Esta viagem à Suíça foi com certeza uma das mais surpreendentes da minha vida.
Eu esperava um país de cartão-postal e fui amplamente atendida. Acontece que a Suíça é muito verde e as paisagens são deslumbrantes. Os suíços são pessoas extremamente caprichosas e cuidam de suas casas, jardins e do meio ambiente com muita dedicação.
A magnífica travessia dos Alpes de carro
Eu era esperada por amigos que moram em Ascona há muitos anos. Fiquei muito feliz por ser hospedada por moradores locais, em vez de dormir em um hotel, mesmo que meus amigos sejam estrangeiros.
Ascona fica no cantão do Ticino, às margens do Lago Maggiore e bem perto da fronteira italiana. Inclusive, os habitantes dessa região falam italiano. Para chegar lá de carro a partir da França, atravessamos boa parte da Suíça de oeste a leste, e é uma viagem de que vou me lembrar por muito tempo.
Assim que atravessei a fronteira suíça, precisei primeiro comprar uma vinheta (selo de pedágio) geral, que permite passar por todos os pedágios do país. Ainda bem, isso torna tudo muito mais prático. As estradas são um verdadeiro encanto. Elas são sinuosas e, a cada curva, podemos descobrir uma nova paisagem. As estradas de montanha não permitem andar muito rápido, mas vale destacar que são impecavelmente conservadas. Decidi, então, ir com calma ao volante do meu carro e devo dizer que não cruzei com muita gente no caminho. No entanto, o dia ainda estava longe de terminar.
A chegada a Ascona

Cheguei à casa dos meus amigos no fim da tarde. Como eu disse antes, eles moram na cidade de Ascona. Essa cidade é famosa por sua luminosidade excepcional, que atrai muitos pintores. Não me decepcionei. É realmente deslumbrante. Planejei ir visitar o mais rápido possível a Basílica do século XVI da cidade, caminhar ao redor do Lago Maggiore e pelo centro histórico. Mas meu principal objetivo era passar tempo com uma família local. Meus amigos têm um filho pequeno e a mãe trabalha, o que não é necessariamente tão comum por lá, pelo menos foi o que me disseram.
Meus amigos me esperavam em sua casa acolhedora, uma vila que mandaram construir ao gosto deles, mas respeitando a arquitetura local. Aliás, ela não é totalmente nova, pois incorpora uma construção muito antiga. Eu, que adoro turismo arquitetônico, me vi sendo guiada pelos meus amigos em uma verdadeira aula sobre o estilo de vida tradicional helvético. Fiquei muito intrigada com um sistema de aquecimento extraordinário, super elaborado e completamente adaptado ao clima por vezes rigoroso dessa região aninhada ao pé dos Alpes.
Se a Suíça oferece paisagens suntuosas, as estações frias nem sempre permitem passar longas noites ao ar livre. Mas não tem problema: meus amigos instalaram um terraço de inverno em seu jardim. Assim, é possível aproveitar as belas paisagens e o céu maravilhoso até tarde no ano, contando com uma lareira externa.
O que ver no local e nos arredores
Dia 1 - O centro histórico
Logo no dia seguinte à minha chegada, planejamos um roteiro de visitas.
Na ordem, a ideia era visitar o centro histórico de Borgo, um bairro antigo cheio de charme concentrado ao redor da Igreja de São Pedro e Paulo. Também há um museu de belas artes bastante conceituado na cidade velha.
Para me apresentar à gastronomia local, meus amigos haviam reservado uma mesa para jantar em um restaurante famoso no centro da cidade, perto do lago, o Antico Ristorante Borromeo. Ainda bem que eu estava com fome, porque a culinária ticinesa é bem "reforçada": risoto, queijos, carne bovina braisada, raviólis, gratinados... É um ótimo endereço que recomendo: come-se muito bem, o atendimento é excelente e o ambiente é muito bonito. De qualquer forma, prepare-se para gastar cerca de vinte euros nos pratos mais simples (como espaguete ao pomodoro).
Jour 2 - Vale da Maggia

No segundo dia, decidi ir visitar o Vale da Maggia, a poucos quilômetros ao norte de Ascona, que oferece belas paisagens e trilhas de caminhada à beira de corredeiras de montanha ou rios que desaguam no Lago Maggiore. A região é pouco habitada e a fauna e a flora são muito ricas. Sobe, desce, e os caminhos às vezes são acidentados. Fui dormir bem cansada naquela noite :)

Dia 3 - Centovalli e seu trenzinho
O terceiro dia seguiu na mesma linha, mas desta vez percorrendo as "Cem Valleys", conhecidas como Centovalli. No entanto, desta vez, bem menos carro e caminhada: pegamos um trenzinho na comuna vizinha de Locarno que nos leva por todo o vale, margeando o Melezza. Depois do dia puxado de ontem, foi muito agradável se deixar levar pelo trem e apenas abrir os olhos para aproveitar ao máximo. Algumas passagens sobre o vazio, em pontes bem fininhas, são espetaculares.
Dia 4 - San Pancrazio e Ronco sopra Ascona
Para finalizar, no último dia pegaremos o barco no píer de Ascona para visitar as ilhas de Brissago, no Lago Maggiore. A travessia é rápida, já que são apenas alguns quilômetros. Só conseguimos visitar a maior das duas ilhas, San Pancrazio, pois a segunda não recebe barcos. Ao contrário dos vales alpinos, onde é preciso reservar um dia inteiro para aproveitar bem, nós fizemos um passeio rápido pela ilha. O jardim botânico é interessante, com muitas plantas exóticas vindas de regiões tropicais.
Com o tempo que nos restava, fomos passar o fim do dia em Ronco sopra Ascona, um vilarejo charmoso localizado acima do Lago Maggiore, acessível em poucos minutos de carro. Foi uma excelente ideia, já que o vilarejo foi construído em uma colina com vista para o Lago Maggiore. Suba até o mirante preparado perto da Igreja de San Martino. A vista para o lago e para as montanhas ao redor é esplandida!
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