Remich, a vila vinícola onde Luxemburgo desacelera
O ponte cruza o Mosela e, de repente, a Alemanha desaparece atrás de você. Um calçadão à beira-rio cercado por cerejeiras se estende por três quilômetros. Mesas de café transbordam para a calçada, enquanto o ar carrega um aroma suave de folhas de videira e calcário.
Bem-vindo à pequena capital do vinho luxemburguês, um vilarejo de 3.600 habitantes onde os romanos já cultivavam uvas há dois milênios.
Uma escapada para quem busca tranquilidade
Este destino é voltado para quem aprecia os prazeres simples da vida. Os entusiastas do vinho encontram aqui uma concentração de excelência com caves centenárias, degustações generosas e produtores acessíveis. Quem gosta de pedalar vai curtir a ciclovia que margeia o rio até Schengen ou Tréveris.
As famílias aproveitam os passeios de barco pelo rio e a piscina ao ar livre durante o verão.
Não é para quem busca agito
Quem procura vida noturna agitada ou grandes atrações vai achar o ritmo um pouco lento. A cidade fecha cedo, os restaurantes são escassos e as compras se resumem a algumas lojinhas de souvenirs. Trata-se de Luxemburgo em sua versão mais pacífica e interiorana.
Um destino prático e multilíngue
O luxemburguês se mistura com o francês, o alemão e o inglês sem qualquer dificuldade. A sensação de segurança é total. Desde março de 2020, todo o transporte público do Grão-Ducado é gratuito.
Orçamento: o lado caro da viagem
Luxemburgo continua sendo um destino caro. Espere gastar de 90 a 150 euros (cerca de 550 a 920 reais) por um quarto de hotel confortável e de 25 a 40 euros (cerca de 150 a 245 reais) por uma refeição na esplanada. As degustações nas caves variam de 9 a 14 euros (cerca de 55 a 85 reais) por pessoa.
As caves do Mosela: mergulho na rocha calcária
As Caves St Martin, escavadas entre 1919 e 1921 em um maciço de calcário, são o grande destaque de qualquer visita. Cerca de um quilômetro de galerias subterrâneas mantidas a 12°C abrigam milhares de garrafas de crémant de Luxemburgo.
Este vinho espumante é produzido pelo método tradicional. A visita guiada dura cerca de 45 minutos e termina com uma degustação generosa. Leve um casaco, pois lá embaixo é fresco.
O Pavillon Saint-Martin, bem ao pé da encosta, permite estender a experiência com alta gastronomia de frente para o rio Mosela. Várias outras vinícolas pontuam a região, como o Domaine Claude Bentz, o Domaine Kox e a Benoît & Claude Viticulteurs.
Dica de amigo: reserve suas visitas às caves online com antecedência, especialmente nos finais de semana. Os horários esgotam rápido na alta temporada.
A esplanada e os cruzeiros fluviais: o Mosela em ritmo contemplativo
A esplanada de Remich acompanha o rio por três quilômetros e funciona como o coração da cidade. Os cafés alinham-se de frente para a água, cisnes nadam tranquilamente e barcos deslizam sem fazer barulho.
No fim da tarde, a luz dourada sobre os vinhedos alemães na outra margem cria um cenário relaxante.
A empresa Navitours oferece cruzeiros panorâmicos de uma hora em direção aos vilarejos vinícolas de Stadtbredimus, Bech-Kleinmacher e Schwebsange. No caminho, avista-se a reserva natural Haff Réimech, antigas áreas de extração de cascalho transformadas em refúgio para aves.
A Rota do Vinho de bicicleta: de Schengen a Grevenmacher
A ciclovia PC3 liga Schengen a Wasserbillig seguindo o curso do rio Mosela. Plana e muito bem conservada, ela atravessa as vilas produtoras de vinho mais bonitas de Luxemburgo.
Partindo de Remich, são cerca de dez quilômetros para o sul até chegar a Schengen, onde um monumento marca a assinatura dos famosos acordos de livre circulação. Para o norte, a rota passa por Ehnen, Wormeldange e Grevenmacher.
O serviço RentaBike Miselerland aluga bicicletas tradicionais e elétricas diretamente na cidade. O melhor de tudo é que o transporte público local transporta bicicletas de graça.
Onde comer e beber em Remich?
A friture de la Moselle domina os cardápios locais. Esses peixinhos fritos, servidos crocantes com molho tártaro, combinam perfeitamente com uma taça de Riesling ou Auxerrois da região.
O lucyo com molho de manteiga branca é outro clássico imperdível. Quem quiser arriscar pode provar o Judd mat Gaardebounen, um lombo de porco defumado com favas que é considerado o prato nacional de Luxemburgo.
O restaurante do Hôtel-Restaurant L'Esplanade serve pratos franco-luxemburgueses refinados há 45 anos. Já o Pavillon Saint-Martin aposta em um visual mais moderno de frente para a água. Para um clima descontraído, o Tiny Bar monta espreguiçadeiras em uma praia de areia artificial.
Onde dormir em Remich e arredores?
O Hôtel-Restaurant L'Esplanade tem uma localização imbatível à beira do rio, com 18 quartos, alguns com vista para a água. Os pacotes com foco gastronômico começam em torno de 145 euros (cerca de 890 reais).
O Hôtel Hui Feng, mais simples, oferece 8 quartos tranquilos com vista para o rio. Para uma estadia com spa, o Domaine la Forêt, nas proximidades, conta com suítes espaçosas, piscina coberta e sauna.
O albergue da juventude de Remerschen, localizado a poucos quilômetros em direção a Schengen, é uma opção econômica.
Como chegar e circular em Remich?
Saindo de Luxemburgo-Ville, o ônibus 413 faz o trajeto entre a estação central e Remich em cerca de 40 minutos, com saídas a cada meia hora. Lembre-se de que o transporte público é totalmente gratuito no país.
De carro, a viagem leva 25 minutos pela rodovia A13 e depois pela N10. Vindo de Paris, o trem de alta velocidade TGV chega a Luxemburgo em 2h10. De Metz, na França, pegue um trem regional TER por uma hora e depois complete o trajeto com 40 minutos de ônibus.
O aeroporto de Luxembourg-Findel fica a 15 km de distância. Para quem vem de Tréveris, na Alemanha, a ciclovia acompanha o rio Mosela por 50 km.
Quando ir?
A melhor época vai de maio a setembro, quando as mesas ao ar livre ganham vida e os vinhedos ficam bem verdes. Julho e agosto costumam atrair mais movimento nos fins de semana.
A época da colheita das uvas, em setembro, traz um clima especial para as vilas vinícolas, com o festival Bacchusfest celebrando a produção local no outono. No inverno, Remich se recolhe e vários estabelecimentos fecham as portas.
Localizada bem pertinho da fronteira alemã, Remich é uma cidade pouco conhecida e com um visual muito agradável. Banhada pelo rio Mosela, pela belíssima floresta Réimecher Bësch e por vinhedos famosos, é o destino perfeito para um bate-volta de um dia em meio à natureza. Várias trilhas de caminhada cruzam a floresta. O rio Mosela também oferece ótimos passeios a pé, de caiaque ou de barco. Os melhores vinhos de Luxemburgo podem ser degustados por lá, como o Riesling, o Pinot Gris e o Crémant. Eu recomendo as caves Saint-Martin.