all inclusive". Não nos arrependemos da escolha, eu recomendo muito, especialmente se você se interessa um pouco por história. Fique atento, no entanto, aos horários de funcionamento dos museus: amigos que foram para lá recentemente nos disseram que as visitas só começam a partir do fim de junho. É bom verificar antes de viajar, para os interessados.
Södermalm, a descolada
Depois dessas visitas um pouco mais históricas, também aproveitamos o bairro de Södermalm. Trata-se da ilha que margeia o centro da cidade pelo sul, com uma colina que corre ao longo da margem, onde, aliás, estão ancorados alguns barcos transformados em restaurantes ou hotéis.
Bairro descolado de Estocolmo, é muito frequentado, principalmente à noite. Vale dizer que por lá encontramos bares super badalados e lojas tomadas de assalto pela juventude dourada, mas também por jovens com uma pegada mais "bobo" (burguês-boêmio). Também dá para se cultuar visitando o museu municipal gratuito (Stockholms Stadsmuseum), que apresenta várias exposições que recontam a evolução da cidade.
Sigtuna, a vila mais antiga da Suécia
Para continuar, pegamos o trem e depois o ônibus para ir a cerca de quarenta quilômetros de Estocolmo, até a charmosa vila de Sigtuna. Historicamente muito rica, é a vila mais antiga da Suécia, fundada há mais de mil anos.
Muitos vestígios de runas e ruínas antigas podem ser vistos por toda parte, especialmente igrejas (havia sete delas na Idade Média). Também há museus para descobrir no local.
Quanto ao resto da visita, devo reconhecer que não havia muita coisa interessante, ou melhor, muito nova nessa vila. Para continuar, quisemos comer em um restaurante que parecia bem chique, mas os preços também eram... Apesar disso, mais uma vez, a mudança de ares é garantida. Voltamos para Estocolmo, onde finalmente encerramos nossa estadia limitando os deslocamentos, pois, afinal de contas, a vida não é nada barata por lá e, se a gente não tomar um pouco de cuidado, o orçamento das férias sofre um baque!
Últimos dias
Para o resto dos passeios, você sempre terá a possibilidade de caminhar por um dos inúmeros parques da cidade: Estocolmo é realmente uma cidade "verde". Todos os parques são muito frequentados pelos moradores, especialmente por jovens papais com seus carrinhos de bebê ou crianças pequenas pela mão. Não é um mito: a igualdade de gênero é realmente uma realidade estabelecida neste país, muito mais avançada do que no nosso velho país... Os pais dividem de maneira igualitária as tarefas domésticas e a educação dos filhos. Vamos nos inspirar nisso!
Para concluir, acho que, além de Estocolmo, ainda há coisas lindas para ver, especialmente nos arredores de Gotemburgo ou em direção ao centro do país. Agora é só ir, como dizem!
Comentários (0)
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!