O Monte Fuji, essa silhueta que fascina o Japão há 1.300 anos
São 4h da manhã, e o ar gelado morde o rosto a 3.700 metros de altitude. Ao seu redor, centenas de lanternas de cabeça desenham uma procissão luminosa nas encostas escuras do vulcão. Em seguida, o céu fica rosa, o horizonte incendeia-se e de repente você compreende por que os japoneses chamam esse momento de goraiko, a "chegada da luz". O Monte Fuji não se limita a ser a montanha mais alta do arquipélago: ele encarna a alma do Japão.
Por que o Monte Fuji fascina tanto?
Culminando a 3.776 metros, esse estratovulcão de cone quase perfeito é considerado sagrado desde o século VII. Xintoístas e budistas veneram ali Konohanasakuya-hime, a deusa das flores de cerejeira, que supostamente reside no cume. Sua forma simétrica evoca as oito pétalas do lótus para os budistas. Durante séculos, as mulheres não tiveram o direito de subir suas encostas, consideradas puras demais para elas. A proibição só foi suspensa em 1872.
Inscrito no patrimônio mundial da UNESCO em 2013 como "lugar sagrado e fonte de inspiração artística", o Fuji-san inspirou milhares de obras. As Trinta e seis vistas do monte Fuji de Hokusai, incluindo a famosa A Grande Onda de Kanagawa, marcaram a história da arte mundial e influenciaram os impressionistas europeus.
Subindo o teto do Japão
A subida só é possível do início de julho ao início de setembro. Quatro trilhas partem da 5ª estação, a meia altura do vulcão. A trilha Yoshida, no lado de Yamanashi, continua sendo a mais frequentada graças aos seus vários refúgios e à descida separada da subida. Conte de 5 a 7 horas para chegar ao cume e de 3 a 5 horas para descer.
As novas regras de 2025
- Taxa de entrada obrigatória de 4.000 ienes (cerca de R$ 150) em todas as trilhas
- Reserva online recomendada pelo site oficial
- Acesso fechado das 14h às 3h sem reserva de refúgio
- Limite de 4.000 caminhantes por dia na trilha Yoshida
Conselho de amigo: Evite os fins de semana e a semana de Obon em agosto. Prefira uma saída no início da tarde com pernoite em um refúgio perto da 8ª estação. Você alcançará o cume para o nascer do sol sem enfrentar as filas intermináveis de quem sobe à noite direto.
Contemplar o Fuji sem escalá-lo
O vulcão aparece em apenas 20% a 30% dos dias do ano. A região dos Cinco Lagos, ao norte, oferece as melhores chances de avistá-lo. O lago Kawaguchi permite fotografar seu reflexo na água logo de manhã cedo. A pagode Chureito, em Fujiyoshida, oferece a vista de cartão-postal por excelência, especialmente na primavera, quando as cerejeiras emolduram o cone nevado.
Para maximizar suas chances, consulte as webcams ao vivo antes de sair e prefira o inverno, quando o ar seco limpa o céu. Um banho em um onsen com vista para o Fuji continua sendo uma das experiências mais memoráveis do Japão.
Horários
*Informações sujeitas a variação
Visto de longe ou debaixo, o monte Fuji continua sendo sempre impressionante. A gente sente uma atmosfera bem particular por lá, ao mesmo tempo calma, relaxante e melancólica. Fiquei um bom tempo observando de longe, sem necessariamente fazer a subida até o cume. Mas isso já bastou para criar em mim uma lembrança que, acho eu, vai ficar gravada na minha memória por muito tempo.