Villeneuve-lès-Maguelone, onde uma catedral flutua sobre as lagoas
Uma sede episcopal em uma ilha vulcânica, flamingos cor-de-rosa desfilando a poucos metros de uma praia selvagem de 9 quilômetros e vinhedos que produzem um vinho solidário. Esse é o roteiro improvável desta pequena comuna no departamento de Hérault, situada a apenas 10 km de Montpellier. O pintor Gustave Courbet armou seu cavalete por lá em 1854 para eternizar essas paisagens litorâneas. Hoje, a área é tombada como Natura 2000.
Um destino para quem busca natureza intocada
Não espere encontrar um balneário tradicional. Por aqui, a praia se mantém preservada, sem nenhuma construção à vista. As famílias vão curtir a tranquilidade, os observadores de aves vão se esbaldar com as colônias de flamigos cor-de-rosa e garças, e os fãs de arquitetura românica encontram na catedral fortificada um exemplar raro da Idade Média na região de Languedoc. Em contrapartida, quem procura agito noturno pode acabar se entediando.
Logística que exige planejamento
Chegar à península exige um pouco de organização. A passarela de pedestres que sai do estacionamento do Pilou fecha por volta das 17h30. O trenzinho gratuito só funciona entre abril e setembro. Prepare-se para uma caminhada de 15 a 20 minutos a partir do estacionamento.
Orçamento: o achado para os fãs da natureza
A entrada na catedral é gratuita, assim como o acesso às praias e trilhas. O estacionamento do Pilou custa 4 € (cerca de 25 reais) a diária e é gratuito depois das 18h. Reserve de 20 a 40 € (cerca de 125 a 250 reais) por pessoa para uma refeição no restaurante Les Compagnons.
A Catedral de Maguelone: mil anos de história em uma ilha
A Catedral São Pedro e São Paulo surge no meio de vinhedos e pinheiros centenários. Com paredes de 2 metros de espessura, essa igreja fortificada abrigou papas e bispos desde o século VI. O prédio atual remonta aos séculos XII e XIII. A acústica impressionante da nave abriga o Festival de Música Antiga, que desde 1984 atrai artistas internacionais do porte de Jordi Savall a cada mês de junho.
Dica de amigo: pegue um audioguide para entender a história fascinante do lugar. Pavões albinos circulam livremente pelo parque ao redor.
As salinas e lagoas: o reino dos flamingos cor-de-rosa
As Salinas de Villeneuve ocupam 292 hectares. Exploradas desde o século XII pelo bispado de Maguelone e desativadas em 1969, hoje pertencem ao Conservatório do Litoral. Esse mosaico de água doce e salgada atrai uma fauna impressionante: centenas de flamingos cor-de-rosa, garças-brancas-pequenas, avocetas e pernilongos. O inverno é a melhor época para ver os flamingos na época de acasalamento. Vale notar que parte da área fecha de abril a meados de agosto para proteger os ninhos.
Diversas trilhas demarcadas permitem explorar a região. A Reserva Natural Nacional de l'Estagnol completa o cenário com espécies raras como o abetouro-comum.
Praia de Maguelone: 9 km de litoral intocado
Provavelmente a faixa de areia mais selvagem da costa de Languedoc. Uma restinga de 9 quilômetros separa as lagoas do mar Mediterrâneo, sem nenhuma construção à vista. A paisagem alterna entre areia e trechos de pedras dependendo da área. O local é muito procurado para o kitesurfe, recebendo o evento Festikite todo mês de setembro. Do lado de Palavas, a praia do Prévost tem acesso mais fácil e posto salva-vidas.
Os vinhedos de Maguelone: um vinho com propósito social
O Domaine des Compagnons de Maguelone cultiva 18 hectares de vinhas orgânicas nos arredores da catedral, em um solo vulcânico único. A propriedade funciona como um centro de reabilitação pelo trabalho, empregando pessoas com deficiência na produção de seus rótulos. Os vinhos "Insula", "La Volta" e "Witiza" prestam homenagem à história da península. Uma degustação por lá é uma forma de apoiar esse projeto social.
No coração da vila, o Domaine du Chapitre também vende vinhos e azeites produzidos nas antigas cavalariças do século XIX. No passado, Villeneuve era conhecida como a capital da uva de mesa graças às suas parreiras dedicadas à variedade Chasselas.
Onde comer e beber em Villeneuve-lès-Maguelone?
O Comptoir des Compagnons, colado à catedral, serve refeições simples feitas com ingredientes locais e orgânicos, com vista para os parreirais. O atendimento é feito por pessoas com deficiência sob a supervisão de monitores. A lojinha anexa vende os vinhos da casa e itens da horta. As especialidades da região giram em torno dos vinhos, moscatéis e azeites locais.
Onde ficar em Villeneuve-lès-Maguelone?
O Camping de l'Arnel oferece casas móveis com piscina a poucos quilômetros do mar. Para mais opções de estrutura, a vizinha Palavas-les-Flots conta com uma rede hoteleira completa a 5 km. Montpellier também funciona muito bem como base para explorar a região, com viagens de trem de cerca de dez minutos.
Como chegar e circular em Villeneuve-lès-Maguelone?
Saindo de Montpellier, o trem vai da estação Saint-Roch até Villeneuve em 4 minutos por 3 € (cerca de 19 reais). A linha 32 de ônibus parte do ponto Garcia Lorca e chega ao vilarejo em 12 minutos por 2 € (cerca de 13 reais). De carro, a viagem desde Montpellier leva 12 minutos. O Aeroporto de Montpellier-Méditerranée fica a 15 km de distância. Andar de bicicleta é uma ótima pedida para explorar a área graças às ciclovias.
Quando ir?
A primavera e o outono oferecem o equilíbrio ideal entre clima agradável e menor movimento. O Festival de Música Antiga agita a catedral no começo de junho, enquanto o Festikite movimenta a praia em setembro. Para observar os flamingos cor-de-rosa em exibição, planeje sua viagem para o inverno.
Eu passei muitos verões em Montpellier, e toda vez a gente ia para a praia de Villeneuve-lès-Maguelone de bicicleta. Que delícia ir dar um mergulho depois de quarenta e cinco minutos de pedalada! A praia é realmente muito sossegada (vale destacar que ela é naturista) comparada à de Palavas, que vive cheia no verão. Aqui, você pode ter certeza de que vai ter todo o espaço que precisa, mesmo em pleno mês de agosto.