Santa Cruz de Tenerife, a capital das Canárias que o turismo de massa esqueceu
São 10h da manhã e o cheiro de queijo grelhado se mistura ao de frutas tropicais. No Mercado de Nuestra Señora de África, um vendedor fatia um pedaço de queso ahumado e estende para você sem dizer uma palavra, apenas com um sorriso. Bem-vindo à capital de Tenerife, uma cidade pela qual a maioria dos visitantes passa direto, apressada para chegar às praias do sul. O prejuízo é deles, e a vantagem é toda sua.
A capital sem turistas: combina com você?
Santa Cruz de Tenerife não tem nada de balneário turístico engessado. Estamos falando de uma cidade com 200.000 habitantes que segue seu próprio ritmo, com mesas de bar tomadas por moradores locais e uma vida cultural surpreendente para o tamanho do lugar. O jornal The Guardian já a colocou entre as cinco melhores cidades do mundo para se viver.
Destino recomendado para:
- Quem ama gastronomia local e mercados tradicionais
- Viajantes curiosos que querem fugir do roteiro engessado
- Quem se interessa por arquitetura e movimento urbano
- Famílias com crianças devido às áreas verdes e praias tranquilas
- Foliões em fevereiro para o carnaval, o segundo maior do mundo
Destino não recomendado para:
- Quem busca apenas resort, praia e descanso o dia todo
- Viajantes que esperam um centro histórico colonial monumental
Um orçamento razoável para as Ilhas Canárias
Santa Cruz é bem mais barata que os complexos hoteleiros do sul de Tenerife. Um menú del día completo custa de 10 a 12 € (cerca de 60 a 75 reais) nos dias úteis. As Ilhas Canárias contam com uma alíquota reduzida de IVA de 7%, bem abaixo dos 21% aplicados na Espanha continental.
| Tipo de gasto | Faixa de preço |
|---|---|
| Noite em albergue ou apartamento simples | 30 a 50 € (cerca de 185 a 310 reais) |
| Noite em hotel confortável ou apartamento bem localizado | 60 a 110 € (cerca de 370 a 680 reais) |
| Lanche rápido ou menú del día | 8 a 14 € (cerca de 50 a 85 reais) |
| Refeição em restaurante | 20 a 40 € (cerca de 125 a 250 reais) |
| Transporte e passeios por dia | 10 a 25 € (cerca de 60 a 155 reais) |
| Gasto diário estilo mochileiro | 55 a 80 € (cerca de 340 a 495 reais) |
| Gasto diário confortável | 100 a 160 € (cerca de 620 a 990 reais) |
Clima, idioma e dia a dia
As temperaturas são agradáveis o ano todo, oscilando entre 16 °C e 28 °C de acordo com a temporada. O espanhol é absoluto por lá, e o inglês aparece bem menos do que nos resorts do sul. Saber algumas palavras em espanhol ajuda bastante na comunicação.
A infraestrutura funciona muito bem, com ruas limpas e bem cuidadas. A segurança é alta e não há zonas perigosas a evitar. O ritmo segue o padrão espanhol: jantares tarde da noite, comércio fechando no meio da tarde e domingos de calmaria.
O miolo da cidade: praças e construções
Dá para fazer quase tudo a pé no centro. Comece pela Plaza de España, a maior praça das Canárias, que tem um grande espelho d'água e um chafariz que chega a 30 metros de altura. Logo abaixo dela, uma galeria subterrânea guarda os restos do Castillo de Cristóbal, a primeira fortificação da ilha no século XVI.
A Calle del Castillo, principal calçadão comercial, leva direto à Plaza Weyler e ao Teatro Guimerá, inaugurado em 1851 e considerado o teatro mais antigo do arquipélago. O Parque García Sanabria, maior espaço verde urbano das ilhas com seus 67.000 m², mistura árvores jacarandás com esculturas assinadas por Henry Moore e Joan Miró.
Dica de amigo: na entrada do parque, procure o Reloj de Flores, um relógio feito na Suíça que foi um presente do consulado dinamarquês em 1958. É um dos cartões-postais mais fotografados da cidade.
A orla: Auditório e Palmetum
O Auditorio de Tenerife Adán Martín, projetado por Santiago Calatrava e inaugurado em 2003, é o cartão-postal mais forte da ilha. O formato que lembra uma onda branca contrasta com o azul do Atlântico. Há visitas guiadas em dias úteis por cerca de 5 € (cerca de 30 reais).
Bem ao lado, o Palmetum ocupa um terreno de 12 hectares que funcionava como lixão e virou um jardim botânico impecável. O espaço abriga mais de 600 espécies de palmeiras, formando a maior coleção do gênero na Europa. A entrada custa 6 € (cerca de 35 reais) e a vista do oceano a partir da parte alta compensa cada centavo.
Las Teresitas, San Andrés e as portas de Anaga
A 7 km rumo ao nordeste, a Playa de las Teresitas exibe sua faixa de areia dourada trazida do Saara na década de 1970. Protegida por quebra-mares e sombreada por palmeiras, o mar tranquilo é perfeito para ir com crianças. Há estacionamento gratuito, mas nos meses de verão lota rápido.
O vilarejo pesquero de San Andrés, vizinho à praia, reúne restaurantes simples especializados em peixe fresco com vista para o mar. É o endereço ideal para comer pescado na brasa com preços justos, longe dos valores inflacionados dos resorts.
Dica de amigo: combine a manhã em Santa Cruz com uma trilha à tarde no Parque Rural de Anaga, reserva da biosfera pela UNESCO a cerca de 30 minutos de carro. As florestas de laurisilva, remanescentes da era terciária, não existem em quase nenhum outro lugar da Europa. Saia antes das 15h para escapar da névoa comum nas partes mais altas.
Onde comer e beber em Santa Cruz de Tenerife?
Como os frequentadores são moradores locais, os preços continuam justos. Vale a pena provar as papas arrugadas acompanhadas de molho mojo rojo e mojo verde, o queso asado com mel de palma e a tradicional ropa vieja. Os guachinches, pequenos estabelecimentos familiares sem grande fachada, entregam a comida mais autêntica e barata.
O Bodegón El Puntero, na Calle San Clemente, é tiro certo para pratos de peixe. Já a Calle Domínguez Alfonso, conhecida como La Noria, concentra vários bares de tapas com mesinhas na calçada. Para quem busca alta gastronomia, três casas possuem reconhecimento do guia Michelin: Sagrario, Kazan e Abikore. Na hora de escolher o vinho, peça os rótulos da denominação Tacoronte-Acentejo, cultivados em solo vulcânico.
Onde ficar em Santa Cruz de Tenerife e arredores?
A região ao redor da Plaza de España e da Calle del Castillo funciona melhor para quem quer fazer tudo a pé, com boa oferta de hotéis intermediários e apartamentos de temporada. Se preferir um ambiente mais residencial e arborizado, o entorno do Parque García Sanabria é excelente.
Outra alternativa é se hospedar em San Cristóbal de La Laguna, cidade universitária com título de patrimônio mundial a apenas 15 minutos de bonde, onde as diárias costumam ser mais baixas. Caso viaje durante o carnaval em fevereiro, faça sua reserva com pelo menos dois meses de antecedência, pois os preços sobem e as vagas somem rápido.
Como chegar a Santa Cruz de Tenerife?
Tenerife conta com dois aeroportos internacionais. O aeroporto norte fica a 15 ou 20 minutos de Santa Cruz, enquanto o aeroporto sul, principal porta de entrada para voos de longa distância, exige cerca de uma hora de carro. A partir de capitais europeias, há voos diretos frequentes operados por cias como Vueling, Ryanair, Transavia ou Iberia, com tarifas convidativas fora da alta temporada.
Saindo do aeroporto norte, a linha de ônibus 20 leva à cidade em 15 minutos por 2,65 € (cerca de 16 reais). Do aeroporto sul, a linha 111 demora mais ou menos uma hora e custa 9,35 € (cerca de 58 reais).
Como circular por Santa Cruz de Tenerife?
O miolo central é ideal para ser explorado a pé. Para ir de Santa Cruz a La Laguna, o bonde funciona perfeitamente, com partidas frequentes e passagem a 1,35 € (cerca de 8 reais). A rede de ônibus TITSA atende toda a ilha, e vale a pena comprar o cartão recarregável Ten+ por 2 € (cerca de 12 reais) em tabacarias para garantir desconto de cerca de 20% nas tarifas.
O aluguel de carro continua sendo a melhor alternativa para explorar o Teide, Anaga ou as praias do oeste. Há um estacionamento amplo na Plaza de España, e os táxis operam com taxímetro regulamentado.
Quando ir?
Santa Cruz recebe bem os visitantes o ano todo. Os meses entre julho e outubro trazem temperaturas mais altas e mar convidativo. O carnaval de fevereiro garante uma imersão cultural única, embora traga ruas lotadas e preços inflacionados. O período de transição entre outubro e novembro, além de março a maio, equilibra clima agradável e tranquilidade.
Tenerife é uma ilha maravilhosa com paisagens bem diversificadas. O sul é animado para sair, enquanto o norte é mais típico. Entre suas praias vulcânicas, vilarejos coloridos, muitas trilhas e o impressionante vulcão Teide, sempre tem algo para explorar. Eu adorei os penhascos de Los Gigantes e as várias piscinas naturais. A ilha não é muito grande, mas tem um transporte público meio limitado, então recomendo alugar um carro.