Parque Nacional de Doi Inthanon, o teto da Tailândia a 2.565 metros de bruma e musgo
São 6h da manhã, a estrada serpenteia desde Chom Thong na escuridão. Depois de uma hora de curvas fechadas, o termômetro do painel marca 8 °C. Lá fora, o ar belisca as bochechas.
Bem-vindo ao ponto mais alto da Tailândia, onde a floresta tropical dá lugar a uma floresta nublada coberta de esfagno, onde os rododendros florescem em altitude e onde mais de 500 espécies de aves já foram registradas.
Por que visitar o Parque Nacional de Doi Inthanon?
A montanha leva o nome do rei Inthawichayanon, sétimo soberano de Chiang Mai e último governante semiautônomo do reino Lanna. Apaixonado pela preservação das matas, ele pediu antes de sua morte em 1897 que suas cinzas descansassem no topo, então chamado de Doi Luang.
O parque nacional foi oficialmente criado em 1972 e cobre 482 km² de relevos escarpados, entre florestas de teca, pinheirais, cachoeiras e terraços de arroz cultivados pelas comunidades Karen e Hmong, que vivem aqui há gerações.
O que impressiona de imediato é a amplitude das paisagens. Passa-se em poucos quilômetros de um calor úmido a um frio seco, de campos de arroz luminosos a uma copa tão densa que o sol já não penetra. O desnível entre a entrada do parque e o cume ultrapassa 1.700 metros, e cada patamar oferece um ecossistema diferente.
Três trilhas, três atmosferas
A trilha Ang Ka: a floresta encantada do cume
A poucos passos da placa que marca o ponto culminante do país, uma passarela de madeira de 360 metros adentra uma floresta de um verde quase irreal. O musgo de esfagno recobre cada galho, cada tronco retorcido pelo vento. A umidade é permanente, a temperatura oscila entre 9 e 15 °C o ano todo, e a neblina se infiltra entre as samambaias arborescentes.
O circuito é feito em vinte minutos, sem guia obrigatório. É a trilha mais acessível do parque, viável para todos.
A Kew Mae Pan: a cumeeira panorâmica
Esta trilha de 2,5 km em circuito contorna uma crista aberta para os vales ocidentais. Em dias claros e logo cedo pela manhã, um mar de nuvens cobre a planície abaixo. O percurso é administrado pela comunidade Hmong local: um guia acompanha cada grupo por 200 THB (cerca de 34 reais). Conte de duas a três horas de caminhada, em terreno fácil a moderado. A trilha abre apenas de novembro até o final de maio, fechando todos os anos de 1º de junho a 31 de outubro para regeneração florestal.
A Pha Dok Siew: cachoeiras e vilarejos
Menos frequentada, esta caminhada desce pela selva até cachoeiras barulhentas e atravessa um pequeno vilarejo Karen. Gibões-de-mãos-brancas vivem perto da trilha. Avistá-los continua raro, mas seus chamados ecoam com frequência na copa das árvores no começo da manhã. Um guia local também é obrigatório.
Pagodes reais e cachoeiras espetaculares
Os dois pagodes gêmeos, construídos pela força aérea tailandesa em homenagem ao rei Bhumibol e à rainha Sirikit, erguem-se um pouco abaixo do cume. Seus jardins são bem cuidados, e a vista alcança longe para o oeste. Os pores do sol por lá são marcantes. O acesso custa 100 THB (cerca de 17 reais) por pessoa, independentemente do ingresso do parque. Uma escada rolante permite chegar aos edifícios a partir do estacionamento.
No quesito quedas d'água, Wachirathan impressiona pela força de sua torrente de 80 metros de altura, visível de uma plataforma estruturada. A neblina d'água molha os visitantes a vários metros de distância. Mais isolada, Mae Ya e seus 260 metros de queda merecem o desvio se o seu cronograma permitir: é preciso descer em direção a Chom Thong e depois pegar o desvio, contando com 600 metros de caminhada a partir do estacionamento.
Dica de amigo: escolha um dia de semana. Os fins de semana e especialmente os feriados tailandeses geram engarrafamentos dentro do próprio parque. Só no Ano Novo, até 12.000 visitantes se espremem no cume. Durante a semana, a experiência é completamente diferente.
Observação de aves no teto do país
Com mais de 500 espécies registradas, Doi Inthanon detém o recorde nacional. Algumas não são encontradas em nenhum outro lugar da Tailândia, como o suimanga-de-cauda-verde, a felosa-de-garganta-cinzenta ou o bico-de-serra-de-colar. No cume, perto da pequena cafeteria que fica ao lado da trilha, esquilos e pássaros se aproximam a centímetros das mesas. A melhor época para a observação de aves vai de março a julho, quando os migrantes chegam e a época de reprodução atinge o ápice.
Horários
*Informações sujeitas a variação
O Parque Nacional de Doi Inthanon é um lugar que a gente adorou. A gente se sente realmente isolado do mundo, em plena natureza. As vistas são incríveis ao longo de todo o percurso e a subida de "caminhão" é uma experiência sensacional por si só, já trazendo uma sensação enorme de mudança de ares. O ar é mais fresco, o clima é tranquilo e as paisagens são lindas. Uma pausa na natureza incrível que eu recomendo sem hesitar.