Olá a todos!
No âmbito do meu trabalho, fui passar cinco dias ao Marrocos, mais precisamente a Rabat.
Aproveito então para partilhar com vocês esta estadia, especialmente para quem gostaria de viajar para lá e quer ter uma primeira ideia do destino.
Formalidades antes da viagem
Em primeiro lugar, como lembrei, fui a trabalho. Portanto, no local, fomos bem acompanhados e recebidos, limitando os riscos. De facto, convém lembrar que ventos de revolução sopraram pelo país há pouco tempo.
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Além disso, antes de partir, adote o reflexo certo: consulte o site do Ministério dos Negócios Estrangeiros para garantir que a viagem é viável e verificar eventuais restrições ou proibições. Para isso, consulte a seguinte página:
http://www.diplomatie.gouv.fr/fr/conseils-aux-voyageurs_909/pays_12191/maroc_12289/index.html
No nosso caso, partimos algumas semanas antes dos tumultos daquilo que viria a ser chamado de Primavera Árabe.
No site, você aprenderá muitas coisas, especialmente sobre as formalidades. Por exemplo, pode apresentar-se apenas com um documento de identidade válido quando viaja em grupo e toda a viagem é organizada por um profissional de turismo. Apesar de tudo, aconselho a levar o seu passaporte; é mais simples, até porque as autoridades de fronteira colocam nele o seu visto.
Saúde
Em termos de precauções de saúde, não há muitas restrições. Não precisei de tomar tratamento preventivo contra a malária, o que aliás é confirmado pelo site do Ministério dos Negócios Estrangeiros: à partida, não estamos numa zona muito exposta. Isso não impede de ter cautela, claro…
As regras habituais de vigilância aplicam-se, obviamente, ao consumo de água.
Como chegar a Rabat
Quanto ao voo, fizemos a ida com a companhia Royal Air Maroc e o regresso com a Air France. Existem outras companhias nesta rota. Por exemplo: Iberia, Jet4you, Aigle Azur.
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Uma vez aterrados em Rabat, fomos acolhidos para fazer a ligação até ao centro da cidade (há pouco mais de 10 quilómetros a percorrer, mas vi vários meios de transporte: táxi por cerca de 100 Dh, autocarro ou comboio).
A moeda é o dirham marroquino. Atualmente, 1 euro vale 11,327 Dh.
Em suma, ao chegar lá, fui recebido como mandam os cânones pelos nossos anfitriões que, após nos receberem na saída do avião, nos levaram para uma sala reservada da empresa deles onde, sentados num tapete, bebemos o chá que nos foi oferecido, depois de tirarmos os sapatos, à semelhança dos nossos camaradas.
Havia também tâmaras. Eu não sabia que este seria apenas o início de uma longa série de momentos como este, em que trocávamos iguarias e bebíamos chá antes de falar sobre os assuntos que nos interessavam.
Detalhes sobre a cultura local
Quando o trabalho o permitia, íamos desfrutar um pouco da cidade. Um pouco surpreendido por ver rapazes a caminhar de mãos dadas, falei sobre isso com um dos nossos colaboradores marroquinos, dizendo-lhe que estava espantado, pois julgava que a homossexualidade era punível com prisão. Ele riu-se muito e eu fiquei bastante envergonhado quando ele me explicou que eu era vítima de preconceitos e que dois homens andarem de mãos dadas era um sinal de amizade, ou mesmo de apreço e respeito. Por isso, quando mais tarde, durante uma visita protocolar, vi um dos representantes oficiais marroquinos pegar na mão de um dos nossos oficiais franceses que tinha feito a viagem, não fiquei absolutamente nada surpreendido e contive-me para não esboçar o mínimo sorriso…
De resto, como habitualmente nos países muçulmanos, lembre-se de comer sempre com a mão direita, sendo a esquerda reservada para a higiene pessoal, especialmente depois de ir à casa de banho…
Os temas de conversa foram muito polidos e educados, e trocámos muitas banalidades sobre a viagem, a França e o Marrocos. Convém, evidentemente, evitar os temas polémicos: a religião, o rei, a política em geral, etc.
Regressámos depois ao nosso hotel, com as roupas impregnadas pelo cheiro do incenso que tinha estado a arder perto de nós.
Visita à cidade
A cidade apresenta aspetos de uma mudança de ares incrível: é fervilhante, viva, colorida (embora o branco das construções domine na parte superior, guardo memórias muito coloridas das bancas e dos marroquinos) e animada. Tivemos, evidentemente, a oportunidade de fazer visitas, algumas guiadas e politicamente corretas, outras um pouco mais autênticas.
Os hammams
Assim, aproveitamos os <strong>hammams</strong>. Eu já tinha ido a alguns na França e tinha gostado, mas lá encontrei uma espécie de serenidade nessa prática tão regulamentada. Para os homens, os banhos acontecem pela manhã, e as mulheres vão à tarde. Geralmente, quando elas estão lá, uma toalha fica pendurada na porta do estabelecimento. Não tente desafiar essa regra de separação, você arrumaria muita confusão... Uma das minhas melhores lembranças (as massagens eram excelentes!) fica em um estabelecimento localizado no número 33 da Avenue El Mehdi Ben Barka.
<h3>A Medina</h3> <p><img alt="As especiarias do souk" src="/Avygeo/uploads/8/articles/thumb_pic_5139bf3c43eac.jpg" style="float:right; height:188px; width:250px"/>Também cumprimos a tradição passando pelos <strong>souks</strong>. É realmente o lugar ideal para encontrar praticamente tudo o que quisermos e, por exemplo, lembranças para levar para os entes queridos. E para visitar o souk, é preciso ir à <strong>"cidade velha", a medina</strong>. Ela é realmente tradicional, mesmo não sendo tão vasta quanto as de Marrakech ou Fez: tem "apenas" 50 hectares...</p> <p>A medina de Rabat foi criada pelos <strong>mouros andaluzes</strong> (moriscos), que eram andaluzes expulsos da Espanha no século XVII e que se refugiaram, entre outros lugares, em Rabat. Já protegidos pela <strong>alcáçova dos Oudayas</strong> e por muralhas mais antigas, eles ergueram a <strong>Muralha dos Andaluzes</strong>, fechando toda a área. A muralha acompanha a atual avenida Hassan II. Diversas portas monumentais marcam a sua entrada.</p> <p><img alt="A porta Bab el Had" src="/Avygeo/uploads/8/articles/thumb_pic_5139c03680f33.jpg" style="float:left; height:166px; width:250px"/></p> <p>Essa medina permaneceu intocada, inclusive quando <strong>Lyautey</strong> chegou para instaurar o protetorado francês.</p> <h3>As alcáçovas ao redor de Rabat</h3> <p>Por falar em alcáçovas (casbahs), tive a sorte de sair um pouco de Rabat e, no ziguezaguear dos nossos trajetos de 4x4, me deparar com fortalezas erguidas no meio de palmeirais. Elas eram locais de poder dos senhores e serviam de abrigo para os camponeses que viviam nas proximidades em caso de perigo.</p> <p>Uma alcáçova é uma praça-forte, maciça, totalmente voltada para a defesa. Elas são comuns, e a dos <strong>Oudayas</strong> (ou Oudaia) em Rabat, da qual eu falava antes, é uma belíssima ilustração.</p> <p>Vale a pena dar uma olhada. Foi ela que deu nome à cidade atual. Na verdade, tratava-se de um mosteiro (*ribat*) de onde partiam "monges-soldados" para derrotar os cristãos.</p> <h3>Perder-se na Medina</h3> <p>Sem planejar muito, acabei me perdendo um pouco na medina, principalmente porque me deixei levar pelos expositores (a gente não se perde de verdade nesses "pequenos" 50 hectares). De qualquer forma, lá se podem fazer belas descobertas, com portas espléndidas e fachadas às vezes muito bem restauradas.</p> <p>Ainda na medina, você certamente terá a oportunidade de ver a entrada da <strong>mesquita Mekki</strong>, com seu minarete octogonal. Para sua informação, não se entra nas mesquitas, exceto nos locais turísticos.</p> <p>Tome cuidado também ao tirar fotos, especialmente de mulheres, embora se note uma liberdade maior por lá do que em outros países. Ainda assim, fotografar de maneira insistente pode acabar constrangendo a pessoa.</p> <h3>Os Riads</h3> <p>É claro que eu não poderia mencionar o Marrocos sem falar dos famosos <strong>riads</strong>. E, de fato, é preciso admitir que alguns são simplesmente deslumbrantes. Vale dizer também, e tenho plena consciência disso, que nossos anfitriões nos levaram a lugares particularmente bem renovados e mantidos. Por isso, fiquei deslumbrado com o luxo e a beleza dos locais.</p> <p><img alt="Exemplo de zelliges" src="/Avygeo/uploads/8/articles/thumb_pic_5139c080079ad.jpg" style="float:right; height:217px; width:250px"/></p> <p>Tenho uma lembrança em especial que me vem à mente com frequência. Ela se decompõe em cores quando revejo o mosaico do local ou os <strong>zelliges</strong> (essas cerâmicas com padrões geométricos que vemos por toda parte). Vêm-me à memória sensações de frescor de quando estávamos sentados ao redor de uma fonte. Lembro-me também da madeira trabalhada das portas, dos muxarabis e de alguns móveis. Ainda me lembro do bronze de um escudo redondo e pontiagudo, bem como de um sabre (*kilidj*). Também guardo a lembrança de um céu maravilhoso quando levantávamos a cabeça. Este país tem realmente algo de mágico!</p> <p>Tivemos, inclusive, o privilégio de assistir a <strong>uma dança e a cantos acompanhados por tambor e sabre</strong>. Muito impressionante... Homens vestidos de branco, todos carregando um tambor quadrado, cantavam marcando o ritmo de suas palavras com batidas hipnotizantes nos tambores. Depois, outros quatro homens apareceram, pegaram um sabre e dançaram com ele, simulando por vezes cenas de combate. A música se intensificava e uma flauta arrematava a sensação de transe. Sinceramente, continua sendo uma lembrança memorável: senti-me transportado séculos para o passado, imaginando o que o marechal Lyautey deve ter sentido ao descobrir o país e o povo marroquino.</p> <h3>O Jardim do Triângulo</h3> <p>Quando os dias estavam muito quentes, também fizemos como muitos habitantes de Rabat em busca de frescor: fomos entre a medina e a cidade nova até o <strong>Jardim do Triângulo</strong>.</p>Este jardim, além da sombra que oferece e do frescor que emana, é muito relaxante: quando o sol está a pino, dá vontade de vir sozinho ou com a família para passear na sombra, deitar na grama (em tese, é permitido...) ou sentar naqueles famosos bancos com formas tão características dos anos 30.
A Necrópole de Chellah
Também visitamos (mas bem rapidinho, porque nossos anfitriões estavam atrasados com o horário...) a necrópole de Chellah, que comprova a ocupação romana da cidade antes que os merinidas, de origem berbere, se instalassem ali para fundar seu reino e criar a cidade de Salé, que fica em frente a Rabat. Quem tiver interesse pode dar uma olhada no site oficial de turismo da região de Rabat:
http://www.toutrabat.com/necropole-chellah-rabat.php
Enfim, essa estadia acabou sendo curta demais para conseguirmos ver tudo o que gostaríamos.
Marrocos, um país de contrastes para explorar
Ficou mais do que claro que o Marrocos oferece riquezas incríveis e que vale cada centavo investido. Mas, para isso, acho que também não devemos hesitar em ir de uma cidade a outra, pois, segundo nossos anfitriões, descobrimos coisas e emoções totalmente diferentes em cada lugar. Dizem que Fez não se parece em nada com Marraquexe, que Mequinez não é Rabat e que Tânger é bem diferente de Casablanca...
E nem preciso falar da hospitalidade dos marroquinos, que foi, como de costume, marcada por uma enorme generosidade conosco.
Por isso, guardo lembranças incrivelmente fortes de encontros, paisagens e sensações que me deixaram com uma única vontade: voltar e ter mais tempo! Inclusive, estou pensando em fazer uma nova viagem por lá. Será que alguém entre vocês tem alguma dica para me dar? Aceito sugestões... Quais roteiros fazer? Quais são as cidades mais bonitas, os lugares mais autênticos, os melhores museus, etc.? Vale a pena tentar um trekking ou um passeio pelo deserto? Enfim, dicas para preparar da melhor forma possível uma viagem que eu quero que seja inesquecível.
Desde já, muito obrigado pela ajuda!
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