Mialet, terra de resistência e de águas vivas
Pierre Laporte nasceu aqui em 3 de janeiro de 1680. Filho de um cardador de lã, ele se tornaria, sob o codinome de Rolland, um dos líderes mais temidos da guerra dos Camisards. Sua casa natal, no vilarejo de Mas Soubeyran, abriga hoje o maior museu de história protestante da França.
Este vilarejo de 638 habitantes espalhados por oito povoados guarda a memória de um século de resistência clandestina nos vales das Cevenas. As cavernas serviam de refúgio, as florestas de locais de culto, e os caminhos de pedra seca de rotas de fuga.
Para os amantes da história e de rio selvagem
Este vilarejo atrai os entusiastas da história religiosa e os praticantes de trekking em busca de natureza preservada. Quem procura o agito de um balneário ou a infraestrutura de uma cidade grande vai se decepcionar. Aqui, não há comércio de centro, não há restaurante gastronômico e nem vida noturna. O rio Gardon de Mialet corre entre as rochas, os castanheiros cobrem as encostas, e o silêncio só é quebrado pelo canto das cigarras no verão.
Uma caminhonete ou carro é indispensável para alcançar as atrações e os vilarejos vizinhos. O ritmo de vida exige calma: banho de rio pela manhã antes do calor, visita no período da tarde quando as cavernas oferecem frescor, e caminhada no fim do dia pelas trilhas que margeiam as águas. Reserve de dois a três dias para explorar o vale sem pressa.
Um orçamento razoável para um destino de natureza
A hospedagem em camping ou gîte custa entre 40 e 100€ por noite (cerca de 250 a 620 reais), dependendo do conforto escolhido. Os ingressos para o Musée du Désert e para a Grotte de Trabuc custam cerca de 25€ por adulto (cerca de 155 reais). As atividades na natureza, como trilhas ou banhos de rio, são gratuitas.
O Musée du Désert: compreendendo um século de clandestinidade
O termo «Désert» designa o período de 1685 a 1789, desde a revogação do Édito de Nantes até a Revolução Francesa. Durante um século, os protestantes cevenóis praticavam sua fé em segredo, nas cavernas, nas matas e nos vales isolados. O museu ocupa vinte salas no povoado de Mas Soubeyran e preserva mais de 3.000 objetos, como bíblias escondidas em paredes falsas, púlpitos portáteis desmontáveis, armas de combatentes e registros clandestinos de batismos e casamentos.
A casa de Rolland expõe os esconderijos embutidos nas paredes espessas e sob os assoalhos. Os visitantes descobrem a reconstituição de uma vigília cevenola, cartazes do poder real prometendo recompensas pela captura dos «fanáticos» e gravuras que retratam os protestantes condenados às galés. O museu recebeu o selo «Maison des Illustres» em 2012 e funciona como ponto de partida para o caminho internacional «Sobre os Passos dos Huguenotes», reconhecido como itinerário cultural do Conselho da Europa.
Dica de amigo: todo primeiro domingo de setembro, a Assemblée du Désert reúne de 15.000 a 20.000 pessoas para um culto ao ar livre, revivendo o espírito das reuniões clandestinas do passado. Reserve sua hospedagem com meses de antecedência.
A Grotte de Trabuc: cem mil soldados subterrâneos
Os Camisards se escondiam ali no século XVIII. Bandidos armados com bacamartes buscaram refúgio no local no século XIX, origem do nome «Trabuc» em occitano. O sistema subterrâneo se estende por mais de 10 quilômetros, mas o trecho turístico organizado pode ser percorrido em cerca de uma hora. A temperatura se mantém constante a 14 graus, então leve um casaco.
A particularidade desta caverna está na sua «sala dos 100.000 soldados». Milhares de pequenas concreções minerais com poucos centímetros de altura cobrem o chão e as paredes. A formação delas ainda intriga os geólogos. Alguns as comparam aos guerreiros de terracota do mausoléu do imperador Qin, na China. O Lac de Minuit, com suas águas em tons de azul-turquesa, proporciona um dos cenários mais bonitos do trajeto.
No verão, visitas guiadas acompanhadas substituem o audioguide. Os eventos noturnos chamados «A Caverna se Incendeia» iluminam as galerias com 1.600 velas. O tour com lampião a carbureto, seguindo os passos dos primeiros exploradores, entrega uma vivência mais imersiva para adultos e adolescentes.
O Gardon de Mialet: águas límpidas e pedras quentes
Este rio de 21 quilômetros, classificado como área Natura 2000, oferece os melhores pontos de banho das Cevenas. A água, de transparência cristalina, ganha nuances verde-azuladas na primavera e esquenta o suficiente no verão para longas permanências. Castores e lontras habitam o ecossistema, atestando a pureza ambiental. Os moradores conhecem as piscinas naturais profundas para nadar, as praias de pedregulhos para tomar sol e as rochas para saltar na água.
O pont des Camisards, tombado como Monumento Histórico, data do século XVIII. Construído entre 1714 e 1718, destruído por uma enchente dois anos depois, ele só foi restaurado em 1782. É possível nadar em ambos os lados da construção. O pont des Abarines, mais recente, garante outro acesso ao rio com uma faixa de areia e cascalho muito concorrida sob o seu vão mais alto.
Dica de amigo: chegue cedo pela manhã no verão para fugir do calor intenso e aproveitar a calmaria. O volume de água diminui bastante em agosto, portanto prefira junho ou setembro para as condições ideais de banho.
Trilhas e passeios a partir do vale
Uma rota circular de duas horas conecta o Mas Soubeyran ao vilarejo de Mialet, acompanhando as margens do Gardon. A trilha atravessa um bosque de bambus antes de chegar ao rio. O retorno pela margem oposta revela ângulos diferentes sobre a correnteza.
O caminho de Stevenson passa por perto. O escritor escocês Robert Louis Stevenson concluiu em 1878 sua caminhada de 220 quilômetros em Saint-Jean-du-Gard, a poucos quilômetros de Mialet. Várias agências locais organizam caminhadas acompanhadas por um burro para reviver essa jornada. O Trem a Vapor das Cevenas conecta Anduze a Saint-Jean-du-Gard em um percurso de 13 quilômetros, com parada opcional na Bambouseraie, um jardim exótico de 34 hectares reconhecido como Jardim Notável.
Onde comer e beber em Mialet?
As alternativas de refeição são escassas dentro do próprio vilarejo. O parque de animais, perto do pont des Abarines, conta com um quiosque de lanches rápidos. Em Saint-Jean-du-Gard, o restaurante L'Arrêt Gourmand, situado na plataforma da estação do trem a vapor, serve pratos caseiros despretensiosos. Os campings do vale costumam ter lanchonetes e estruturas de refeição no local.
Para provar os itens da região, a feira livre de Saint-Jean-du-Gard nas terças-feiras de manhã expõe os queijos de cabra pélardon, castanhas preparadas de diversas formas, mel das Cevenas e hortaliças colhidas por produtores locais. As hospedagens do tipo gîte frequentemente oferecem meia-pensão com receitas baseadas na culinária típica.
Onde dormir em Mialet e arredores?
Os campings margeiam o Gardon e asseguram acesso direto ao rio. O camping Les Plans disponibiliza áreas de barraca à beira d'água. O Mas de la Cam, um camping 4 estrelas com piscina, também aluga casas de pedra para quem prioriza a solidez de uma construção em alvenaria.
As pousadas e gîtes se espalham pelos povoados vizinhos. O Gîte Le Cambon, instalado em uma antiga fazenda cevenola restaurada com materiais ecológicos, acomoda até 15 pessoas em regime de meia-pensão. O acesso direto à trilha de Stevenson permite iniciar caminhadas sem tirar o carro da garagem. Para mais alternativas, Anduze e Saint-Jean-du-Gard concentram hotéis e estadias diversificadas a cerca de dez minutos de carro.
Como chegar e circular em Mialet?
De carro partindo de Nîmes, conte 50 minutos seguindo em direção a Alès e depois Anduze. Saindo de Montpellier, pegue a rodovia rumo a Lyon, saia em Lunel e continue por Sommières, Quissac e Anduze, em um trajeto de aproximadamente 1h15. Ônibus de linha ligam Alès a Saint-Jean-du-Gard e atendem o vale, mas o carro continua sendo o meio mais eficiente para explorar a área.
As estações de trem de alta velocidade mais próximas ficam em Nîmes e Montpellier. A estação de Alès permite continuar até o vale de ônibus ou táxi. Os aeroportos de Montpellier e Nîmes mantêm voos com as principais capitais europeias. Uma vez no destino, o trânsito flui bem mesmo durante a alta temporada, e os estacionamentos das atrações são gratuitos.
Quando ir?
A época mais propícia vai de maio a setembro, com preferência para junho e setembro, que combinam temperatura agradável e bom volume de água nos rios. Julho e agosto atraem grandes públicos para os locais de banho, e os termômetros ultrapassam com frequência os 35 graus. A Assembleia do Deserto, realizada no primeiro domingo de setembro, transforma o vilarejo de Mas Soubeyran em um polo de peregrinação histórica.
Eu curti bastante a visita a esse vilarejo com uma identidade bem marcante das Cévennes. Ele é cercado por uma vegetação bem densa. Mas o que eu mais gostei foi a ponte sobre o rio. Também dá para descer bem perto. O lugar todo tem muito charme. Atenção: ao primeiro sinal de tempestade, caiam fora. As chuvas são fortes demais na região.