Dubai, a cidade que não para de se reinventar
Cinquenta anos atrás, tudo o que havia aqui era areia, pescadores de pérolas e alguns comerciantes de especiarias. Hoje, a torre Burj Khalifa rasga o céu a 828 metros de altura, ilhas artificiais em formato de palmeira emergem do Golfo Pérsico e é possível esquiar bem no meio do deserto, dentro de um shopping gigante. A metrópole dos Emirados Árabes Unidos fascina, às vezes incomoda, mas nunca passa despercebida.
O playground dos superlativos, mas com muito mais a oferecer
Sendo bem direto. Se a sua ideia de viagem envolve vielas medievais e colinas verdejantes, melhor escolher outro destino. Mas resumir esta metrópole apenas a arranha-céus e luxo ostentatório seria perder de vista uma realidade bem mais rica. Atrás da fachada de vidro e aço, soucos centenários margeiam as águas do Creek, e duzentas nacionalidades conviven no dia a dia.
Destino adequado para:
- Amantes de compras e arquitetura contemporânea
- Famílias com crianças, graças a parques aquáticos e atrações de nível internacional
- Viajantes em busca de praia e sol garantido durante o inverno
- Gourmets curiosos: a cena culinária é uma das mais cosmopolitas do planeta
- Quem busca adrenalina, desde passeios no deserto até esportes náuticos
Destino inadequado para:
- Viajantes em busca de patrimônio histórico antigo ou natureza intocada
- Orçamentos apertados que não abrem mão de conforto
- Quem lida mal com calor extremo e ar-condicionado em todo lugar
- Quem procura uma vida noturna boêmia, livre e barata
Atenção, orçamento flexível
Ao contrário do que muita gente pensa, passar uns dias aqui não custa necessariamente uma fortuna. O transporte público é muito barato, a culinária de rua é acessível e os hotéis oferecem excelente custo-benefício na baixa temporada. O que pesa no bolso são as experiências de luxo e as atrações pagas.
| Tipo de gasto | Faixa de preço |
|---|---|
| Diária em hostel ou hotel básico | 120 AED a 220 AED (cerca de 180 a 335 reais) |
| Diária em hotel confortável 3 a 4 estrelas | 280 AED a 600 AED (cerca de 425 a 915 reais) |
| Refeição rápida (shawarma, falafel, batata frita) | 16 AED a 32 AED (cerca de 25 a 50 reais) |
| Refeição em restaurante intermediário | 60 AED a 120 AED (cerca de 90 a 185 reais) |
| Transporte e um passeio para o dia | 60 AED a 200 AED (cerca de 90 a 305 reais) |
| Orçamento mochileiro por dia | 200 AED a 320 AED (cerca de 305 a 490 reais) |
| Orçamento confortável por dia | 480 AED a 800 AED (cerca de 730 a 1.220 reais) |
O que você precisa saber antes de viajar
O clima é o fator determinante. Entre outubro e abril, as temperaturas ficam entre 24°C e 30°C, marcando a alta temporada turística. De junho a setembro, os termômetros ultrapassam regularmente os 45°C e a alta umidade torna qualquer caminhada na rua cansativa. As infraestruturas são impecáveis: ruas perfeitas, metrô moderno e Wi-Fi por toda parte.
Quase todo mundo fala inglês. Quem viaja com passaporte brasileiro não precisa de visto para estadias de até 90 dias. O fuso horário em relação ao horário de Brasília é de mais 7 horas no horário padrão ou mais 6 horas durante o horário de verão brasileiro.
Quem viaja com outra nacionalidade deve conferir as regras específicas do próprio passaporte.
Regras de conduta a seguir
Este é um ponto fundamental. As leis dos Emirados são rígidas e valem para todos, incluindo turistas. O consumo de bebida alcoólica é restrito a estabelecimentos licenciados, como hotéis, bares e restaurantes autorizados. Embriaguez em vias públicas é crime passível de punição severa. Demonstrações públicas de afeto devem ser evitadas, assim como fotografar pessoas sem autorização, especialmente mulheres.
Quanto às roupas, não precisa entrar em pânico: ninguém vai exigir que você cubra da cabeça aos pés. No entanto, fora das praias e piscinas, prefira roupas que cubram ombros e joelhos, sobretudo em souks, mesquitas e prédios governamentais. Durante o mês do ramadã, procure ser discreto ao comer ou beber em público.
Mulheres podem viajar sozinhas para Dubai?
Sim, e com uma sensação de segurança muito alta. O índice de criminalidade é um dos menores do mundo. O metrô conta com vagões exclusivos para mulheres e crianças. Os táxis do serviço Ladies, dirigidos por motoristas mulheres, podem ser chamados pelo aplicativo S'hail. Uber e Careem funcionam com perfeição. Cantadas ou assédio nas ruas são raros e punidos com rigor.
Downtown e a região do Creek: entre a vertigem e a tradição
O Downtown é o coração turístico da cidade. A torre Burj Khalifa domina a paisagem. Do 124º andar, avista-se o arquipélago The World, formado por duzentas e cinquenta ilhas artificiais que formam um mapa-múndi. O espetáculo da Dubai Fountain, nos pés da torre, acontece todas as noites a cada trinta minutos a partir das 18h. É gratuito e impressionante.
O Dubai Mall é uma cidade dentro da cidade: mil e duzentas lojas, um aquário gigante, pista de patinação no gelo e cinema. É perfeitamente possível passar meio período por lá sem fazer nenhuma compra.
Dica de amigo: os ingressos para subir ao Burj Khalifa entre 8h e 10h da manhã custam cerca de 40% mais baratos do que no horário do pôr do sol. A vista é igualmente incrível e você foge das multidões.
Em contraste com esse visual futurista, o bairro histórico de Al Fahidi oferece uma verdadeira viagem no tempo. Suas casas com torres de vento feitas de pedra de coral datam do século XIX. O forte Al-Fahidi, construção mais antiga da cidade, abriga o museu local. Bem pertinho dali, o pequeno Coffee Museum conta a história da relação entre a região do Golfo e o comércio de café.
Deira e os souks: a alma comercial da cidade
Atravesse o Creek a bordo de um abra, o barquinho de madeira tradicional que faz a travessia por 1 AED (cerca de 1,50 real). É o meio de transporte mais econômico e charmoso da cidade. Do lado de Deira, as ruas estreitas ganham vida ao redor dos mercados tradicionais.
O Souk do Ouro exibe vitrines reluzentes. Os preços nunca são fixos: pechinchar faz parte das regras do jogo. O Souk de Especiarias, poucas ruas adiante, enche o ar com aromas de açafrão, cardamomo e incenso. O cheiro por si só já vale a lembrança. Não deixe de conhecer também o Souk de Perfumes, onde você pode mandar criar uma fragrância personalizada.
Dica de amigo: nos souks, comece oferecendo metade do preço anunciado pelo vendedor. Todo mundo espera isso e a negociação é sempre amigável e descontraída.
A Marina, a Palm Jumeirah e o litoral: o lado praiano de Dubai
A orla da Dubai Marina é um cânion de arranha-céus debruçado sobre um porto artificial. O calçadão do Marina Walk tem sete quilômetros de extensão, cheio de restaurantes e cafés. Ao cair da tarde, o movimento aumenta com os passeios nos barcos tradicionais chamados dhows.
Na Palm Jumeirah, a ilha artificial em formato de palmeira, o complexo Atlantis reúne um hotel gigantesco e um parque aquático. A entrada é cara, mas as praias públicas nos arredores são gratuitas e bem cuidadas. A roda-gigante Ain Dubai, com duzentos e cinquenta metros de altura na Bluewaters Island, garante uma vista panorâmica inesquecível ao pôr do sol.
Dizemos sem rodeios aqui na Avygeo: as praias mais agradáveis não são necessariamente as mais famosas. A Kite Beach, com seus food trucks e clima esportivo, ou a escondida Black Palace Beach, em frente ao palácio real, oferecem uma tranquilidade que as faixas de areia dos hotéis cinco estrelas não têm.
O deserto e experiências fora do roteiro tradicional
Nenhuma viagem está completa sem uma aventura pelas dunas. Os passeios de safari em veículos 4x4 ao pôr do sol, seguidos de um jantar beduíno sob as estrelas, são oferecidos por dezenas de agências. Vale a pena fechar o passeio diretamente em Deira em vez de comprar online, pois os preços costumam ser metade do valor.
Para um plano mais tranquilo, o vilarejo serrano de Hatta, a uma hora e meia de carro, conv নেয় para trilhas, caiaque na represa e noites em cabanas aconchegantes. É outra faceta dos Emirados, bem longe dos prédios espelhados, que poucos visitantes tiram tempo para conhecer.
A arte contemporânea também encontrou seu espaço por lá. O distrito industrial de Alserkal Avenue, em Al Quoz, reúne galerias, estúdios de design e cafés descolados. A entrada na maioria dos espaços é gratuita. Já o Museum of the Future, com sua fachada em forma de toro coberta por caligrafia árabe, proporciona uma imersão nas tecnologias de amanhã por cerca de 160 AED (cerca de 245 reais).
Onde comer e beber em Dubai?
A cena gastronômica reflete as duzentas nacionalidades que habitam a cidade. Para provar pratos típicos dos Emirados, peça um machboos, arroz aromático com especiarias servido com carne ou peixe, ou prove os luqaimat, bolinhos fritos com calda de tâmara servidos como sobremesa. O restaurante Al Fanar é um dos poucos endereços focados em culinária tradicional local.
As melhores opções econômicas ficam nos bairros de Satwa e Al Karama. O lendário Ravi Restaurant serve pratos fartos da culinária paquistanesa por menos de 32 AED (cerca de 50 reais). As lanchonetes de shawarma e falafel espalhadas pelas ruas de Deira são apostas certeiras por menos de 16 AED (cerca de 25 reais). Bebidas alcoólicas pesam no orçamento: uma cerveja em um bar de hotel sai facilmente por 40 AED a 55 AED (cerca de 60 a 85 reais).
Onde ficar em Dubai e arredores?
O Downtown e a Marina são as localizações mais práticas, mas também as mais caras. Para conseguir um custo-benefício melhor sem abrir mão da proximidade com o metrô, busque hotéis nos bairros de Al Barsha, Deira ou Bur Dubai, onde as diárias chegam a ser de 40% a 60% mais baratas com padrão equivalente. No verão, os hotéis de luxo cinco estrelas oferecem promoções agressivas, às vezes pela metade do preço.
Como chegar a Dubai?
Um voo direto saindo de aeroportos brasileiros como São Paulo dura em torno de 14 horas. A companhia aérea nacional Emirates opera rotas diárias, e outras grandes empresas internacionais oferecem ótimas conexões. A partir de capitais europeias, há dezenas de voos diretos diários.
O Aeroporto Internacional de Dubai conecta-se ao centro da cidade pela linha vermelha do metrô em cerca de vinte minutos. É a forma mais prática e barata de chegar ao seu hotel.
Como se locomover em Dubai?
O metrô é moderno, totalmente climatizado e barato. Compre um cartão recarregável Nol por cerca de 5 AED (cerca de 7,50 reais) e pague menos nas passagens. O sistema atende aos principais eixos, desde o Creek até a Marina. Ônibus e bondes completam a rede. Vale lembrar que a cidade é gigantesca e alguns pontos específicos continuam difíceis de alcançar apenas com transporte público.
Os táxis são fáceis de achar e têm tarifas razoáveis. A bandeirada diurna custa cerca de 5 AED (cerca de 7,50 reais), com quilômetro rodado em torno de 2 AED (cerca de 3 reais). Os aplicativos Careem e Uber mostram o valor exato da corrida com antecedência e costumam ser ótimas opções.
Alugar um carro pode ser uma boa ideia para quem pretende fazer viagens bate-volta para fora da cidade, já que o combustível é um dos mais baratos do mundo, custando em torno de 3,20 AED (cerca de 4,90 reais) o litro.
Quando ir?
A melhor época vai de fevereiro a abril, quando as temperaturas ficam agradáveis entre 24°C e 30°C. Essa é também a alta temporada, com hotéis operando com lotação máxima e preços elevados. O Dubai Shopping Festival, realizado em janeiro, atrai multidões com descontos agressivos em todos os shoppings. Evite ao máximo os meses de junho, julho e agosto, pois o calor extremo acima de 45°C torna qualquer programa ao ar livre inviável.
Cidade onde o clima de férias impera o ano todo. Praias, parques aquáticos, restaurantes, espetáculos de fontes, arquitetura maluca e surpreendente.