Riade, a metrópole que recupera o tempo perdido
São 18h, e o sol se põe sobre a silhueta recortada da Kingdom Tower. Do 99º andar, os arranha-céus do distrito financeiro se destacam no horizonte, enquanto lá embaixo, em algum lugar no labirinto do antigo Deira, o souk de especiarias fecha as portas para a oração do Magreb.
Riade se resume a esse contraste permanente: uma cidade nascida do deserto que sonha em ser uma megalópole mundial, mas que continua ancorada em suas tradições mais rígidas. Seis milhões de habitantes, zero bar, centros comerciais faraônicos e um mercado de camelos sempre em atividade.
Uma capital para viajantes pacientes
Esta cidade não é para todo mundo. Se você busca ruelas pitorescas para fotografar, charme mediterrâneo ou uma vida noturna agitada por álcool, este não é o seu lugar. Riade conversa com os curiosos que aceitam suas contradições. Ela se dirige aos fãs de urbanismo contemporâneo fascinados pela transformação relâmpago de um país. Ela recompensa quem toma o tempo de ir além da superfície asséptica dos shoppings climatizados para descobrir os souks empoeirados e os palácios de terra seca de Diriyah.
As distâncias são enormes e caminhar costuma ser impossível. O trânsito pode transformar um trajeto de 10 quilômetros em uma provação de uma hora. O calor do verão proíbe qualquer atividade ao ar livre entre maio e setembro. O conservadorismo ambiente impõe roupas cobertas e comportamento discreto. Em compensação, a segurança é exemplar e a hospitalidade dos sauditas surpreende pela sinceridade.
Orçamento: prepare o bolso
Riade não é um destino econômico. Conte com 60 a 100 euros por dia (cerca de 370 a 620 reais) para uma estadia confortável: hotéis decentes entre 50 e 120 euros a noite (cerca de 310 a 745 reais) no bairro Olaya, refeições locais de 3 a 15 euros (cerca de 20 a 95 reais), transportes de Careem por volta de 5 euros (cerca de 30 reais) para um trajeto de 15 minutos. As excursões para o Edge of the World custam de 80 a 150 euros (cerca de 500 a 930 reais) em tour organizado.
O centro histórico e seus vestígios
O coração antigo de Riade se concentra ao redor do bairro Deira. A fortaleza Al Masmak, construída em 1865 no estilo tradicional de terra crua, conta o nascimento do reino saudita moderno. É aqui que, em 1902, o jovem Ibn Saud lançou o ataque que unificaria o país. O museu em seu interior apresenta armas de época, fotografias e portas de madeira pintada. A entrada é gratuita.
A poucos passos, o Souk Al-Zal é um paraíso para quem gosta de garimpar. Peças antigas, espadas tradicionais, perfumes de âmbar e oud, tapetes tecidos à mão: negocia-se ali como no século passado. As ruelas estreitas contrastam com a hiper modernidade ao redor.
Dica de amigo: o souk fecha durante os horários de oração e às sextas-feiras. Prefira o final da tarde durante a semana para aproveitar o clima sem aglomeração.
O Museu Nacional
O Museu Nacional da Arábia Saudita merece de duas a três horas de visita. Suas oito galerias cobrem a pré-história, a era pré-islâmica, o nascimento do islamismo e a formação do reino. Uma maquete impressionante da mesquita do Profeta em Medina chama a atenção de todos. A entrada é gratuita e o ar-condicionado é salvador. O museu fica ao lado do palácio Murabba, antiga residência real transformada em espaço de exposição.
As torres e a Riade futurista
Dois arranha-céus dominam a linha do horizonte. A Kingdom Tower e seu arco marcante chegam a 302 metros de altura. O observatório no 99º andar oferece um panorama de 360 graus da cidade. A subida custa cerca de 70 SAR (cerca de 110 reais). O edifício também abriga o hotel Four Seasons e um shopping de alto padrão.
A Faisaliah Tower, primeira torre construída no país em 2000, reconhecida pelo seu globo dourado, continua sendo um símbolo para os locais. O restaurante panorâmico no topo oferece uma experiência gastronômica com vista deslumbrante.
O distrito KAFD
O King Abdullah Financial District representa a Riade de amanhã. Seus arranha-céus assinados por arquitetos internacionais alinham-se ao longo de passarelas climatizadas que permitem circular sem enfrentar o calor. A estação de metrô projetada por Zaha Hadid vale a visita. Restaurantes badalados como Il Baretto e AOK Kitchen atraem a juventude rica da capital.
Diriyah, o berço do reino
A 20 quilômetros do centro, Diriyah é o principal sítio histórico da região. O bairro At-Turaif, considerado Patrimônio Mundial da UNESCO, revela os vestígios da primeira capital saudita fundada no século XVIII. Os palácios e casas de adobe, meticulosamente restaurados, formam um labirinto de ruelas cor de ocre que contrasta radicalmente com a Riade moderna.
A entrada é gratuita, mas exige reserva online. Visitas guiadas em inglês são oferecidas sem custo adicional. O local é explorado em duas a três horas. O terraço Bujairi, no alto, reúne restaurantes de alto padrão com vista para as ruínas iluminadas à noite.
Dica de amigo: visite At-Turaif no fim do dia para aproveitar a luz do pôr do sol nas paredes de terra, e depois jante no Bujairi Terrace com vista para o local iluminado.
Edge of the World: a excursão espetacular
A 90 quilômetros a noroeste de Riade, os penhascos de Jebel Fihrayn despencam 300 metros no vazio. Esse sítio geológico apelidado de "o fim do mundo" oferece uma vista vertiginosa da imensidão do deserto. O acesso exige um veículo 4x4 e bom conhecimento do terreno. Os passeios organizados geralmente partem no meio da tarde para chegar ao pôr do sol, incluindo frequentemente uma parada na caverna Heet Cave e suas águas cristalinas.
Onde comer e beber em Riade?
Sem álcool, a vida social saudita gira em torno do café e da mesa. O kabsa, arroz temperado com especiarias servido com carneiro ou frango, continua sendo o prato nacional. O restaurante Najd Village o serve em um ambiente tradicional, sentado em almofadas no chão. Conte com 30 a 50 SAR por pessoa (cerca de 45 a 80 reais).
A cena de cafeterias está em plena explosão. Os sauditas consomem quantidades impressionantes de café e os endereços modernos se multiplicam. O bairro Tahlia concentra os terraços da moda. Para uma culinária internacional de alto padrão, o Via Riyadh Mall reúne marcas como Gymkhana e Wagyumafia. Espere gastar de 150 a 300 SAR por pessoa (cerca de 235 a 470 reais).
Onde dormir em Riade e arredores?
O bairro Olaya oferece o melhor compromisso entre localização central e acessibilidade. Próximo à Kingdom Tower e a meio caminho entre o centro antigo e Diriyah, ele concentra uma oferta variada de hotéis. Redes internacionais como Novotel e Holiday Inn oferecem quartos entre 250 e 400 SAR a diária (cerca de 390 a 625 reais).
Para luxo, o Four Seasons na Kingdom Tower e o Ritz-Carlton dominam o mercado. O novo Kimpton KAFD atrai pelo design contemporâneo e piscina na cobertura. Quem busca economia encontrará apart-hotéis decentes em torno de 150 a 200 SAR (cerca de 235 a 310 reais), mas a oferta ainda é limitada.
Como chegar e se locomover em Riade?
O aeroporto internacional King Khalid recebe voos diretos de Paris com a Saudia em cerca de 6 horas. As companhias do Golfo oferecem conexões via Dubai, Doha ou Abu Dhabi. Conte com 400 a 700 euros (cerca de 2.480 a 4.340 reais) a passagem de ida e volta dependendo da temporada. O visto eletrônico é obtido online por cerca de 120 euros (cerca de 745 reais).
Na cidade, o aplicativo Careem funciona perfeitamente e continua sendo o jeito mais prático de se deslocar. Uma corrida média custa 15 a 25 SAR (cerca de 25 a 40 reais). O metrô de Riade, inaugurado recentemente com 85 estações e 176 km de linhas, começa a mudar o cenário. A linha amarela atende o aeroporto. Alugar um carro continua sendo uma opção para ter autonomia, mas o trânsito e o estilo de direção local podem desestabilizar.
Quando ir?
O período ideal vai de novembro a março. As temperaturas ficam entre 15°C e 25°C, tornando os passeios agradáveis. As noites podem ser frescas. Evite totalmente os meses de junho a setembro: os 45°C diários tornam qualquer passeio ao ar livre exaustivo. O Ramadã, cujas datas mudam a cada ano, complica os deslocamentos e as refeições durante o dia.