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Fuga fora do comum na Serra do Caldeirão

Traduzido do francês — Ver o original em francês

No sul de Portugal, entre o <strong>Alentejo</strong> e o <strong>Algarve</strong>, fica a <strong>Serra do Caldeirão</strong>.
Ela deve seu nome à sua aparência: a partir dos pontos mais altos, a vista lembra um caldeirão fervendo.

<h2>Como chegar</h2> <p>Um lugar mágico por excelência, ainda longe dos roteiros turísticos e, ao mesmo tempo, a dois passos do agito do <strong>Algarve</strong>. É preciso ter uma boa dose de paciência e humildade para encontrar o caminho nesse labirinto de trilhas.
Há apenas algumas estradas asfaltadas, razoavelmente bem sinalizadas, que cruzвают a região: de norte a sul, a estrada de <strong>Almodôvar</strong> (distrito de <strong>Beja</strong>) em direção a <strong>Salir</strong>; de leste a oeste, a de <strong>São Barnabé</strong> em direção a <strong>São Marcos da Serra</strong>; e a rodovia A2, embora não haja nenhuma saída entre Almodôvar e a costa algarvia. O mais interessante é sair do asfalto para se aventurar por essas estradinhas. Depois disso, há pouca ou nenhuma sinalização nos cruzamentos. Os mapas convencionais não cobrem a área, e duvido que o GPS seja de grande utilidade.</p> <h2>Uma natureza magnífica e ainda preservada</h2> <p><img alt="Flor da Serra do Caldeirão" src="/Avygeo/uploads/185/articles/thumb_pic_5516c1ed320a0.jpg" style="float:left; height:187px; width:250px"/>Mas que espetáculo a cada curva; cada vale é diferente. A fauna e a flora continuam preservadas, e a vista de toda a costa do <strong>Algarve</strong> é deslumbrante. Em algumas manhãs, a neblina cobre todos os vales, dando a impressão de estar com os pés em uma ilha.</p> <p>Embora muito quente e seco no verão, o inverno e a primavera trazem chuva suficiente para permitir que essa natureza sobreviva durante os meses de seca. Os principais rios continuam fluindo, alimentados por milhares de nascentes, naturais ou cavadas pelo homem, , cada uma mais bonita que a outra. Cada período chuvoso vem acompanhado de um raio de sol, permitindo que a natureza floresça.</p> <p>A primavera é a oportunidade de descobrir tapetes de flores coloridas a perder de vista. O verão assume os ares e os aromas do matagal corso. O cenário é composto principalmente por sobreiros, mas também encontramos muitos medronheiros, estevas, urzes, alecrins e oliveiras centenárias... tudo o que se espera de um clima mediterrâneo.</p> <p>O "caldeirão" domina toda a região ao redor: ao norte, <strong>a planície do Alentejo</strong>; ao sul, <strong>a costa do Algarve</strong>; a leste, <strong>a planície espanhola</strong>; e a oeste, <strong>a costa atlântica</strong>. O horizonte está ao alcance das mãos, em trezentos e sessenta graus. Ali, assiste-se a amanheceres e entardeceres de uma beleza pura e, menos conhecidos, os nascentes da lua também são deslumbrantes. Se passar o dia por lá já é maravilhoso, as noites são mágicas.
Como a área é pouco habitada e, portanto, tem pouca iluminação, a ausência de poluição luminosa permite VER o céu de verdade. Você tem a impressão de estar bem no meio desse céu estrelado, imerso na Via Láctea, e é possível, com um pouco de paciência, contar as estrelas, todas elas.</p> <h2>Uma região carregada de história</h2> <p>Embora a natureza da região tenha mudado pouco ao longo dos séculos, diferentes povos passaram por ali e deixaram suas marcas, ainda visíveis hoje. Na região, foram encontradas as escritas mais antigas conhecidas da Península Ibérica, gravadas em uma pedra. Elas estão expostas, junto com outras descobertas, no <strong>museu da escrita em Almodôvar</strong> e datam do século VII ao V a.C. Também é possível encontrar muitos <strong>dólmens e menires</strong>, herança de um passado celta. Há ainda alguns <strong>túmulos antigos</strong> (tumulus); embora muitos não estejam em bom estado, alguns no Algarve foram reconstruídos em seu estado original, com o topo coberto de quartzo branco.</p> <p>Também encontramos algumas casas redondas com telhado de palha, onde quase esperamos ver um druida saindo. Elas já não são usadas como moradias, mas sim como abrigos para animais ou para armazenar feno. Muitas estão em ruínas, mas algumas continuam bem conservadas, e há quem ainda conheça os segredos para construir seus telhados. Além dos celtas, romanos e mouros passaram por ali, deixando também as suas marcas. Com o tempo, esse patrimônio vai desaparecendo; como no <strong>Castro da Cola</strong>, onde uma mesquita foi desmontada para dar lugar à construção de uma igreja. Esse sítio também abriga as ruínas de uma fortificação muito antiga, cujas origens não são totalmente claras, mas que podem datar da época celta. Bem ao lado, há um restaurante onde se come muito bem e a recepção é calorosa; os proprietários adoram falar sobre "seu" castelo e sua história. Outra fortificação antiga, perto de <strong>Santa Clara-a-Nova</strong>, são as Mesas do Castelinho: extremamente antigas, onde escavações arqueológicas acontecem todos os anos...</p> <p>Também é possível encontrar na região algumas pontes romanas em perfeito estado e trechos de antigas calçadas romanas, além de muitas lendas antigas que atravessam os tempos.</p> <h2>Onde comer</h2>

As belas praias do sul de Portugal não estão longeToda a região é bem servida tanto de restaurantes quanto de opções de hospedagem. Alguns cafés nos vilarejos menores também servem refeições. Nem sempre isso está escrito na porta, então vale a pena perguntar. Em geral, é uma culinária caseira e local: rica em calorias e farta; em alguns dias o cardápio tem javali, que é bastante comum na região. Os pratos são frequentemente à base de carnes, embutidos e, às vezes, excelentes saladas de tomate. Para comer um bom peixe, é preciso ir mais perto da costa. Também é possível encontrar algumas acomodações com cozinha equipada, caso a dieta local não agrade.

Para os amantes da natureza, caçadores de tesouros, observadores de estrelas ou simplesmente para quem quer descobrir uma bela montanha, longe de tudo, vá para a Serra do Caldeirão, em Portugal. É um lugar para ser visto e, acima de tudo, vivido.

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