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Subindo o Adam’s Peak (Sri Pada) de madrugada

Traduzido do francês — Ver o original em francês

Os preparativos

Quando viajo, a aventureira que há em mim às vezes ressurge. Eu, que sou tão sensata e não gosto muito de riscos, sempre acabo fazendo coisas absurdas como comer aranhas no Camboja ou até mesmo atirar com uma kalashnikov em Budapeste. Na minha viagem ao Sri Lanka, minha loucura desta vez foi puramente física: quis chegar ao topo do Adam’s Peak.

Eu já sabia que seriam pelo menos 3 horas de subida e que, não sendo muito atlética, aquilo seria um belo desafio... O mesmo valia para a minha amiga que me acompanhava. Mas acho que, apesar de ter lido bastante sobre o assunto, eu não estava preparada para uma experiência assim!

Primeiro, como o objetivo era alcançar o topo de Sri Pada (para usar o nome local) para ver o nascer do sol, tínhamos de começar a subida de noite. Tendo montado acampamento em Hatton por alguns dias, levamos cerca de uma hora de tuk-tuk (com direito a saco de dormir para a noite!) até chegar ao nosso ponto de partida, ou seja, Dalhousie. Com a mochila cheia de mantimentos e a motivação no talo, era hora de ir!

A subida noturna

Isso parece viável...A jornada começa calma, as estrelas nos inspiram e, na escuridão da noite, olhamos para as pequenas luzes ao longe que contornam a estrada, pensando: "O topo parece meio longe!", mas nada nos impediria de chegar lá.

Olha só, os degraus estão ficando mais íngremes. Opa, eles não são uniformes; às vezes preciso até usar as mãos para ajudar. Sinto cada vez mais calor (apesar do frio que vai se intensificando ao longo da subida), minha mochila pesa, minha respiração fica mais curta e minhas paradas se tornam mais frequentes! Mas o topo, ah, esse parece cada vez mais inacessível!

Eu e minha amiga tínhamos a intenção de fazer um gesto fofo para as pessoas queridas: escrevemos o nome delas em pedaços de papel e queríamos tirar fotos ao longo da subida, só para dizer que estábamos pensando nelas e dar um toque espiritual à nossa peregrinação. Posso dizer que abandonamos essa ideia rapidinho! Primeiro, porque o simples fato de parar nos fazia sentir bem o frio da altitude e, para ser sincera, meus amigos, minha família... eu logo esqueci de todo mundo para focar em um único objetivo: chegar ao topo antes de morrer de exaustão.

A multidão no topoDepois de 2 horas e 45 minutos para percorrer esses 7 quilômetros, avistamos o cume e confesso que segurei uma lagriminha, porque sinceramente parecia que nunca íamos conseguir! Mas, ao chegar lá, deparamo-nos com um novo problema: o espaço é super restrito e já está lotado de locais em modo "acampamento", que subiram durante o dia e tiram um cochilo enrolados em cobertores enquanto esperam o amanhecer. Encontramos então um cantinho para nos aconchegarmos uma na outra e nos esquentarmos um pouco enquanto esperávamos o sol prometido.

O nosso nascer do solEstá quase na hora. Os tambores do templo ecoam. Viramo-nos para o Leste e... bem, não vemos nada. Apenas pessoas. E câmeras erguidas nos braços. Todo esse perrengue por nada? Nem pensar! Eu, que preciso me esforçar ao máximo para correr meros 30 minutos em casa em Paris, com certeza não encarei a escadaria do inferno à toa! Noto então um cantinho de muro com uma lixeira que pode me servir de degrau e, em menos de um minuto, lá estava eu empoleirada acima de todo mundo com a melhor vista possível!

Paisagem surreal!Pode não ter sido o nascer do sol mais bonito da minha vida, mas com certeza foi o mais merecido! Dito isso, para mim, a maior recompensa foi finalmente enxergar a paisagem ao nosso redor, as montanhas, os lagos, a floresta... Durante a subida, entre a escuridão que limita a visão, a atenção necessária para onde colocar os pés e o esforço físico, a gente acaba esquecendo um pouco do cenário. É nesse momento que nos damos conta de tudo o que escalamos, e é simplesmente maravilhoso.

A descida

Se a subida foi cansativa, eu jamais teria imaginado que a descida pudesse ser pior! Pois é, depois de tocar o sino no topo, chega a hora de voltar. Há outros caminhos mais longos ou selvagens, mas o cansaço nos convenceu a pegar a mesma trilha de volta a Dalhousie. Ainda BEM que fizemos isso, pois era o trajeto mais curto e, mesmo assim, pareceu durar uma eternidade: garanto que, logo nos primeiros degraus para baixo, minhas panturrilhas quiseram explodir e meus joelhos tremiam. E a descida é praticamente tão longa quanto a subida, só que com sol, calor e dores musculares em dobro!

Minhas recomendações

  • Leve alguns mantimentos para recuperar as energias, mas acima de tudo, muita água! É possível comprar água durante a subida, mesmo que seja um pouco mais cara que o normal. Pelo menos, isso evita carregar peso excessivo.
  • Leve uma camiseta extra se fizer a subida à noite, pois você vai transpirar muito e provavelmente ficar encharcado; porém, ao chegar ao cume, fará frio e você ficará feliz por vestir roupas secas. Um casaco quente também é essencial!
  • Faça a subida à noite para ver o nascer do sol e descobrir a paisagem. Além do templo pequenininho, não há muito mais o que fazer no topo (a não ser se parabenizar por ter chegado lá!).
  • Na alta temporada, o caminho é bem iluminado, mas uma pequena lanterna de cabeça pode ser útil em trechos com menos luz ou mais difíceis.
  • Tente encontrar o meu cantinho no muro para garantir A vista. Ficando de virada para o Leste, ele fica à sua direita, atrás de uma grade pequena. Depois que achar, é fácil se acomodar ali em duas pessoas e curtir a paisagem com tranquilidade.

Comentários (2)

para deixar um comentário.
  • Bill
    Bill
    Ca donne envie !!!!
    T'aurais pas des photos par hasard ?
    ^-^
  • Bill
    Bill
    Merci pour les photos, elles sont superbes !
    • Dudy
      Dudy
      Ça fait plaisir, surtout si ça donne un peu plus l'envie d'y aller! ;)

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