6484dce839ce1

Cinéscénie do Puy du Fou: atores e voluntários extraordinários

Traduzido do francês — Ver o original em francês

Descubra por que a Cinéscénie do Puy du Fou é um espetáculo inesquecível. Compartilho minhas dicas para você aproveitar ao máximo.

Como escrevi no meu artigo intitulado Dois dias no Puy du Fou, na Vendéia, eu simplesmente adorei o Grand Parc do Puy du Fou. Mas eu ainda não tinha tido tempo de falar sobre a Cinéscénie. Hoje, finalmente chegou a hora!

Um momento imperdível da sua viagem à Vendéia ou aos arredores, o Puy du Fou realmente vale a pena. Seja pelo parque, pela Cinéscénie, ou por ambos. Como os lugares são limitados, recomendo que você reserve seus ingressos com antecedência. Aqui está um link para reservar seus ingressos online, no site oficial do parque.

História da Cinéscénie

Le château des Epesses

Historicamente, foi primeiro a Cinéscénie que nasceu em 1978. De acordo com o livro à venda no local (e em todas as boas livrarias da Vendéia) que reconta a aventura da criação deste espetáculo, foi Philippe de Villiers quem decidiu colocar este projeto em prática.

Ele se baseou no local do castelo da comuna de Les Epesses, na Vendéia, na localidade de Puy du Fou. A região fica situada no bocage da Vendéia, perto de Cholet. Ela fazia parte da antiga "Vendéia militar" durante as Guerras da Vendéia, que ocorreram entre 1793 e 1796.

Le château des Epesses aujourd'huiO castelo de Les Epesses, tal como o vemos hoje e como foi integrado no espetáculo, foi construído no estilo Renascentista por ordem de Francisco II do Puy du Fou no início do século XVI. Próximo de Francisco I, ele havia sido nomeado governador de Nantes. O castelo ainda guarda os vestígios do incêndio provocado pela coluna infernal comandada pelo general Boucret na época das Guerras da Vendéia.

Este castelo substitui o antigo castelo-forte de Renaud du Puy du Fou. Os vestígios deste último podem ser vistos no Grand Parc. Eles ganharam uma segunda vida, pois servem de cenário para o espetáculo O Baile dos Pássaros Fantasmas (Le Bal des oiseaux fantômes).

Um espetáculo monumental reunindo 1.200 puyfolais

Hoje, em vinte e três hectares, mais de 1.200 puyfolais voluntários improvisam-se como atores nas noites de apresentação. Todos esses voluntários dedicam seu tempo a tarefas das mais diversas: alguns orientam carros e ônibus nos enormes estacionamentos, outros cuidam dos pontos de venda de ingressos, outros ainda gerenciam as lojinhas, alguns se especializaram e cuidam da parte técnica do espetáculo, e outros se juntaram aos voluntários encarregados da segurança...

Enfim, nunca falta o que fazer e alguns acumulam várias funções: saem da pele de um recepcionista para vestir o figurino de um habitante da Vendéia atacando uma coluna de soldados da República. Eles também contam com o apoio da equipe fixa, sejam os dublês a cavalo, os diretores de palco ou técnicos especializados.

Como se tornar um Puyfolais voluntário?

Para quem tem interesse em participar, é bom saber que é muito difícil entrar no círculo super exclusivo dos puyfolais: é preciso enviar o pedido para a secretaria da associação do Puy du Fou, seja por telefone no 0 820 09 10 10, seja por correio (endereço: 30, rue Georges Clemenceau, BP 25, 85590 Les Epesses). Para se tornar voluntário, é necessário ter um padrinho, ou seja, conhecer um puyfolais que saiba orientar você depois e acompanhe seu aprendizado dessa filosofia. Seu padrinho vai recomendá-lo aos colegas. Depois, é preciso escrever uma carta de motivação e... esperar! A lista de pedidos é enorme. Um processo bem iniciático, não acha? O título de Puyfolais é conquistado com esforço...

Posso dizer por experiência própria: fiz o pedido há um ano e ainda estou esperando. Mas continuo com esperança!

De qualquer forma, ao contrário do Grand Parc onde as pessoas recebem salário (por exemplo, tratadores de pássaros, veterinários, cavaleiros dublês, etc.), a Cinéscénie é aberta a voluntários. O clima lá é excelente! Meu "padrinho" me permitiu visitar os bastidores e pude perceber a gigantesca engrenagem que é a Cinéscénie. Fiquei muito impressionado com a equipe técnica, com os pirotécnicos, com os iluminadores e com o profissionalismo de todos esses apaixonados que dedicam seu tempo e que, às vezes depois de vinte anos, continuam com a mesma motivação e o mesmo desejo: fazer com que o espetáculo aconteça da melhor forma possível e proporcionar bons momentos aos quatorze mil espectadores por noite de apresentação (mais de dez milhões desde a sua criação!!).

O enredo da Cinéscénie

O espetáculo reconta a história de uma família da Vendéia, os Maupillier. Para constar, esse personagem é inspirado em Jacques-Louis Maupillier, um jovem que se alistou no exército da Vendéia e foi imortalizado pela Marquesa de La Rochejaquelein, que o desenhou de armas na mão. Acompanharemos a história de ancestral em ancestral já que, a cada vez, é o neto que assiste às cenas descritas nos quadros.

Tudo começa, portanto, no início do século XX, durante uma vigília. Uma "vigília" era uma noite em que as famílias e os vizinhos se reuniam ao redor da fogueira para conversar, contar histórias e, às vezes, um contador de histórias ou um mascate era convidado. Ele então trazia notícias do que estava acontecendo no país ou na região.

Uma cena gigantesca de 23 hectares

Diante de seu público, o velho comerciante conta a vida dos ancestrais do jovem que o escuta atentamente. É então que, como em um sonho, o enorme palco de vinte e três hectares ganha vida. Isso marca o início de uma sucessão de quadros vivos, animados por todos os voluntários em trajes de época.

Assim, atravessamos os séculos começando pela Idade Média até a Segunda Guerra Mundial.

Os cavaleiros cruzam o palco em alta velocidade e se enfrentam em justas com as quais eu sonhava quando criança.

Os atores vêm de toda parte, há tanta coisa para ver que a gente acaba inevitabilidademente perdendo alguns detalhes.

Toda a área cênica é utilizada: o castelo faz parte integrante do cenário, os quadros são criados ao fundo, como em um filme, e equilibram todo o espetáculo. O próprio lago serve para as evoluções das dançarinas. Percebe-se rapidamente que a direção de arte foi muito trabalhada e que, mesmo sendo voluntários a garantir a apresentação, há uma exigência de rigor e profissionalismo em sua "participação". A atenção aos detalhes também continua impressionante.

Uma realização Mágica!

Técnicas inovadoras são utilizadas para efeitos especiais de tirar o fôlego.

As luzes, lasers e fogos de artifício se sucedem, e projeções de imagens em paredes de água aparecem durante o espetáculo.

Os atores evoluem ao som das músicas de Nick Glennie-Smith, compositor inglês de trilhas sonoras de filmes. Os fãs provavelmente saberão que ele trabalhou em filmes como "Piratas do Caribe", "Fomos Heróis" ou "O Rei Leão II". Suas músicas também estão disponíveis em CDs vendidos no próprio local, em todas as lojas.

Da mesma forma, muitas personalidades emprestaram suas vozes aos personagens: Robert Hossein, Jean Piat, Philippe Noiret, Alain Delon, Suzanne Flon, Michel Duchaussoy, etc... Essas vozes que ecoam na noite dão um brilho especial ao espetáculo: você se deixa levar pela aventura, mesmo que não seja fã de história (no sentido histórico do termo). Ainda guardo na memória o "graça aos prisioneiros!" do general vandeano Bonchamps, agonizando no campo da Batalha de Cholet, em um silêncio aterrorizante após o tumulto e o estrondo das armas.

Final do espetáculo

A magia começou e só vai parar no final de uma hora e quarenta minutos de espetáculo.

Os adjetivos para qualificar a Cinéscénie são efusivos. É preciso reconhecer que o espetáculo é grandioso e mágico. Quando a música cessa, o último rojão explode e o eco da detonação termina de se dissipar, você fica com um gostinho de quero mais, com a sensação de algo que acaba cedo demais.

Como está escrito no site oficial do Puy du Fou: "A Cinéscénie é o maior espetáculo noturno do mundo com 23 hectares de palco. Cada apresentação requer 1.200 atores, 120 cavaleiros, 100 técnicos, 6.000 figurinos, 800 peças de artifício e 140 jatos d'água".

Dicas práticas

  1. levar roupas quentes (as noites podem ser frescas, apesar da estação do verão) e, se o tempo estiver ameaçador, roupas impermeáveis. Na pior das hipóteses, ponchos são vendidos no local. Outra solução existe: alguns dos meus vizinhos colocaram as pernas dentro de sacos de lixo de plástico... Evidentemente, funcionou muito bem também.
  2. quem tem a região lombar um pouco sensível pode planejar levar um pequeno travesseiro. O tempo de espera é um pouco longo, pois é preciso esperar a noite ficar totalmente escura para o espetáculo começar.
  3. para os espectadores estrangeiros (e há muitos!), é possível acompanhar o espetáculo com um fone de ouvido que fornece a tradução.
  4. saiba que o tempo para sair dos estacionamentos (que são gratuitos) às vezes é um pouco longo e pode ser agradável esperar calmamente que os congestionamentos ao redor diminuam, tomando uma bebida quente, por exemplo.
  5. se esta não for a sua primeira visita e você quiser focar nos detalhes dos quadros vivos apresentados, lembre-se de trazer um par de binóculos. Se for a sua primeira visita, você terá tanta coisa para ver que é melhor ter o campo de visão mais amplo possível. No entanto, durante a espera, isso pode ajudar a passar o tempo.
  6. traga roupas largas que permitam levantar os braços sem rasgar nada: todas as noites há concursos de "ola" (você sabe: aquela onda humana que anima os estádios de futebol)!! Então, se você quiser fazer sua arquibancada ganhar, terá que estar equipado e motivado!
  7. O site oficial do Puy du Fou oferece pacotes que combinam hospedagem e ingressos para os espetáculos. Aqui está uma página que ajudará você a escolher seu hotel e organizar sua estadia.

Uma experiência imperdível

Em conclusão, devo reconhecer que fiquei totalmente impressionado com o espetáculo. Desde que fui lá, fiz muita propaganda para todo mundo e mandei bastante gente: todos os que assistiram concordaram que é grandioso! A gente resgata a alma de criança e, de quebra, redescobre momentos da história da França através da história da Vendéia.

Este artigo também remete ao que fala sobre o Grande Parque ( Dois dias no Puy du Fou na Vendéia ) porque, na verdade, embora as duas aventuras sejam diferentes, elas continuam sendo complementares. Cada uma pode ser vivida isoladamente, é claro, mas elas se completam maravilhosamente. Então, se puder, tente fazer as duas, vale muito a pena! Também gostei bastante do artigo da Asiangirl (um abraço!) em que ela dá sua opinião sobre o Grande Espetáculo de Natal oferecido pelo Puy Du Fou.

Nota: para ser completo, a Cinescênia não deve ser confundida com o espetáculo noturno chamado "Os Órgãos de Fogo", que por sua vez é apresentado à noite, em períodos determinados. Ele faz parte das atrações do Grande Parque e não tem nada a ver com o que detalhei para você neste post. Trata-se de um espetáculo mágico que mistura música e dança em uma atmosfera poética, tudo isso com efeitos especiais envolvendo água e fogo. Também vale a pena conferir!

Crédito da foto no topo da página: Alain Monéger

Comentários (1)

para deixar um comentário.
  • Bill
    Bill
    Merci pour l'article. Je trouve ça très fort de mobiliser autant de bénévoles tous les soirs ! D'autant qu'avec tout le public drainé, ça fait tout de même un peu d'argent qui rentre dans les caisses, ce qui pourrait susciter des convoitises. En fait, je trouve ça exceptionnel :)

Outros artigos sugeridos

Sugestões de álbuns de fotos