Liège em breve
Principal cidade da Valônia e a terceira maior da Bélgica, Liège é um destino que ainda passa despercebido por muitos viajantes brasileiros, embora sua rica herança histórica e sua proximidade com Paris compensem qualquer desvio.
Um passado ainda vivo
Em uma localização estratégica entre França, Alemanha e Holanda, a cidade atrai entusiastas de história com seu patrimônio que conta com quase 400 monumentos tombados. Caminhar pelo centro histórico revela fachadas de diferentes épocas e estilos arquitetônicos variados. Entre os destaques estão a catedral Saint-Paul, dos séculos XIII a XV; a Prefeitura de Liège, também chamada de La Violette, do século XVIII; o imponente Palais des Princes-Évêques, dos séculos XVI a XIX; e o Ópera Real da Valônia, do século XIX. As diversas igrejas e colegiadas da cidade refletem a forte influência religiosa de sua trajetória.
Vale a pena incluir no roteiro a Cité-Miroir, antigo complexo de banhos e termas públicas transformado em um espaço cultural dedicado a exposições e espetáculos. Quem gosta de museus pode reservar algumas horas para o Grand Curtius, um antigo palacete que abriga mais de 5.000 metros quadrados de acervo em arqueologia, artes decorativas, arte mosana e coleções de armas.
Ar puro e especialidades locais
Liège também sabe se modernizar, como prova a espetacular gare des Guillemins, uma estrutura futurista de vidro e aço projetada pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava no século XXI. Para quem tem fôlego, o desafio é subir a Montagne de Bueren, uma escadaria íngreme com 374 degraus que recompensa o esforço com uma vista panorâmica do mirante do sítio da Cidadela. O passeio pelos Coteaux de la Citadelle é outra opção tradicional para caminhar ou fazer um piquenique nos dias de sol. Logo adiante, o Bois des mineurs transmite a sensação de estar em uma floresta fechada. No caminho, explore as ruelas do bairro Hors-Château, ladeadas por casarões antigos e repletas de flores na primavera.
Depois de tanta caminhada, é hora de experimentar a culinária valona. O grande símbolo da cidade é a famosa gaufre liégeoise, um waffle denso e adocicado com pérolas de açúcar que você encontra em padarias artesanais. A confeitaria Une Gaufrette Saperlipopette, na rue des Mineurs, é uma das mais tradicionais. Para o almoço ou jantar, peça os clássicos boulets (almôndegas de carne bovina e suína ao molho de xarope de Liège) acompanhados de uma cerveja artesanal local.
Quando ir
O clima em Liège não apresenta variações extremas. O verão costuma ser agradável, embora as chuvas apareçam com frequência. As demais estações mantêm um clima predominantemente nublado, mas raramente com frio rigoroso.
Como chegar
É fácil chegar a Liège de carro a partir de Paris, em uma viagem de cerca de 3h50. O trem também é uma opção prática, com o Thalys fazendo o trajeto em apenas 2h30. Para quem vem do Brasil, o caminho mais comum é voar até Bruxelas e seguir de trem ou ônibus por cerca de uma hora até Liège.
Eu fui para lá duas vezes. De primeira, achei difícil entender o apelido de "cidade ardente" que dão para a cidade, que é bem pouco turística. É preciso tirar um tempo para descobrir e redescobrir Liège de verdade para conseguir gostar dela. É uma cidade dinâmica e acolhedora, que fica bem agradável por causa do seu clima de interior. Ela tem vários museus que valem a pena, especialmente o museu da vida valã e o museu de arte moderna. A domingo, tem uma feira gigante onde dá para comprar ótimos produtos locais. Dá para fazer várias trilhas e passeios a pé rumo à montanha de Bueren e aos Coteaux de la Citadelle. Mesmo que Liège não tenha a beleza de Bruxelas ou de Bruges, eu recomendo passar um fim de semana por lá.