Big Ben, o sino rachado que marca as horas em Londres desde 1859
São exatamente doze horas. Do alto de seus 96 metros, a torre emite doze batidas graves que ecoam sobre o rio Tâmisa e fazem vibrar o calçamento de Westminster. Esse som profundo, um mi ligeiramente aveludado, deve sua tonalidade única a uma rachadura que apareceu poucas semanas após a entrada em funcionamento do sino, em 1859. É precisamente essa imperfeição que torna o Big Ben inconfundível.
Por que visitar o Big Ben ?
O nome gera confusão, o que é ótimo para puxar assunto. O Big Ben designa o sino de 13,7 toneladas suspenso no topo da Elizabeth Tower, e não a torre em si. O relógio, por sua vez, chama-se Great Westminster Clock. O conjunto faz parte do palácio de Westminster, sede do Parlamento britânico e patrimônio mundial da UNESCO desde 1987. Projetada pelos arquitetos Charles Barry e Augustus Pugin no estilo neogótico, a torre foi concluída em 1859 para substituir o antigo palácio destruído por um incêndio em 1834.
Além do peso político, o Big Ben representa um pedaço vivo da engenharia vitoriana. O relógio funciona sem interrupções maiores há mais de 160 anos, e sua precisão é mantida graças a um sistema tão rudimentar quanto eficaz: velhas moedas de um centavo pré-decimal ficam empilhadas sobre o pêndulo. Adicionar uma única moeda acelera o relógio em 0,4 segundo por dia. Desde a restauração recente, a sincronização passou a ser feita por GPS através do National Physical Laboratory (laboratório nacional de física do Reino Unido), mas os centavos continuam lá.
Uma restauração espetacular que devolveu as cores à torre
Entre 2017 e 2022, a Elizabeth Tower passou pelo maior projeto de conservação de sua história: cinco anos de obras e um orçamento de 80 milhões de libras (cerca de 580 milhões de reais), o dobro da estimativa inicial. Os artesãos desmontaram e restauraram as 1.000 peças do mecanismo do relógio, limparam pedra por pedra a fachada enegrecida pela poluição e substituíram os 312 painéis de vidro opalescente de cada mostrador.
A surpresa veio das camadas de tinta. Ao raspar o tom escuro aplicado na década de 1930 para disfarçar os efeitos da fuligem, os restauradores descobriram a paleta original de 1859: um impressionante azul-prussiano realçado com dourado, acompanhado pelo vermelho, branco e azul da bandeira britânica nos elementos decorativos. Os escudos heráldicos que representam as quatro nações do Reino Unido foram repintados conforme os desenhos de Barry, com a rosa inglesa, o cardo escocês, o trevo irlandês e o alho-poró galês. Esse azul profundo contrastando com as douradas dá à torre uma elegância que o preto não deixava transparecer.
Subir na torre: 334 degraus e uma experiência sensorial intensa
Desde 2023, as visitas guiadas à Elizabeth Tower estão abertas a visitantes internacionais, uma estreia na história da torre. O percurso dura 90 minutos e exige esforço físico: 334 degraus em caracol por uma escada estreita, sem elevador. Mochilas e câmeras fotográficas ficam no guarda-volumes, sem exceções.
O que espera por você lá dentro
O guia começa pelo Westminster Hall, a parte mais antiga do palácio, antes de passar por uma pequena porta de madeira que dá acesso exclusivo à torre. Na subida, você atravessa salas de exposição que recontam as etapas da restauração. No degrau 114 fica uma sala escura que antigamente servia de cela de prisão para parlamentares indisciplinados. O último detento, Charles Bradlaugh, passou uma noite ali em 1880 por recusar o juramento sobre a Bíblia.
Mais acima, a sala do maquinário revela as engrenagens monumentais e os pesos de mais de uma tonelada. O ponto alto é o campanário, onde o sino Big Ben pendura-se a poucos metros de distância. Se você estiver lá na hora da batida, prepare os ouvidos: o som chega a 118 decibéis. Protetores auriculares são fornecidos. Por fim, a passagem por trás dos mostradores oferece um momento suspenso, com a luz filtrando através do vidro opalescente enquanto os ponteiros de 4,2 metros giram lentamente diante de seus olhos.
Dica de amigo : reserve o horário das 10h para estar no campanário por volta das 11h, quando o sino toca onze vezes. A experiência é bem mais marcante do que com uma ou duas batidas no meio da tarde. Os ingressos esgotam em menos de dez minutos no momento da venda, na segunda quarta-feira de cada mês às 10h no horário de Londres. Abra a página alguns minutos antes com o cartão bancário em mãos.
Admirar o Big Ben do lado de fora: os melhores pontos de vista
A margem sul do Tâmisa, bem embaixo da Westminster Bridge, oferece o enquadramento mais fotogênico. Uma passagem em arco sob a ponte permite enquadrar a torre na estrutura de pedra, com o rio em primeiro plano. O local virou febre nas redes sociais. Para a foto clássica com as cabines telefônicas vermelhas, siga para a Great George Street, em frente ao jardim da Parliament Square. Prefira o início da manhã em dias úteis para fugir das filas.
À noite, os 28 refletores de LED que iluminam os quatro mostradores reproduzem o brilho da época do gás vitoriano. Quando o Parlamento está em sessão, a lanterna Ayrton Light brilha no topo da torre, um sinal luminoso usado desde o século XIX para avisar os londrinos que seus representantes estão trabalhando.
- A intensidade física e sensorial da subida, bem distante de um passeio de museu tradicional
- A restauração impecável que revelou as cores originais, um azul-prussiano marcante
- A oportunidade de ficar bem perto do sino no momento das batidas
- A passagem por trás dos mostradores, com a luz atravessando o vidro opalescente
- Os ingressos somem em poucos minutos, exigindo estratégia e rapidez
- 334 degraus sem elevador, contraindicado para quem tem problemas cardíacos ou claustrofobia
- Fotos e vídeos são proibidos no interior da torre
- Visita guiada realizada exclusivamente em inglês
Preços indicativos das visitas guiadas à Elizabeth Tower
Valores indicativos sujeitos a alteração
Foi o primeiro lugar que eu queria ver em Londres! A partir da ponte de Westminster, bem do lado, a gente tem uma vista muito bonita de Big Ben. Fiquei impressionada com a delicadeza da arquitetura e o tamanho do edifício, bem mais imponente do que eu imaginava. Infelizmente, me contentei em admirar tudo de fora. Impossível conseguir um ingresso para visitar a torre. Não vacila mesmo na hora de reservar, que abre na segunda quarta-feira do mês.