Visitar Victoria, a elegância britânica em solo canadense
Pavões desfilam livremente pelo Beacon Hill Park enquanto um hidroavião pousa suavemente no porto interior. Bem-vindo à capital mais atípica do Canadá, onde o chá da tarde é saboreado de frente para as montanhas olímpicas nevadas e baleias cruzam o caminho de edifícios vitorianos. Esta cidade-jardim empoleirada na ponta sul da ilha de Vancouver cultiva um estilo de vida único, a quilômetros de distância da imagem que você faz do Canadá.
Victoria, um refúgio temperado para quem?
Você procura uma metrópole grande e agitada? Siga em frente. Com seus 90.000 habitantes, esta cidade em escala humana atrai principalmente os amantes da qualidade de vida, apaixonados por jardins, observadores de vida marinha e quem foge de invernos rigorosos. O clima aqui é o mais ameno do Canadá, raramente ficando abaixo de zero nem mesmo em janeiro. Você precisará de um orçamento confortável para hospedagem e restaurantes, mas poderá explorar o centro a pé sem nenhum problema.
A cidade convida casais em busca de romance, aposentados ativos, famílias com crianças devido às muitas atividades na natureza e viajantes que apreciam história e cultura britânica com toques de influência das Primeiras Nações. Por outro lado, se você busca uma vida noturna agitada ou adrenalina urbana, pode achar o ritmo pacífico deste destino um pouco tranquilo demais.
O porto interior e seus tesouros arquitetônicos
Tudo gira em torno do Inner Harbour, baía perfeita emoldurada por edifícios históricos. Os imponentes Parliament Buildings, iluminados por milhares de lâmpadas ao cair da noite, dominam a orla desde 1897. Sua arquitetura neobarroca e os jardins impecáveis fazem deles um dos prédios governamentais mais fotogênicos do país. As visitas guiadas gratuitas revelam a história política da Colúmbia Britânica e a genialidade arquitetônica de Francis Rattenbury.
O Fairmont Empress Hotel, outra obra-prima de Rattenbury construída em 1908, reina de frente para o porto com seus tijolos vermelhos e telhado de cobre esverdeado. É aqui que as pessoas vêm tomar o chá mais famoso do Canadá, servido há mais de um século em um cenário suntuoso. A reserva é indispensável com várias semanas de antecedência, e custa cerca de 90 dólares canadenses por pessoa (cerca de 370 reais).
Uma alternativa mais acessível? O Pendray Tea House ou o salão de chá dos Butchart Gardens oferecem uma experiência igualmente charmosa.
O Royal BC Museum merece tranquilamente três horas de visita. As reconstituições em tamanho real mergulham na floresta úmida costeira, na cultura das Primeiras Nações e na história marítima. A galeria dedicada aos povos indígenas apresenta totens monumentais e artefatos cerimoniais. Vale notar que algumas exposições estão sendo reinstaladas após um projeto de reforma adiado, então vale a pena conferir quais seções estão abertas antes de ir.
A dica de amigo: evite o porto interior no meio do dia em pleno verão, quando os ônibus de turismo despejam ondas de visitantes. Prefira as primeiras horas da manhã ou o fim da tarde para aproveitar uma atmosfera mais serena e uma luz dourada sublime para suas fotos.
Os jardins lendários da ilha
Butchart Gardens, o joia floral
A 22 quilômetros ao norte do centro, os Butchart Gardens atraem mais de um milhão de visitantes todos os anos. Criados em 1904 em uma pedreira de calcário abandonada, esses 22 hectares reúnem mais de 900 variedades de plantas divididas entre o jardim japonês, o jardim de rosas, o jardim italiano e o espetacular jardim afundado. Cada estação traz sua própria paleta de floração: tulipas e cerejeiras na primavera, rosas e dálias no verão, crisântemos no outono.
O local oferece fogos de artifício nas noites de sábado durante o verão e iluminações mágicas no Natal. Conte com pelo menos três horas para uma visita completa. A entrada custa cerca de 40 dólares canadenses na alta temporada (cerca de 165 reais). Para fugir do movimento, chegue logo na abertura às 9h ou escolha uma visita noturna após as 17h.
Os jardins secretos da cidade
O romântico Abkhazi Garden conta a história de amor entre um príncipe georgiano e uma aristocrata de Xangai. Em pouco mais de um hectare, este jardim íntimo mistura carvalhos de Garry, rododendros gigantes e bordos japoneses em um equilíbrio perfeito entre natureza selvagem e paisagismo controlado. A atmosfera é infinitamente mais intimista do que nos Butchart Gardens, e o salão de chá serve excelentes doces.
Os Gardens at HCP (Horticulture Centre of the Pacific) ocupam quatro hectares dentro de um parque de conservação. A entrada é franca, o que torna a opção perfeita para viajantes com o orçamento mais apertado. Lá você vai cruzar com mais moradores locais do que turistas.
Observação de baleias e vida marinha
Entre abril e outubro, as águas ao redor da ilha de Vancouver recebem orcas residentes, baleias jubarte, baleias cinzentas e minke whales. As excursões partem do Fisherman's Wharf, um píer pitoresco margeado por casas flutuantes coloridas e cabanas de pescadores transformadas em lanchonetes de fish and chips.
Duas embarcações estão à disposição: lanchas rápidas zodiac para quem busca emoção (vista-se bem agasalhado mesmo no verão, pois o vento gelado na água não perdoa) ou barcos cobertos mais confortáveis para famílias. Reserve de três a quatro horas no mar e prepare de 120 a 160 dólares canadenses por adulto (cerca de 490 a 660 reais). Empresas sérias como a Eagle Wing Tours respeitam as distâncias regulamentares dos cetáceos.
Para uma abordagem mais calma, alugue um caiaque com a Kelp Reef Adventures e navegue pelas florestas de algas marinhas observando focas, leões-marinhos e garças. O ritmo lento permite apreciar por completo o ecossistema marinho.
A dica de amigo: julho e agosto oferecem as melhores chances de ver orcas, mas os passeios costumam lotar. Reserve com pelo menos uma semana de antecedência, ou duas na alta temporada. Se você enjoa facilmente, priorize os passeios de manhã cedo, quando o oceano costuma estar mais calmo.
Bairros e caminhadas urbanas
O Chinatown histórico e a Fan Tan Alley
O Chinatown de Victoria, o mais antigo do Canadá, mantém seus portões de entrada ornamentados e fachadas de época. A Fan Tan Alley, rua mais estreita da América do Norte com seus 90 centímetros de largura em alguns trechos, serpenteia entre lojas excêntricas, galerias de arte e casas de chá. Antigo refúgio de antros de ópio e jogos clandestinos, o beco hoje abriga a minúscula padaria filipina Friends & Family Bake (as tortas de ube deles são lendárias) e brechós.
O bairro LoJo e o mercado local
A Lower Johnson Street, apelidada de LoJo, reúne lojas independentes, galerias de artesãos locais e cafés descolados. A entrada do Market Square apresenta uma arquitetura vitoriana restaurada que abriga comércios singulares. Aos domingos, não perca a feira livre sob o pavilhão coberto.
Dallas Road e suas praias selvagens
Esta estrada costeira revela vistas espetaculares do estreito de Juan de Fuca e das montanhas olímpicas cobertas de neve. As praias de pedras são repletas de troncos esculpidos pelas ondas. Em dias de vento, você assistirá à performance de kitesurfistas e praticantes de parapente aproveitando as correntes marinhas. É o cenário ideal para um piquenique ao pôr do sol ou uma longa caminhada meditativa.
Onde comer e beber em Victoria?
A cena gastronômica de Victoria surpreende pela diversidade e pelo compromisso com ingredientes locais. Os frutos do mar reinam absolutos: caranguejos Dungeness, ostras frescas da costa, salmão selvagem do Pacífico e halibut. O Barb's Fish and Chips, no Fisherman's Wharf, serve um dos melhores peixes com batatas fritas da cidade, preparados com pescado certificado Ocean Wise e fritos em massa tempura leve. Saboreie tudo sentado no cais, com os pés balançando sobre a água.
Para uma refeição refinada, o Marilena Cafe and Raw Bar revoluciona a culinária de frutos do mar com sua seleção impecável de niguiris e criações como o halibut bourguignon com cebolas-pérola. O 10 Acres Kitchen cultiva seus próprios vegetais em uma fazenda orgânica em North Saanich e cria menus sazonais inspirados na costa do Pacífico. O salmão Chinook com ricota caseira, ervilhas esmagadas e purê de amoras marinadas ilustra perfeitamente essa abordagem poética do prato.
Na linha italiana, o Il Terrazzo reina há três décadas com seu pátio verdejante e pratos tradicionais reinterpretados. O salmão sockeye grelhado com camarão sobre talharim Alfredo une com brilho os sabores do noroeste do Pacífico à tradição italiana. O Pagliacci's oferece porções generosas de massas frescas a preços justos, em um ambiente festivo com música klezmer e jazz.
Victoria se orgulha de ser o berço da revolução da cerveja artesanal canadense. O pub cervejeiro mais antigo do país, o Spinnakers Gastro Brewpub, produz suas cervejas no local desde 1984. A Phillips Brewing serve dezesseis chopes artesanais em sua sala de degustação no centro. Para uma experiência original, embarque no Pickle Pub Crawl com os barcos do porto que levam você de uma cervejaria a outra.
Onde dormir em Victoria e arredores?
A região do Inner Harbour deixa todas as principais atrações a uma curta caminhada, mas as diárias dos hotéis sobem de acordo. O Fairmont Empress encarna o luxo histórico com vista para o porto, enquanto o Delta Hotels Ocean Pointe Resort, do outro lado da baía, oferece vistas parecidas em um ambiente mais moderno e um pouco mais em conta.
O bairro de James Bay, a quinze minutos a pé do centro, oferece pousadas charmosas em casas vitorianas com tarifas mais acessíveis. Fairfield e Cook Street Village atraem quem busca uma atmosfera residencial com cafés locais, empórios orgânicos e restaurantes de bairro.
Para uma estadia única, reserve uma das casas flutuantes do Fisherman's Wharf Floating B&B. Você vai adormecer embalado pelo som suave das ondas. Os arredores de Victoria, especialmente Sidney e Brentwood Bay, oferecem opções mais econômicas, embora seja necessário alugar um carro para chegar ao centro.
Como chegar e se locomover em Victoria?
O aeroporto internacional de Victoria fica a 25 quilômetros ao norte do centro. Uma corrida de táxi leva de 35 a 45 minutos e custa cerca de 60 dólares canadenses (cerca de 250 reais). O ônibus BC Transit número 88 liga o aeroporto ao centro em uma hora por apenas 2,50 dólares (cerca de 10 reais), mas opera somente durante o dia.
A maioria dos visitantes chega de balsa. O BC Ferry saindo de Tsawwassen (perto de Vancouver) até Swartz Bay leva 90 minutos, e depois são mais 30 minutos de carro ou ônibus até o centro. O MV Coho faz a travessia desde Port Angeles (Washington) direto para o Inner Harbour em 90 minutos. Para uma opção espetacular, pegue o hidroavião saindo do centro de Vancouver: 35 minutos de voo e um pouso memorável na água do porto interior.
O centro compacto é fácil de explorar a pé. Para ir mais longe, alugue uma bicicleta pelo sistema de compartilhamento U-Cycle. A cidade tem mais ciclovias por habitante do que qualquer outra cidade canadense. Os barcos do Victoria Harbour Ferry conectam cerca de trinta pontos ao redor da baía, transformando o transporte em atração turística. A rede de ônibus BC Transit atende eficientemente toda a região por 2,50 dólares a viagem (cerca de 10 reais).
Quando ir?
Julho e agosto garantem o melhor clima com temperaturas em torno de 22°C, céu limpo e até quinze horas de luz por dia. É também a alta temporada turística, com multidões e preços inflacionados. Junho continua mais imprevisível no quesito meteorológico com pancadas de chuva possíveis, apesar dos dias longos.
Os períodos ideais acontecem em maio e setembro: clima agradável entre 16°C e 18°C, menos gente nos pontos turísticos e preços de hospedagem razoáveis. Abril e maio trazem a explosão das florações da primavera, com a famosa contagem de flores Victoria Flower Count em março, quando os moradores contam as flores abertas por toda a região. Setembro e o começo de outubro costumam prolongar os belos dias de verão com uma luz de outono esplêndida.
O inverno continua sendo o segredo mais bem guardado: temperaturas amenas (raramente abaixo de 5°C), poucos turistas e uma atmosfera aconchegante com as decorações natalinas nos Butchart Gardens. Apenas lembre-se de trazer uma capa de chuva, pois os meses de novembro a janeiro costumam ser os mais chuvosos.