A Willis Tower e o dia em que Chicago reinventou a arte de tocar o céu
O elevador leva exatamente 60 segundos para chegar ao 103º andar. Durante esse minuto, uma tela interativa exibe informações na mesma velocidade da cabine, apontando os marcos da cidade à medida que você passa por eles. As portas se abrem e Chicago se espalha sob os seus pés: o traçado perfeito das ruas, o azul profundo do lago Michigan e os telhados dos arranha-céus reduzidos ao tamanho de caixas de fósforos.
Em dias claros, a vista alcança até quatro estados.
Por que visitar a Willis Tower?
Quando a torre foi concluída em 1973, tomou o título de edifício mais alto do mundo da Empire State Building, que o mantinha há quatro anos. Ela manteve o posto por um quarto de século. Esse recorde não foi um capricho de construtores, mas sim o resultado de uma necessidade muito prática. A Sears, Roebuck and Company, então a maior varejista do mundo, precisava reunir seus 350.000 funcionários sob o mesmo teto.
O engenheiro Fazlur Rahman Khan, do escritório Skidmore, Owings & Merrill, projetou um sistema estrutural inédito para isso: o tubo agrupado, composto por nove tubos de aço quadrados montados em uma matriz 3x3.
Essa inovação reduziu a quantidade de aço necessária para apenas 33 libras por pé quadrado, contra 42 da Empire State Building. A ideia surgiu durante um almoço no Chicago Club: o arquiteto Bruce Graham pegou um maço de cigarros, puxou vários cigarros a alturas diferentes e perguntou a Khan se era aquilo que ele estava propondo. Nascia assim a silhueta em degraus da torre, com seus recuos sucessivos.
O Skydeck e o The Ledge: o vazio sob os pés
O observatório mais alto dos Estados Unidos
O Skydeck ocupa o 103º andar, a 412 metros do solo. É o mirante público mais alto do país, nove andares acima do 360 Chicago, localizado no antigo Hancock Center. Em dias de céu limpo, a vista alcança cerca de 80 quilômetros e abrange Illinois, Indiana, Wisconsin e Michigan.
Antes de embarcar no elevador, uma exposição interativa reconta a história de Chicago, abordando sua arquitetura, culinária, bairros e cena musical. Esse espaço moderno, inaugurado durante a reforma de 500 milhões de dólares concluída em 2022, transforma a espera em parte do passeio e vale a pena explorar com calma.
Caminhando no vazio no 103º andar
O The Ledge consiste em quatro varandas totalmente envidraçadas que se projetam a 1,30 metro além da fachada. Três camadas de vidro de um centímetro cada, unidas em um único painel, separam os seus pés do vazio. Cada caixa pesa 3,4 toneladas. O tempo permitido por grupo é de 60 a 90 segundos, mas é possível voltar para a fila quantas vezes quiser. Uma dica útil é desativar o flash da câmera para evitar reflexos no vidro.
Dica de amigo: os horários costumam lotar rapidamente no verão. Compre seus ingressos online e programe-se para chegar logo na abertura, às 9h, em dias úteis para pegar menos filas. Uma visita noturna, com a cidade iluminada, proporciona uma atmosfera totalmente diferente e filas bem menores.
Catalog: a torre também tem os pés no chão
A revitalização liderada pela Blackstone não se limitou ao Skydeck. Na base da torre, o Catalog reúne 28.000 m² de restaurantes e lojas distribuídos em cinco andares. O nome é uma homenagem ao catálogo de vendas por correspondência da Sears, que revolucionou o comércio americano no início do século XX. O local abriga unidades do Shake Shack, do Tortazo do chef Rick Bayless, Do-Rite Donuts, Sweetgreen e um praça de alimentação operada pela Urbanspace.
No topo do Catalog, um terraço ajardinado de 2.800 m² fica aberto ao público. Três colmeias abrigam ali 60.000 abelhas. A área recebe shows durante o verão e oferece um ângulo interessante da base do prédio, onde os 110 andares sobem verticalmente bem acima da sua cabeça.
Horários
*Informações sujeitas a variação
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