Tofino, onde a estrada acaba e o oceano começa
São 6h da manhã, a névoa envolve a floresta de cedros milenares e os primeiros surfeiros já colocam suas roupas de borracha em Cox Bay. A água é fria, com 10 graus no verão e 7 no inverno. Nada disso para ninguém.
Esse vilarejo grudado na ponta da ilha de Vancouver é o ponto mais a oeste do Canadá. Além dali, restam apenas 5.000 quilômetros de oceano Pacífico até o Japão. As Primeiras Nations Nuu-chah-nulth vivem aqui há milhares de anos, muito antes de os hippies dos anos 70 descobrirem este fim do mundo.
Um destino para quem quer se desligar de verdade
Tofino é para quem ama a natureza selvagem, para surfeiros de todos os níveis e para quem busca silêncio. A região faz parte da reserva de biosfera UNESCO de Clayoquot Sound, um santuário onde a floresta pluvial temperada encontra o oceano Pacífico. Quem viaja em busca de sol e mar em estilo tropical vai se decepcionar, pois a água nunca passa de 14 graus e o tempo continua instável mesmo no auge do verão.
Prepare-se para o isolamento. O vilarejo tem apenas 2.000 moradores permanentes. Não há transporte público para Vancouver, nem grandes redes de supermercados, e existe apenas um táxi em toda a cidade. Famílias com crianças aproveitam bem as praias, mas quem procura agito noturno vai ficar sem opções rapidamente.
Um orçamento norte-americano sem rodeios
Tofino é um dos destinos mais caros do Canadá. Espere gastar de 200 a 400 dólares canadenses por noite (cerca de 850 a 1.700 reais) em uma acomodação de frente para o mar, e de 80 a 150 dólares (cerca de 340 a 640 reais) por opções mais simples. Uma refeição em um bom restaurante sai por 50 a 80 dólares por pessoa com bebidas (cerca de 210 a 340 reais). Os passeios de barco para ver baleias custam entre 100 e 150 dólares (cerca de 425 a 640 reais).
As praias e o surfe: o coração de Tofino
Com 35 quilômetros de praias de areia, a região oferece ondas consistentes o ano todo. Cox Bay concentra a maioria dos surfeiros e recebe competições nacionais. As ondas costumam ser as maiores da região por lá. Os iniciantes preferem South Chesterman Beach, que é mais protegida e abriga as escolas de surfe.
A praia de Long Beach, com 16 quilômetros de extensão, faz parte do Parc National Pacific Rim. Duas rochas icônicas, Incinerator Rock e Lovekin Rock, marcam a paisagem. A correnteza perto de Lovekin pode ser traiçoeira, e os locais recomendam cautela a nadadores sem experiência.
Dica de amigo: consulte as tabelas de marés antes de caminhar pelas praias. Na maré alta, trechos de Chesterman Beach ficam intransitáveis. O aplicativo Tide Charts ou o site do Fisheries and Oceans Canada informam os horários exatos.
Observação de vida selvagem: baleias, ursos e leões marinhos
De março a outubro, os passeios de barco permitem observar baleias-cinzentas, orcas e baleias-jubarte no estreito de Clayoquot Sound. O Pacific Rim Whale Festival, em meados de março, celebra a migração de cerca de 20.000 baleias-cinzentas rumo ao Alasca. Os barcos saem do porto de Tofino e a excursão dura de duas a três horas.
Os ursos negros aparecem mais na primavera e no outono, quando descem para procurar peixes e crustáceos ao longo da costa de Meares Island. Os passeios de caiaque ou zodiac trazem as melhores chances de avistamento. Já as lontras marinhas podem ser vistas o ano todo, flutuando de costas entre as algas.
Floresta pluvial e trilhas
A região recebe quase 3 metros de chuva por ano. Toda essa umidade alimenta florestas de cedros vermelhos e abetos-de-douglas seculares. A trilha Tonquin Trail, com início perto do centro, atravessa uma floresta coberta de musgo antes de chegar a uma praia isolada. O percurso leva cerca de uma hora entre ida e volta.
A Big Tree Trail na ilha de Meares leva você para dentro de uma floresta antiga. O acesso é exclusivo por táxi-barco a partir do porto. A passarela suspensa de madeira serpenteia entre árvores milenares, algumas com até 20 metros de circunferência. Mais adiante, a Bomber Trail chega aos destroços de um avião que caiu em 1945, uma caminhada informal bastante querida pelos moradores.
O storm watching: uma temporada diferente
De novembro a fevereiro, as tempestades do Pacífico atingem a costa com ondas que chegam a 10 metros de altura. O storm watching virou uma atividade turística consolidada, com pacotes especiais nos hotéis à beira-mar. Os preços caem na baixa temporada e o clima fica mais intimista. Traga botas, capa de chuva e agasalhos, pois guarda-chuvas não resistem ao vento forte.
Dica de amigo: nunca dê as costas para o oceano durante as tempestades. As chamadas ondas traiçoeiras ou sneaker waves surgem sem aviso e podem arrastar você. Fique nas trilhas demarcadas e acima da linha da maré alta.
Onde comer e beber em Tofino?
O Wolf in the Fog lidera a cena gastronômica local desde que abriu em 2014, quando foi eleito o melhor restaurante novo do Canadá. O chef Nick Nutting prepara pescados frescos trazidos por pescadores locais e cogumelos colhidos nas redondezas. As ostras em crosta de batata viraram o prato principal da casa. É preciso reservar com antecedência, especialmente no verão.
Para gastar menos, o Tacofino serve tacos de peixe direto de um ônibus laranja que virou febre. O Rhino Coffee House torra seus próprios grãos e serve cafés da manhã reforçados. Quem gosta de cerveja artesanal pode visitar a Tofino Brewing Company, instalada em um galpão industrial na entrada do vilarejo.
Onde ficar em Tofino e arredores?
O Wickaninnish Inn, chamado carinhosamente de "The Wick", é o hotel mais famoso, com banheiras voltadas para o oceano e um restaurante premiado. O Pacific Sands Beach Resort oferece chalés bem em cima de Cox Bay, ótimos para quem quer surfar. Para quem viaja com orçamento enxuto, o Hostelling International Tofino fica bem perto do porto.
A cidade vizinha de Ucluelet, a 40 minutos ao sul, tem hospedagens mais em conta e uma pegada mais autêntica. O Surf Grove Campground permite acampar de frente para as ondas de Cox Bay. Faça reservas com meses de antecedência se for no verão, pois tudo lota muito rápido.
Como chegar e circular em Tofino?
Saindo de Vancouver, reserve de 5 a 6 horas de viagem. Pegue a balsa da BC Ferries em Horseshoe Bay rumo a Nanaimo, e depois dirija por 3 horas pela Rodovia 4 cortando as montanhas. Estar de carro é essencial por lá, a menos que você fique hospedado no centro e faça tudo a pé pelas praias próximas. A travessia de balsa custa entre 50 e 200 dólares canadenses (cerca de 210 a 850 reais) conforme o tamanho do veículo.
Para quem sai do Brasil, pegar um voo para Vancouver, passar uma noite em Nanaimo e seguir de carro é o caminho mais confortável. Há voos bate-volta ligando Vancouver ao aeroporto de Tofino em 45 minutos, mas os preços costumam ser altos. Atenção: a Rodovia 4 cruza uma serra que pode acumular neve no inverno, tornando obrigatório o uso de pneus de neve ou correntes entre novembro e março.
Quando ir?
O verão, de junho a setembro, traz as melhores condições para surfar, fazer passeios de barco e caminhar pelas trilhas. Setembro é o mês favorito dos moradores: menos turistas, mar mais aquecido e uma luz dourada incrível. A primavera atrai quem quer ver as baleias-cinzentas em migração. Já o inverno atrai fãs de tempestades e de sossego, com hot 할인 (descontos) de 25 a 40 por cento nas diárias.
Ao chegar aqui, tive uma sensação de fim do mundo!
Situado na costa oeste da Ilha de Vancouver, Tofino é um porto de pesca muito agradável.
A partir do vilarejo, consegui fazer um passeio guiado para observar os ursos pretos, que são super comuns por lá!
A natureza está literalmente às portas da cidade, com suas praias e florestas profundas.