Quando eu era pequena, li uma reportagem sobre a cidade de Angkor em uma revista. Desde então, soube que um dia precisaria ir visitar esses templos, um projeto que realizei há alguns anos, durante o mês de novembro. Apesar da minha mania de sempre planejar tudo com antecedência, desta vez a viagem com meu amigo começou com uma mochila nas costas e um roteiro aproximado. Por questões de orçamento, nosso voo fez uma escala em Seul (um desvio bem legal no fim das contas, longo o suficiente para passar algumas horas na cidade!) antes de nos levar a Phnom Penh, a capital. Era a primeira vez que eu pisava na Ásia, então o choque cultural foi garantido!
Phnom Penh

Já é noite quando chegamos, então negociamos um tuk-tuk para nos levar ao hotel. É aí que descobrimos que a resposta "yes, yes" para a pergunta "do you speak English?" é automática. Mas nem sempre verdadeira! Depois de nos levar para o hotel errado e rodarmos por 1 hora até achar o certo, finalmente conseguimos nos recuperar do dia de viagem.
Acordamos cedo para explorar um mercado, com seus vegetais coloridos e peixes ainda vivos (exceto aqueles que seriam abatidos bem na sua frente). O choque cultural já se faz presente. Um novo passeio de mototáxi ziguezagueando pelo trânsito nos leva de volta ao centro turístico, perto do Palácio Real (fechado naquele dia). Aproveitamos para visitar o complexo do Wat Phnom, um lindo templo budista empoleirado em uma colina onde você provavelmente verá vários macacos. Continuamos pelo mercado coberto Psar Thmei, a parada obrigatória para comprar lembranças (ou óculos de sol falsificados bem baratos?). Depois de um bom jantar em um restaurante local, voltamos para o hotel para descansar um pouco.
No segundo dia, caminhamos em direção ao centro a partir do nosso hotel e paramos para ver o Wat Langka no caminho, nada excepcional, mas bonito! Passamos em diante do Monumento da Independência e, uma vez no centro, decidimos fazer a "excursão" de tuk-tuk para os Killing Fields (Campos da Morte) e o Museu do Genocídio Tuol Sleng. Francamente, não é um passeio divertido, mas é extremamente importante, pois o genocídio do Khmer Vermelho que ocorreu no Camboja e causou a morte de milhões de pessoas é um elemento fundamental da história do país. É perturbador e comovente, bem parecido com os campos de concentração na Europa. Voltamos para a cidade para alegrar o resto do dia com as festividades do Festival da Água (Bon Om Touk). Além das corridas de barcos durante o dia, fomos presenteados com um espetáculo deslumbrante ao anoitecer: barcos iluminados desfilando pelo rio Tonlé Sap, acompanhados de fogos de artifício. Assistimos a tudo isso nos misturando à multidão de locais, e é mágico!
Siem Reap
No dia seguinte, é a grande partida para Siem Reap… o que significa algumas horas de ônibus. O sistema é bem organizado, com ônibus com ar-condicionado e paradas estratégicas. Uma vez encontrado nosso alojamento, exploramos um pouco a cidade e nos deixamos tentar por um fish spa (pequenos peixes que limpam os pés) acompanhado de uma massagem nas costas. Aproveitamos o fim do dia com a continuação das festividades do Festival da Água e vamos deitar cedo, pois teremos que nos levantar de madrugada para partir em busca dos templos!
Saímos antes do nascer do sol para vê-lo surgir em Angkor Wat. Enfim! O principal objetivo da viagem! Visitamos vários templos durante o dia, com nosso motorista nos levando e esperando em cada um deles. O Bayon com seus rostos de pedra gigantes, o Baphuon e o Phimeanakas com suas escigas bem íngremes, o imenso muro que forma o Terraço dos Elefantes e o maravilhoso Ta Prohm, completamente em ruínas, tomado pela vegetação e árvores gigantes que crescem através da pedra. Terminamos o dia com uma pequena caminhada na floresta para encontrar Kbal Spean, um rio cujo leito de pedra foi esculpido, e onde várias borboletas pousam em você!
Battambang
No dia seguinte, partimos em direção a Battambang. É uma cidadezinha onde não há uma tonelada de coisas para fazer, exceto embarcar no bamboo train (trem de bambu)! É bem divertido e interessante ver esse sistema ainda sendo usado pelos locais. Fazemos uma rápida parada em uma fábrica de cimento (nada demais) e voltamos para a vila. Passamos a noite lá antes de seguir rumo à nossa próxima parada.

Pursat (Pouthisat)
Demos uma caminhada por este vilarejo, com a sua ilha Sampov Meas que é bem peculiar. Acho que é lá que a juventude se reúne e, com um pouco de sorte, vão deixar você experimentar o jogo de saiee, a versão deles de peteca, cujos jogadores conseguem ser bem impressionantes! Mas se fomos a Pursat, foi sobretudo como ponto de partida para visitar um vilarejo flutuante, Kompong Luong. Tínhamos alugado motonetas no nosso hotel, que nos explicou direitinho como chegar ao local onde encontrar um barco e um guia para fazer o passeio. Realmente muito bonito e interessante!

Phnom Penh
Passamos por lá novamente por motivos logísticos de transporte, e aproveitamos para visitar o Royal Palace e a Silver Pagoda, que estavam abertos naquele dia. Era bonito, os jardins agradáveis... mas no fim das contas relativamente caro pelo que se via.
Sihanoukville

O final da nossa viagem, queríamos que fosse bem relaxante. Como costumo dizer, viajar cansa! Tínhamos pensado em conhecer várias praias, mas no final optamos por Sihanoukville, na costa sudoeste do país. Estávamos muito bem na nossa cabaninha, a poucos minutos da praia de Serendipity (Ou Chheuteal Beach). Passamos os últimos 4 dias por lá no modo preguiça, aproveitando a praia, um coquetel na mão, massagens de 5$ e o espetáculo dos pequenos fogos de artifício que podem acabar explodindo na sua cara à noite. Mesmo assim, aproveitamos para fazer um passeio de barco (curtir um pouco de snorkeling para quem não hiperventila que nem eu com máscara e snorkel!) e passar a tarde na praia de Bamboo Island, que era ainda mais bonita que a da cidade e mais sossegada.

Aí, rápido demais, chegou a hora de voltar para a capital, a tempo de comer uma tarântula (é o que acontece quando a gente banca o valentão com os colegas dizendo que vai fazer!), afinal de contas, é a especialidade local! E depois, uma última voltinha de tuk-tuk para nos levar de volta ao aeroporto com a cabeça cheia de lembranças...
Pour l'araignée, je tremblais un peu, mais au final c'est qu'un goût de friture, rien de bien méchant!!!