Cagliari, a capital sarda que os turistas atravessam sem parar
A maior parte dos viajantes que desembarca no aeroporto de Elmas pega o carro alugado e corre direto para as praias do norte.
Erro grave. A cidade que eles deixam para trás tem mais de 300 dias de sol por ano e carrega um apelido merecido: La Città del Sole.
Fundada pelos fenícios e dominada sucessivamente por romanos, pisanos e espanhóis, ela guarda cada época em suas pedras. Até o viajante Ibn Battuta, de passagem pelo século XIV, anotou em seus diários a imponência da fortaleza visível do mar. Essa cidadela é Il Castello, e continua lá, dourada pelo sol poente e suspensa sobre o golfo dos Anjos.
Uma cidade para quem quer a Sardenha além das praias
Cagliari é uma cidade de verdade, com universidade, 150.000 habitantes e um ritmo próprio. Claro que as praias são acessíveis de ônibus a partir do centro, mas seria limitador vir apenas por isso.
Destino ideal para:
- Quem gosta de patrimônio histórico multicultural (fenício, romano, pisanos, espanhol)
- Quem quer combinar vida urbana, gastronomia e praia na mesma viagem
- Quem tem interesse pela cultura sarda autêntica, festivais e mercados locais
- Quem viaja na baixa temporada em busca de um clima mediterrâneo ameno no inverno
- Famílias com crianças, especialmente pelo parque de Molentargius e seus flamingos cor-de-rosa
- Viajantes solo: cidade segura, bem conectada e com vida estudantil dinâmica
Destino pouco indicado para:
- Quem busca apenas praias de águas cristalinas isoladas: é preciso carro para chegar às melhores
- Quem procura uma Sardenha tipicamente rural: Cagliari é uma capital urbana sólida
- Orçamentos apertados em julho e agosto, quando hotéis e voos atingem preços máximos
Um orçamento razoável para uma capital mediterrânea
| Tipo de despesa | Média estimada |
|---|---|
| Hospedagem econômica (hostel, B&B, bairros Marina ou Stampace) | 25 € a 50 € por noite (cerca de 155 R$ a 310 R$) |
| Hospedagem confortável (hotel 3 a 4 estrelas, Castello ou Marina) | 80 € a 160 € por noite (cerca de 490 R$ a 980 R$) |
| Refeição rápida (café, focaccia, sanduíche, bar de mercado) | 5 € a 12 € (cerca de 30 R$ a 75 R$) |
| Refeição em restaurante (trattoria sarda, peixe fresco) | 20 € a 45 € (cerca de 125 R$ a 275 R$) |
| Transporte e passeios (ônibus urbano, museus) | 5 € a 15 € (cerca de 30 R$ a 90 R$) |
| Orçamento diário mochileiro | 50 € a 75 € (cerca de 305 R$ a 460 R$) |
| Orçamento diário confortável | 130 € a 220 € (cerca de 795 R$ a 1.350 R$) |
O que saber antes de chegar
O centro histórico é ideal para ser explorado a pé. Os quatro bairros antigos são compactos e bem conectados, contando com um elevador público que leva até Il Castello a partir da Piazza Yenne. A rede de ônibus CTM cobre toda a cidade, incluindo a praia do Poetto, alcançada em 15 minutos. As passagens podem ser compradas em bancas de jornal ou tabacarias.
O italiano é o idioma oficial, mas o inglês funciona bem em hotéis e restaurantes voltados ao turismo. Saber algumas palavras em italiano ou sarda sempre ajuda. A região histórica é segura de dia e de noite, exigindo apenas os cuidados normais após as 22h em locais mais isolados.
Il Castello: a cidadela no alto de tudo
É daqui que Cagliari se revela por inteiro. O bairro empoleirado na colina de calcário reúne vestígios de todas as civilizações que passaram por ali: a catedral Santa Maria, erguida no século XIII pelos pisanos e repaginada em estilo barroco, a Torre dell'Elefante e a Torre di San Pancrazio de 1307, além dos palácios aragonais transformados em universidade.
O Bastione di Saint Remy funciona como o mirante mais fotogênico da cidade. No fim da tarde, os telhados alaranjados e o golfo ganham tons marcantes. A entrada é gratuita.
A Cittadella dei Musei abriga o Museu Arqueológico Nacional, famoso pelas misteriosas estatuetas nurágicas dos Guerreiros de Monte Prama, descobertas em 1974 e cuja origem exata ainda intriga os pesquisadores. Reserve ao menos 2 horas para a visita.
Dica de amigo: Para subir sem esforço a partir do bairro da Marina, use o elevador gratuito localizado atrás da Piazza Yenne. Ele deixa você diretamente no Bastinhão de Saint Remy, poupando a subida íngreme a pé.
A Marina e Stampace: a cidade que pulsa
A Via Roma, com seus pórticos e edifícios do início do século XX, é o primeiro cartão-postal para quem chega pelo mar. Logo atrás, o bairro da Marina exibe um labirinto de ruas estreitas repletas de trattorias, wine bars e lojas de artesanato. A Piazza Yenne ferve a qualquer hora do dia ou da noite.
Stampace, o setor mais antigo, tem um clima menos turístico e bastante charmoso. Ali ficam o anfiteatro romano do século II cravado na rocha, a igreja barroca de Sant'Efisio dedicada ao padroeiro local, e o jardim botânico de 5 hectares fundado em 1858, que abriga mais de 3.000 espécies vegetais. É um refúgio fresco nos dias quentes.
Dica de amigo: O mercado San Benedetto, um dos maiores mercados cobertos da Itália, passa por reformas parciais. Enquanto a reabertura total não acontece, o mercado da Via Quirra é uma excelente alternativa para encontrar frutos do mar frescos, queijos pecorino e embutidos sardos logo cedo, a partir das 7h.
Poetto, Molentargius e a Sella del Diavolo: natureza acessível de ônibus
A praia de Poetto se estende por 8 quilômetros de areia clara e fina. Fácil de alcançar de ônibus a partir do centro em 15 minutos, funciona como o quintal à beira-mar dos moradores locais. O movimento é intenso em julho e agosto, então vale a pena chegar cedo ou caminhar até as extremidades mais tranquilas.
Logo atrás da praia, o parque de Molentargius é uma área úmida onde vivem colônias de flamingos cor-de-rosa. É possível pedalar pelas lagoas e observar garças e pernilongos. A entrada é livre. Esse contraste entre o agito da praia e a área preservada resume bem a personalidade da cidade.
Para uma trilha com vista panorâmica, a Sella del Diavolo, o promontório que emoldura a baía, pode ser acessada de ônibus a partir do centro. No topo, o mar e a cidade aparecem em um panorama de 360 graus. No verão, o ideal é ir pela manhã, pois o calor aperta bastante ao longo do dia.
Excursões a partir de Cagliari: ruínas romanas e praias paradisíacas
As ruínas de Nora, em Pula, a 40 km a sudoeste, formam um dos sítios arqueológicos mais bem preservados do Mediterrâneo. Fundada pelos fenícios e expandida pelos romanos, a antiga cidade avança em direção ao mar, mantendo um teatro de pedra erguido bem diante das ondas. Reserve meio período para o passeio.
As praias de Chia e Villasimius figuram entre as mais bonitas do mar Mediterrâneo, com águas transparentes, dunas de areia branca e enseadas reservadas. Como o transporte público até lá é limitado, alugar um carro por alguns dias faz toda a diferença.
Onde comer e beber em Cagliari?
A culinária sarda merece atenção especial. Peça os malloreddus alla campidanese, uma massa em formato de concha servida com molho de linguiça e açafrão, e os culurgiones, pastéis recheados com ricota e batata modelados à mão. Nos bairros de Stampace e Villanova, as trattorias servem essas receitas tradicionais em ambientes descontraídos e com preços justos.
Para provar pescados, o Villaggio dei Pescatori, a 10 minutos de carro do centro, oferece pratos com a pesca do dia em um clima de vila de pescadores. No inverno, não deixe de provar os ouriços-do-mar frescos, uma iguaria sazonal servida nos restaurantes à beira-mar. Entre as cafeterias, o Artesanías Café em Stampace e o Caffè dell'Arte perto da Via Roma atendem quem leva o café a sério.
Onde ficar em Cagliari?
O bairro da Marina é perfeito para quem quer fazer tudo a pé: porto, restaurantes e transporte público ficam pertinho. As ruas costumam ser movimentadas à noite na alta temporada, algo a se considerar. Stampace e Villanova oferecem uma atmosfera mais sossegada com a mesma praticidade para circular.
Il Castello atrai por seu clima medieval, mas o trânsito de carros é restrito a moradores e estacionar por lá é difícil. Para quem prioriza a praia, Poetto conta com apartamentos e hotéis à beira-mar, com ligação de ônibus para o centro em 15 minutos. Os hostels Marina e Ostello Sardinia garantem opções econômicas e bem localizadas.
Como chegar a Cagliari?
O aeroporto de Elmas fica a 6 km do centro. Voos diretos partem de cidades europeias como Paris, Lyon, Marseille e Nice, com maior frequência na alta temporada. Fora dos meses quentes, as conexões diretas a partir da França diminuem bastante. Um trem faz a ligação entre o aeroporto e a estação central em 7 minutos.
De balsa a partir da Itália continental, as opções incluem Civitavecchia (Roma) em 15 horas, Nápoles em 16 horas e Palermo em 12 horas. O desembarque ocorre bem no centro, na Via Roma. Durante o verão, também há travessias ligando Marselha a Cagliari operadas por companhias como Corsica Ferries ou GNV.
Como se deslocar em Cagliari?
O centro histórico é totalmente caminhável. Para ir à praia de Poetto, ao parque de Molentargius e à Sella del Diavolo, a rede de ônibus CTM funciona muito bem. Uma passagem custa cerca de 1,30 € (cerca de 8 R$), e o bilhete diário sai por menos de 5 € (cerca de 30 R$), vendidos em bancas e tabacarias.
Para explorar o sul da ilha, como Chia, Villasimius e Nora, alugar um carro é fundamental. Taxis ficam disponíveis nos arredores do porto e da estação, e aplicativos de transporte operam em Cagliari com boa cobertura na área urbana.
Quando ir?
A primavera, de abril a junho, e o outono, de setembro a outubro, são as melhores épocas para visitar a cidade, pois o mar está agradável, há menos turistas e os preços caem. O inverno é ameno e tranquilo, excelente para curtir museus, mercados e a temporada de ouriços-do-mar. Evite julho e agosto se preferir fugir das multidões e do calor intenso, especialmente nas ladeiras de paralelepípedo de Castello.
Eu gostei muito da minha visita à cidade de Cagliari. É um ótimo ponto de partida para descobrir a Sardenha. A cidade é muito colorida e continua bem típica. O bairro do Castello é realmente lindo. Cercado por muralhas, ele oferece uma vista incrível dos arredores. Se possível, prefira a primavera, tem menos gente e faz menos calor.