O palácio dos duques transformado em catedral da arte
As figuras de pranteadores esculpidas fixam o visitante há seis séculos. Alinhados sob as lajes de mármore preto, estes quarenta e um monges encapuzados choram a morte dos príncipes mais poderosos do Ocidente. No Museu de Belas Artes de Dijon, instalado no antigo palácio dos duques da Borgonha, a história transparece em cada pedra, em cada abóbada, em cada galeria. Não se trata de um museu comum, mas sim de um espaço palaciano onde convivem quinze séculos de arte e arquitetura.
Por que este museu é imperdível?
Inaugurado em 1799, o museu figura entre os mais antigos da França depois do Louvre. Sua importância reside tanto em suas coleções quanto no edifício que as abriga: o palácio dos Ducs et des États de Bourgogne, um conjunto arquitetônico erguido entre os séculos XIV e XIX que mescla o gótico flambojante e a elegância clássica. Durante um século, este palácio foi o coração pulsante de um Estado bourguinhão que rivalizava com o reino da França.
Após uma década de obras monumentais e sessenta milhões de euros investidos (cerca de 370 milhões de reais), o museu renovado reabriu suas portas em maio de 2019. Cinquenta salas exibem agora mil e quinhentas obras, desde uma máscara funerária egípcia até instalações contemporâneas. Como bônus, a entrada para as coleções permanentes é gratuita.
Os túmulos dos duques, joias do gótico internacional
A grande sala do palácio abriga os dois túmulos mais famosos do final da Idade Média. Philippe le Hardi e seu filho Jean sans Peur repousam sob jazigos suntuosos, cercados por uma procissão de pranteadores de expressividade impressionante. Cada um exibe uma postura única: um cobre o rosto, outro enxuga as lágrimas, um terceiro lê seu breviário.
Essas esculturas provêm da Chartreuse de Champmol, uma necrópole fundada por Philippe le Hardi em 1383 nos arredores de Dijon. O túmulo de Philippe foi realizado por Claus Sluter e sua oficina entre 1384 e 1410, enquanto o de Jean sans Peur e de sua esposa Marguerite de Bavière foi criado entre 1443 e 1470. O próprio escritor George R. R. Martin cruzou o Atlântico para contemplá-las e buscar inspiração na história tumultuada dos duques da Borgonha.
Coleções enciclopédicas para explorar por época
A Antiguidade egípcia e greco-romana
Onze retratos funerários de Fayum dão as boas-vindas logo no início do percurso. Esses rostos pintados sobre madeira cobriam as múmias no Egito romano durante os séculos I e II. Seu realismo perturbador captura o olhar dos falecidos com intensidade rara. O museu também conserva cerâmicas gregas, moedas gaulesas e estatuetas romanas.
A Idade Média e o Renascimento
Além dos túmulos ducais, o museu apresenta um conjunto excepcional de pinturas medievais. Primitivos italianos como Pietro Lorenzetti e Taddeo Gaddi convivem com mestres flamengos como o Mestre de Flémalle. A coleção de pinturas suíças e alemãs, com Konrad Witz, é única na França.
O Renascimento brilha com grandes nomes: Tiziano, Veronese, Guido Reni. O salão Condé, com seus painéis de madeira dourada, celebra a glória dos Condé, governadores da Borgonha. A sala das Estátuas, adornada com um teto pintado por Pierre-Paul Prud'hon, artista local, oferece um cenário monumental para as esculturas.
Do século XVII ao século XXI
Os séculos seguintes desfilam com coerência. Philippe de Champaigne, Le Brun e Charles de La Fosse representam o Grande Século. O século XIX traz o romantismo de Delacroix e Géricault, seguido pelo impressionismo com Manet, Monet e Boudin. Artistas bourguinhões, muitas vezes pouco conhecidos fora da região, destacam-se em espaços dedicados: o escultor François Rude, Jean-Baptiste Lallemand e Félix Trutat, um retratista prodigioso que morreu aos vinte e quatro anos.
O século XX também marca presença com uma sala dedicada ao cubismo e telas de Nicolas de Staël. Duas extensões contemporâneas, incluindo um telhado dourado que se destaca sobre o palácio, integram o século XXI à arquitetura ducale.
A dica de amigo: não perca a recém-restaurada galeria Bellegarde. Suas janelas, muradas durante décadas, foram reabertas e agora oferecem uma vista iluminada da cidade. Trata-se de um dos espaços mais fotogênicos do museu, ideal para visitar com tranquilidade no meio da tarde.
Visitar o palácio ducal por completo
O museu ocupa apenas uma parte do palácio. A torre Philippe le Bon, com quarenta e seis metros de altura, pode ser visitada com guia. Seus trezentos e dezesseis degraus conduzem a um terraço de onde o panorama sobre os telhados de ardência de Dijon é espetacular. O pátio de Flore, a escadaria monumental de Gabriel e a sala dos Guardas com sua lareira esculpida como renda de pedra revelam a cada canto a história da Borgonha.
O percurso museográfico segue uma lógica cronológica dividida em oito sequências. As obras estão expostas em salas da mesma época de sua criação, gerando harmonia entre o continente e o conteúdo. Essa cenografia moderna em um espaço histórico faz com que o MBA, como é chamado pelos moradores locais, seja considerado um dos melhores museus regionais.
Se assim como eu você visitar Dijon, não deixe de conhecer este museu. Recentemente reformado, ele valoriza uma coleção inestimável. A variedade de obras apresentadas impressiona pela amplitude, indo desde a Antiguidade até o século XX.
A gente fica tonto com tanta concentração de obras, então reserve um bom tempo!
Para completar, este museu (como todos os outros museus de Dijon) é gratuito. Só se paga para acessar as exposições temporárias.