Narita

O que fazer em Narita: as atrações imperdíveis

Visitar Narita, muito mais do que uma simples escala aeroportuária

O cheiro defumado de unagi (anguille) grelhado na brasa de carvão flui pelas vielas pavimentadas enquanto um Boeing decola ao longe, visível entre os telhados tradicionais. Essa justaposição resume perfeitamente o paradoxo da cidade: ancorada em mil anos de história budista, ela pulsa no ritmo das chegadas e partidas internacionais. A maioria dos viajantes segue direto para Tóquio sem olhar para trás, ignorando que passam perto de um tesouro genuíno do período Edo.

Para quem vale a pena conhecer esta cidade?

Se você busca o agito urbano de Tóquio, passe direto. Esta cidade de 130.000 habitantes deve ser saboreada lentamente, como uma pausa zen entre dois voos. Ela vai encantar os amantes da história japonesa, os gourmets em busca de autenticidade culinária e os viajantes que apreciam destinos fora do comum. Com apenas 10 minutos de trem a partir do aeroporto internacional, é também a opção perfeita para quem tem uma escala de poucas horas ou quer fugir das tarifas exorbitantes dos hotéis em Tóquio.

O orçamento continua razoável: uma boa refeição de enguia custa entre 2.500 e 4.000 ienes (cerca de 95 a 150 reais), os hotéis cobram tarifas mais amenas que em Tóquio, e o centro da cidade pode ser percorrido inteiramente a pé. Por outro lado, se você não suporta o barulho dos aviões ou procura uma vida noturna agitada, este destino pode decepcioná-lo.

O templo Naritasan Shinshoji e sua abordagem histórica

O Naritasan Shinshoji, fundado em 940, atrai mais de 10 milhões de visitantes por ano e forma a alma espiritual da cidade. Esse vasto complexo budista da escola Shingon impressiona com suas estruturas monumentais e sua torre da paz de 58 metros de altura. O salão principal, reconstruído em 1968, abriga a estátua de Fudo Myoo, uma divindade furiosa destinada a proteger os fiéis.

Várias vezes ao dia, os monges realizam o ritual do fogo sagrado, uma cerimônia hipnótica onde as preces dos fiéis são consumidas em chamas purificadoras.

O que ver ao redor do templo

Para chegar ao templo, é preciso caminhar pela Naritasan Omotesando, uma rua sinuosa de 800 metros que serpenta desde a estação. Essa artéria comercial tem a essência do Japão tradicional com suas fachadas de madeira, lanternas vermelhas e barracas de especialidades locais. Ali você vai encontrar vendedores de senbei (biscoitos de arroz) grelhados na hora, lojas de artesanato tradicional e confeitarias que oferecem yokan (doce de feijão azuki) ou biscoitos de amendoim, outro orgulho regional.

Atrás do templo fica o Naritasan Park, com 165.000 metros quadrados de jardins japoneses tradicionais pontuados por três lagos e pontes de madeira vermelha. Na primavera, as cerejeiras e ameixeiras explodem em tons de rosa e branco. No outono, os bordos avermelhados criam um espetáculo visual impressionante. É o local perfeito para uma caminhada meditativa longe da agitação do aeroporto.

O conselho de amigo: participe do ritual do fogo logo cedo, por volta das 6h. A atmosfera solene na névoa da manhã, com apenas alguns fiéis locais, compensa o despertar matutino. Os turistas raramente aparecem antes das 10h.

A enguia grelhada, uma obsessão culinária local

Por que a unagi reina aqui?

Desde a época Edo, o lago Inbanuma e o rio Tone forneciam peixes de água doce em abundância. A enguia se impôs naturalmente na dieta diária antes de virar a especialidade servida aos peregrinos que afluíam ao templo. Hoje, cerca de 60 restaurantes de unagi cercam o acesso ao santuário, liberando no ar aquele cheiro adocicado e defumado irresistível do kabayaki, a enguia grelhada laqueada com molho de soja adocicado.

Os templos da unagi que você não pode perder

O Kawatoyo Honten, fundado em 1910, continua sendo o endereço mais emblemático. O segredo deles? Um molho passado adiante por mais de um século, constantemente realimentado, que concentra os sabores dos milhares de peixes que passaram por ali. Os chefs com 50 anos de experiência selecionam pessoalmente as enguias vivas mantidas em água de poço. O prédio, tombado como monumento histórico em 2020, já vale a visita por si só, com seus trêsandares de madeira envelhecida e um balcão de ginkgo maciço onde as enguias são preparadas na frente dos clientes.

O Kikuya, aberto há 270 anos, mantém outra tradição com um molho um pouco mais salgado e doce do que o padrão de Tóquio. O longo processo de grelhar no carvão cria uma pele crocante espetacular. Uma curiosidade saborosa é que o cineasta Steven Spielberg teria encomendado um transporte especial de seu unaju até o hotel para poder saboreá-lo no avião. O estabelecimento fica aberto até as 21h, ao contrário da maioria que fecha por volta das 17h.

Espere gastar entre 2.500 ienes por um unaju básico (enguia sobre arroz) (cerca de 95 reais) e 4.600 ienes pela versão premium com enguia de origem japonesa (cerca de 175 reais). O kimosui, um caldo de fígado de enguia, acompanha tradicionalmente o prato por 100 ienes (cerca de 4 reais). Uma pitada de sansho, pimenta japonesa com notas cítricas e levemente picante, realça todos os sabores.

O conselho de amigo: faça uma reserva ou chegue bem na hora do almoço ao meio-dia se planeja ir ao Kawatoyo ou ao Surugaya nos fins de semana e feriados. As filas podem durar uma hora nos horários de pico, e alguns restaurantes distribuem senhas numeradas na alta temporada.

Os prazeres inesperados dos aviões

Paradoxalmente, a proximidade com o aeroporto vira uma atração por si só para os entusiastas da aviação. O parque Sakura-no-Yama, localizado na cabeceira das pistas, oferece uma vista espetacular das decolagens e aterrissagens a poucaszenas de metros de distância. Na primavera, as 100 cerejeiras em flor adicionam um toque poético ao rugido das turbinas. O parque conta com uma plataforma de observação de três andares com diferentes ângulos visuais.

O Museum of Aeronautical Sciences, o primeiro museu aeronáutico do Japão, expõe aeronaves em tamanho real, cockpits interativos e simuladores de voo. As crianças adoram, mas os adultos fascinados por aviação passam facilmente três horas ali. O observatório no último andar permite acompanhar o tráfego aéreo com uma vista panorâmica.

Os terminais 1 e 2 do aeroporto possuem seus próprios terraços de observação no 5º andar, que são gratuitos e acessíveis mesmo sem bilhete de embarque. Em dias claros, dá para avistar o monte Fuji ao longe entre um Boeing e outro.

Compras e descobertas nos arredores

O Shisui Premium Outlets, a 15 minutos de ônibus expresso do aeroporto, reúne 120 lojas de marcas internacionais (Nike, Adidas, Coach) e japonesas com preços reduzidos. A estrutura é pensada para turistas, oferecendo guarda-volumes, duty-free, wi-fi gratuito e atendimento multilíngue. É ideal para as últimas compras antes de embarcar.

O Aeon Mall Narita, um gigantesco centro comercial a 10 minutos de ônibus do aeroporto, possui 180 lojas divididas em vários andares. Lá você encontra de tudo, desde supermercado até restaurantes e lojas de souvenirs. Menos turístico que os outlets, é onde os moradores locais costumam fazer compras.

A 20 quilômetros dali, a cidade histórica de Sawara merece uma excursão de meio dia. Seu bairro preservado ao longo do canal remete ao período Edo com armazéns de comerciantes, salgueiros chorões e casas tradicionais transformadas em museus. Passeios de barco permitem admirar a arquitetura a partir da água.

Onde comer e beber em Narita?

Além da onipresente enguia, a rua Omotesando transborda de pequenos endereços autênticos. O Hayashida no Osenbei, a loja de biscoitos de arroz mais antiga da cidade, ainda os prepara à mão na frente dos clientes. A especialidade deles, o negi miso, combina pasta de soja fermentada e cebolinha sobre um biscoito crocante.

O Miyoshiya, um café escondido em uma rua transversal, serve sobremesas japonesas tradicionais em um ambiente tranquilo. Na primavera, o parfait de flores de cerejeira mistura bolo tipo chiffon, warabi mochi com flor de sakura, sorvete e chantilly, acompanhado de chá torrado hojicha com sabor defumado. É uma pausa doce perfeita após a refeição com enguia.

Para experimentar outras iguarias locais, prove o namazu (bagre) ou a carpa, outros peixes de água doce historicamente pescados na região. Vários restaurantes tradicionais os servem fritos ou em fatias de sashimi.

Onde dormir em Narita e arredores?

Os hotéis executivos modernos concentrados perto das estações JR Narita e Keisei-Narita oferecem o melhor custo-benefício, com quartos funcionais custando entre 6.000 e 10.000 ienes por noite (cerca de 230 a 380 reais). O Richmond Hotel Narita e o Comfort Hotel Narita têm uma excelente localização a 10 minutos a pé do templo e oferecem traslados gratuitos para o aeroporto.

Para uma experiência tradicional, o Wakamatsu Honten funciona como um ryokan autêntico bem em frente ao templo. Os quartos contam com piso de tatame, futons, banhos públicos e a opção de jantar kaiseki (alta gastronomia japonesa) no próprio quarto. Espere gastar entre 10.000 e 20.000 ienes por pessoa com as refeições inclusas (cerca de 380 a 760 reais).

Os grandes hotéis internacionais próximos ao aeroporto (Hilton Tokyo Narita, Hotel Nikko Narita, ANA Crowne Plaza) atendem bem quem faz conexões curtas. Todos fornecem traslados gratuitos 24 horas, piscinas, restaurantes com vista para as pistas e quartos espaçosos para famílias. As tarifas variam de 12.000 a 25.000 ienes dependendo da temporada (cerca de 460 a 950 reais).

Como chegar e circular em Narita?

Saindo do aeroporto internacional de Narita, duas linhas de trem levam ao centro em apenas 10 minutos: a linha JR Narita (estação JR Narita) e a linha Keisei (estação Keisei-Narita). As duas estações ficam lado a lado, com uma tarifa única de 260 ienes (cerca de 10 reais). Há também ônibus de traslado gratuitos que atendem aos principais hotéis a partir dos terminais.

Saindo de Tóquio, o trem expresso Narita Express JR demora cerca de 1 hora desde a estação central por 3.000 ienes (cerca de 115 reais). O Keisei Skyliner conecta Ueno em 75 minutos por 2.500 ienes (cerca de 95 reais). Há também ônibus expresso saindo da estação de Tóquio: 50 minutos por 1.300 ienes (cerca de 50 reais), com linha direta até a Omotesando.

O centro histórico é totalmente acessível a pé. Da estação até o templo são 10 minutos de caminhada agradável, e do templo até os parques ao redor leva no máximo 15 minutos. Para chegar aos outlets ou a Sawara, use os ônibus locais, cujos horários são limitados, ou pegue um táxi.

Quando ir?

A primavera, especialmente entre o fim de março e o início de abril, traz o espetáculo das sakura em plena floração nos jardins do templo e no parque Sakura-no-Yama. As temperaturas variam de 10 a 20°C, o que é ótimo para caminhar. O lado negativo é que esta é a alta temporada no Japão, com preços de hospedagem inflacionados e grande circulação de pessoas.

O outono, sobretudo em novembro, é o período ideal: os bordos ficam avermelhados, o clima permanece ameno, marcando entre 15 e 25°C, e a multidão diminui após o fim das férias escolares locais. O festival de folhagens de outono movimenta o parque Naritasan com eventos culturais. Os meses de julho e agosto trazem calor intenso, alta umidade e riscos de tufões, embora o verão também concentre os tradicionais festivais matsuri.

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Resumo das avaliações

Sobre a cidade

1 avaliações
+7
recomendações
  • Geral 4/5
  • Em família 4/5
  • A dois 4/5
  • Com amigos 4/5

Sobre as atividades

4 avaliações
+14
recomendações
  • Locais naturais +7 recomendações
  • Templos +7 recomendações

Mais do que o aeroporto

Como eu, você talvez descubra esta cidade pelo aeroporto internacional, ponto de chegada ou de partida no Japão. A área ao redor do aeroporto não é muito atraente: principalmente hotéis e alguns comércios.

Mas também há alguns atrativos turísticos, como a bela rua comercial tradicional e o templo! Além disso, se você quiser relaxar, pense neste destino pouco conhecido e facilmente acessível a partir de Tóquio!

12
Recomenda :
Nota geral :
Em família :
A dois :
Com amigos :

Já viu todas as opiniões.

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