Visitar Chiang Mai, lá onde a Tailândia enfim desacelera
O cheiro de incenso dos templos se mistura com os aromas de comida de rua grelhando nas esquinas. Monges com mantas cor de açafrão desfilam descalços diante de cafeterias descoladas onde nômades digitais teclam em seus MacBooks.
Aqui, nesta cidade no norte tailandês aninhada a 700 metros de altitude, o tempo parece passar de outro jeito. Nada de arranha-céus gigantescos como em Bangkok, nada de praias lotadas como em Phuket. Apenas uma cidade milenar cercada por fossos e montanhas nevoentas, onde mais de 300 templos dourados pontuam um cotidiano que oscila entre a tradição lanna e a modernidade zen.
O refúgio dos contemplativos e curiosos
Este destino atrai um perfil bem específico. Se você busca festa sem parar e praias paradisíacas, errou o endereço. Em compensação, os fãs de cultura budista, trilhas na montanha, culinária autêntica e ritmo sossegado vão se apaixonar. A cidade agrada muito às famílias por causa do clima seguro e das atividades variadas, além dos viajantes solo que curtem a comunidade de expatriados e a facilidade para fazer amizades.
No quesito orçamento, espere gastar 1.000 a 1.700 THB por dia (cerca de 160 a 275 reais) para viver com conforto, ou 500 a 700 THB (cerca de 80 a 115 reais) no estilo mochileiro. Não precisa de carro na cidade, a lambreta reina absoluta e os songthaews (picapes vermelhas transformadas em táxi coletivo) rodam por todo canto por pouquíssimos bahts. O ritmo? Lento, quase meditativo de dia, animado mas nunca frenético à noite. Três dias bastam para um panorama geral, enquanto uma semana permite mergulhar de verdade no clima.
A cidade velha: concentração de templos e autenticidade
O coração histórico se desenha em um quadrado perfeito de 1,5 km de lado, cercado por fossos e restos de muralhas. Essa concentração geográfica facilita os passeios a pé ou de bicicleta. O Wat Phra Singh, templo real do século XIV, impressiona com seu chedi dourado e seu salão de ordenação com pinturas murais muito bem preservadas. Logo ao lado, o Wat Chedi Luang abriga um chedi parcialmente destruído por um terremoto em 1545, o que lhe dá um charme de ruína romântica.
As ruelas entre os templos transbordam lojinhas, pousadas familiares e restaurantes simples onde os moradores comem. No domingo, a Walking Street transforma a Ratchadamnoen Road em um imenso calçadão a partir das 17h: artesanato local, roupas, bijoux e comida de rua em cada esquina. O ambiente é leve, com preços justos se você negociar com simpatia.
A dica de amigo: alugue uma bicicleta em uma das muitas lojas por 50 a 100 bahts (cerca de 8 a 16 reais) a diária. A cidade velha é plana e ótima para pedalar, permitindo emendar seis ou sete templos na mesma manhã antes que o calor fique insuportável.
Nimman: o bairro descolado dos criativos
A noroeste da cidade velha fica Nimmanhaemin, apelidada carinhosamente de Nimman pelos locais. Este bairro hipster concentra cafeterias de design, butiques criativas, restaurantes fusion e arte urbana colorida. Os sois (ruelas) numerados que partem da Nimman Road escondem seus tesouros: o soi 1 para bares de coquetéis, o soi 3 para cafés fotogênicos, o soi 17 para a cena gastronômica inovadora.
O gigantesco shopping Maya Lifestyle domina a área com suas lojas internacionais e uma praça de alimentação no último andar com vista panorâmica. Porém, o grande trunfo de Nimman são seus microespasços independentes, como o Think Park e seus contêineres virados em bares e restaurantes, além do One Nimman com sua arquitetura contemporânea elegante. O público? Uma mistura de estudantes da universidade vizinha, expatriados ocidentais e jovens tailandeses de classe alta.
A dica de amigo: o bairro é melhor visitado no fim da tarde. Comece com um café por volta das 16h em um dos locais aconchegantes, caminhe até o pôr do sol e depois escolha um lugar para jantar. Os estabelecimentos fervem mesmo a partir das 19h.
Ao redor do Doi Suthep: templos no alto e natureza exuberante
A montanha Doi Suthep chega a 1.676 metros acima da cidade. Seu templo principal, o Wat Phra That Doi Suthep, é o local mais sagrado do norte tailandês. Depois de subir 306 degraus guardados por nagas (serpentes mitológicas), o chedi dourado brilhante de 22 metros surge em toda a sua glória. A vista da cidade lá embaixo vale cada degrau, especialmente ao amanhecer ou ao entardecer, quando os grupos de turistas diminuem.
Mais acima na estrada sinuosa, o Bhubing Palace abre seus jardins para o público quando a família real não está hospedada ali. Rosas e hortênsias florescem lindamente entre dezembro e fevereiro. Para quem curte caminhada, trilhas partem do parque nacional de Doi Suthep-Pui rumo a cachoeiras escondidas e mirantes. A parada no Hmong Village no caminho mostra o artesanato das minorias montanhesas, embora o lado turístico tenha se sobressaído.
A dica de amigo: negocie uma ida e volta de songthaew vermelho saindo da cidade velha por cerca de 200 bahts (cerca de 32 reais) por pessoa. Suba bem cedo, por volta das 7h, para acompanhar os cantos dos monges e fugir da multidão. Vista roupas que cubram ombros e joelhos, senão será obrigatório alugar um sarongue na entrada.
Experiências na natureza ao redor
A cerca de trinta quilômetros ao norte, santuários éticos de elefantes ganham espaço. Esqueça os passeios montados nos animais e prefira lugares como o Elephant Nature Park ou a Patara Elephant Farm, onde os paquidermes vivem em semiliberdade. O dia consiste em alimentá-los, dar banho no rio e observar o comportamento deles. É preciso reservar com várias semanas de antecedência, e a diária custa de 2.500 a 3.500 bahts (cerca de 400 a 565 reais).
Cachoeiras como Mae Sa e Huay Kaew oferecem uma trégua refrescante contra o calor da cidade. Os trekkings de vários dias nas montanhas do Triângulo Dourado atraem os mais aventureiros com noites em vilarejos Karen ou Akha, caminhadas na selva densa e banhos de rio. As agências oferecem pacotes completos de 2 a 5 dias entre 3.000 e 8.000 bahts (cerca de 485 a 1.290 reais) conforme o conforto desejado.
Onde comer e beber em Chiang Mai?
A culinária do norte tailandês (lanna) se diferencia do restante do país por sabores mais suaves e menos ardidos. O khao soi, curry de macarrão com ovos servido em caldo de leite de coco com frango ou carne bovina, reina absoluto: prove no Khao Soi Lam Duan Fah Ham, uma instituição local de décadas. O sai oua (linguiça do norte temperada) e o nam prik ong (molho de tomate, porco e pimenta) acompanham perfeitamente o arroz glutinoso que está em toda parte.
Os mercados noturnos concentram o melhor da comida de rua. O Warorot Market continua sendo o mais autêntico para comer como os locais, enquanto o Night Bazaar foca no público turístico com qualidade variável. Para uma refeição mais sofisticada, o David's Kitchen traz uma excelente fusão franco-tailandesa, e o The Service 1921 atualiza clássicos em um ambiente colonial elegante.
No quesito café, a cidade agora rivaliza com Melbourne ou Portland. O Ristr8to já ganhou prêmios internacionais por sua arte no latte, o Graph Café torra seus próprios grãos e o Akamai Coffee atrai a galera criativa. Os bares ficam concentrados em Nimman e nos arredores da Loi Kroh Road, com destaque para o terraço do Zoe in Yellow e o som raiz do North Gate Jazz Co-Op.
Onde dormir em Chiang Mai e arredores?
A cidade velha atrai quem quer ficar bem no meio da agitação cultural, com os templos logo ao lado. As pousadas familiares abundam por lá com diárias entre 300 e 800 bahts (cerca de 48 a 130 reais), muitas cheias de charme e personalidade. O bairro de Nimman atrai viajantes mais jovens e conectados, oferecendo albergues modernos e hotéis boutique entre 400 e 2.000 bahts (cerca de 65 a 325 reais) conforme o padrão.
Às margens do rio Ping, na zona leste, vários hotéis de charme aproveitam um cenário bucólico sem perder a proximidade do centro, como o Tamarind Village e o Rachamankha, que exibem o luxo discreto lanna. Para quem viaja com o orçamento apertado, a área do Tha Phae Gate concentra dezenas de opções econômicas entre 200 e 500 bahts (cerca de 32 a 80 reais) com banheiro compartilhado.
Nos arredores, rumo a Mae Rim ao norte ou Hang Dong ao sul, resorts luxuosos cercados pela natureza contam com piscinas de borda infinita e spa para quem busca desligar de tudo. Espere gastar a partir de 3.000 bahts (cerca de 485 reais) a diária nesses lugares muitas vezes deslumbrantes.
Como chegar e circular por Chiang Mai?
O aeroporto internacional de Chiang Mai fica a apenas 4 km do centro. Os táxis oficiais custam de 150 a 200 bahts (cerca de 24 a 32 reais) para chegar à cidade velha em 15 minutos. Há vários voos diários vindos de Bangkok (1h15 de viagem, com tarifas entre 800 e 2.500 bahts conforme a companhia e a época). O trem noturno que sai da capital é uma alternativa econômica e charmosa (10 a 12 horas, de 500 a 1.500 bahts conforme a classe), embora os atrasos sejam comuns.
Na cidade, a lambreta reina: o aluguel sai por 150 a 250 bahts (cerca de 24 a 40 reais) o dia, com carteira de motorista internacional teoricamente obrigatória, embora raramente fiscalizada. Os songthaews vermelhos funcionam como táxis coletivos cobrando 30 bahts (cerca de 5 reais) por trajeto dentro da cidade velha, com preço a combinar para distâncias maiores. Os aplicativos Grab e Bolt facilitam corridas de moto-táxi ou carro com ar-condicionado.
A compacta cidade velha é fácil de conhecer a pé. Para explorar os arredores (Doi Suthep, santuários de elefantes), você pode alugar uma lambreta se tiver segurança nas estradas de montanha ou reservar passeios guiados que já incluem transporte e guia.
Quando ir?
A estação seca e fresca, de novembro a fevereiro, representa o período ideal: temperaturas agradáveis entre 15 e 28°C, céu aberto e baixa umidade. É também a alta temporada com o máximo de turistas e preços inflados. Em meados de novembro, o festival Yi Peng enche o céu noturno de milhares de lanternas flutuantes, um espetáculo mágico, porém lotado. De março a maio ocorre a estação quente, com os termômetros passando dos 35°C e uma névoa de poluição agrícola que encobre as montanhas.
As monções, de junho a outubro, trazem chuvas diárias no fim da tarde, mas esvaziam a cidade de turistas e fazem os preços despencarem.
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