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Lembranças de uma viagem de intercâmbio escolar para a Alemanha

Traduzido do francês — Ver o original em francês

Reinvento minhas memórias de um intercâmbio escolar na Alemanha, onde passei duas semanas com a família do meu correspondente.

Levar alunos do fundamental II, as crianças mais obedientes do mundo, como todos sabem, para uma viagem de intercâmbio de duas semanas na Alemanha... Essa é a aposta maluca de alguns professores, incluindo o meu na <strong>sétima série</strong>.

Eu era jovem, confiante no futuro, ainda inocente, quando atravessei a fronteira pela primeira vez na vida para me hospedar por umas duas semanas na casa do meu correspondente. É sobre essa verdadeira epopeia que gostaria de falar hoje, esperando que minha experiência possa ajudar futuros jovens germanistas.

<h2>I - Cortar o cordão umbilical</h2>

Deixar a família por alguns dias parece fácil no papel. Mas deixá-la para aterrissar em um país estrangeiro, cuja língua mal falamos, acaba sendo muito mais difícil do que pensamos! Nós tínhemos acabado de começar a aprender alemão como segunda língua estrangeira.

Quase dez horas de ônibus. Dez horas, o que equivale a uma eternidade para um pirralho: a viagem rapidamente assume ares de drama de confinamento de Hollywood, a tensão sobe e atinge o ápice quando o eterno aluno enjoado começa a passar mal. Todo mundo prende a respiração: vai vomitar? Não vai? Felizmente, o motorista planejou fazer algumas paradas para pegar um ar e esticar as pernas.

<p><img alt="10h de bus..." src="/Avygeo/uploads/1/articles/thumb_pic_670414a024952.jpg" style="height:380px; width:570px"/></p>

<em>Saída bem cedo pela manhã, ainda bem que dá para terminar o sono no ônibus</em>

Uns dez quilômetros antes da fronteira, deixam você aproveitar as instalações de um posto de gasolina na estrada. Não é necessariamente muito limpo, mas a gente se contenta. Rapidamente, aproveitamos os últimos minutos em que ainda podemos enviar mensagens de texto sem taxas abusivas e, apesar do cansaço, abrimos bem os olhos para absorver a paisagem, ainda francesa, ao nosso redor.

<h2>II - Do outro lado do espelho</h2>

<h3>França e Alemanha, dois países bastante parecidos à primeira vista</h3>

O momento da verdade se aproxima, o professor anunciou: daqui a alguns minutos, <strong>vamos cruzar a fronteira</strong>! Um mundo novo se abre para nós, o estrangeiro fará parte do nosso dia a dia pelas próximas duas semanas. Maravilhado, a gente espera algo grandioso...

<p><img alt="Vache allemande ou fran&#xE7;aise ?" src="/Avygeo/uploads/1/articles/thumb_pic_6704182ff02e8.jpg" style="height:380px; width:570px"/></p>

Mas não, nada de tapete vermelho, nada de guarda de honra, apenas um controle simples de rotina para o motorista e, pronto, finalmente estamos na <strong>Alemanha</strong>. Poder circular livremente pelo espaço Schengen é extremamente prático, mas para jovens com a imaginação fértil como a minha, há motivos para frustração. As paisagens são parecidas, até as vacas têm a mesma cara!

Eu estava, portanto, um pouco decepcionado (embora também um tanto aliviado) quando, de repente, eu a VI. <strong>A diferença entre os dois países</strong>, duas mentalidades completamente opostas. O local dessa revelação não foi outro senão um posto de estrada alemão.

<h3>Mas o choque cultural está à espreita!</h3>

Sim! Você já deve ter adivinhado! <strong>Os BANHEIROS</strong>, as toaletes! Por mais estúpido que possa parecer, foi lá que pela primeira vez pude constatar uma diferença radical. Eles eram limpos, mais do que limpos, reluziam. O único porém: eram <u><strong>pagos</strong></u>.

Eu sei, banheiros limpos e pagos também existem na França. Mas, por ter parado em muitos postos de estrada durante minhas peregrinações, devo dizer que é bastante raro ver isso em tais lugares.

<p><img alt="Choc des cultures dans les WC" src="/Avygeo/uploads/1/articles/thumb_pic_577bc8c4b6709.jpg" style="height:568px; width:570px"/><em> </em></p>

<em>É melhor ter um pouco de trocado com você para pagar...</em>

Enfim, foi maravilhado, mas também sentindo o baque da cultura diferente (ver todos aqueles jornais escritos em alemão aperta um pouco o coração), que desci do ônibus tarde da noite (estávamos no inverno, já estava escuro às 18h) e conheci meu correspondente.

<h2>III - Encontro entre duas culturas. E quem sabe algo a mais</h2>

<h3>A dificuldade de se comunicar em outra língua</h3>

Pronto, eu tinha chegado a <strong>Rüsselsheim</strong>, uma cidadezinha perto de <strong>Frankfurt</strong>. Lá estava eu, sozinho com pessoas que falavam apenas algumas palavras de francês, eu que só sabia falar três palavras em alemão. Essa perspectiva pode angustiar algumas pessoas, mas saiba que a gente sempre dá um jeito de se fazer entender. É claro que não daria para embarcar em um debate filosófico com nosso interlocutor, mas com gestos e algumas palavras que soam vagamente alemãs, conseguimos trocar o mínimo.

<h3>Uma família anfitriã acolhedora e aberta</h3>

Além disso, vale ressaltar que as pessoas que recebem os correspondentes estrangeiros de seus filhos em casa costumam ser bastante abertas. Quando alguém inscreve o filho em um programa assim, tem consciência de que isso significa que o correspondente passará um tempo em sua casa, então fazem o melhor para recebê-lo bem.

<strong>Se, apesar de tudo, as coisas derem errado, o professor está lá para resolver os conflitos</strong> e, se necessário, encontrar outra família anfitriã. Nenhum problema do meu lado, tive direito a uma recepção calorosa. Eles chegaram ao ponto de prestar homenagem à gastronomia francesa comprando para o jantar da minha chegada uma <strong>baguete</strong> e... o indefectível <strong>camembert</strong>!

<p><img alt="Le fameux Camenbert" src="/Avygeo/uploads/1/articles/thumb_pic_577bc9e50212e.jpg" style="height:428px; width:570px"/><em> </em></p>

Um bom pedaço de camembert e pronto! A gente já se sente em casa.

Claro que também podemos dar menos sorte. Um dos meus amigos foi parar na casa de um correspondente alemão, é verdade, mas cujos pais falavam exclusivamente chinês. Nem precisa dizer que ele se sentiu meio perdido! Mesmo que tenha sido a oportunidade de descobrir um pouco de outra cultura.

Conclusão

Uma viagem escolar para um país estrangeiro é uma boa ideia? Eu acho que sim. Tendo feito quatro ao longo da minha vida escolar, sempre aproveitei muito, mesmo que da primeira vez possa ser um pouco intimidante. Tive a impressão de crescer um pouco a cada vez e de me adaptar mais facilmente. Dizem que viajar educa a juventude. É claro que nem tudo é perfeito, há imprevistos, mas no fim das contas guardamos ótimas lembranças e é frequentemente a oportunidade de fazer novos amigos.

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