Florianópolis, a ilha brasileira que não se resume a um só lugar
Os brasileiros têm um ditado sobre esta ilha: "Floripa não te deixa ir embora." Fundada em 1675 pelo colonizador português Francisco Dias Velho com o nome de Nossa Senhora do Desterro, a capital de Santa Catarina já viveu muitas fases. O nome atual homenageia o ditador Floriano Peixoto.
Hoje em dia, a cidade se divide entre 42 praias, uma lagoa onde o vento nunca para e vilarejos de pescadores açorianos que servem as melhores ostras do país.
Um paraíso balnear de fama crescente
Floripa atrai primeiro os amantes de praia e surfe. Mas a ilha também esconde trilhas espetaculares na Mata Atlântica, uma vida noturna entre as mais animadas do sul do Brasil e uma cena gastronômica focada em frutos do mar. O destino agrada mochileiros, famílias, nômades digitais e os turistas argentinos que desembarcam em peso todos os verões.
Destino indicado para:
- Surfistas e praticantes de esportes náuticos
- Aventureiros em busca de trilhas costeiras selvagens
- Quem quer curtir a vida noturna com intensidade
- Famílias que procuram praias calmas e seguras no norte da ilha
- Viajantes de longa duração que querem fincar raiz por algumas semanas
Destino contraindicado para:
- Quem busca um patrimônio histórico ou arquitetônico monumental
- Viajantes que não querem alugar carro nem depender de ônibus
- Quem quer fugir de multidões em janeiro e fevereiro
- Fãs de grandes centros urbanos e compras de alto padrão
Um orçamento bastante acessível para o que oferece
Comparada às grandes capitais brasileiras, a ilha oferece uma excelente relação custo-benefício. Os preços sobem bastante na alta temporada, de dezembro a fevereiro, quando as diárias podem dobrar. Fora desses meses, é fácil encontrar ótimos preços.
| Tipo de gasto | Faixa de preço |
|---|---|
| Noite em hostel (quarto compartilhado) | R$ 45 a R$ 90 (cerca de 7 a 15 euros) |
| Noite em hotel ou pousada confortável | R$ 210 a R$ 480 (cerca de 35 a 80 euros) |
| Lanche rápido (pastel, açaí, salgado) | R$ 12 a R$ 30 (cerca de 2 a 5 euros) |
| Refeição em restaurante intermediário | R$ 60 a R$ 120 (cerca de 10 a 20 euros) |
| Transporte e um passeio no dia | R$ 50 a R$ 150 (cerca de 8 a 25 euros) |
| Orçamento mochileiro por dia | R$ 150 a R$ 270 (cerca de 25 a 45 euros) |
| Orçamento confortável por dia | R$ 360 a R$ 600 (cerca de 60 a 100 euros) |
Uma ilha enorme onde o deslocamento exige planejamento
A armadilha clássica é achar que dá para cruzar uma ilha desse porte em minutos. Floripa tem 54 quilômetros de ponta a ponta. Sem carro, ir de uma praia a outra de ônibus pode levar mais de uma hora. Na alta temporada, os engarrafamentos são pesados, especialmente na direção das praias do norte. Saia com antecedência.
O português é a língua de todos os dias. Pouca gente fala inglês ou francês fora dos hostels, então saber o básico faz diferença. O clima é subtropical, com verões quentes e úmidos, invernos amenos mas frios, e chuva possível o ano todo.
É seguro viajar para Florianópolis?
A cidade é considerada uma das capitais mais seguras do Brasil. Os índices de criminalidade ficam bem abaixo dos de Rio de Janeiro ou São Paulo. Valem as regras de bom senso: fique de olho nas bolsas nas praias cheias, evite áreas desertas à noite e não dê bobeira com o celular na rua. Nada além disso.
O centro e a ponte Hercílio Luz: a memória colonial da ilha
Comece pelo centro histórico. A ponte suspensa Hercílio Luz, maior estrutura do tipo no país com seus 340 metros de vão central, liga o continente à ilha. Dá para atravessar a pé e a vista no fim de tarde é imperdível. Do outro lado, as ruas de paralelepípedo guardam construções do período colonial.
Na Praça XV de Novembro, o Palácio Cruz e Sousa funciona como museu da história catarinense. Bem perto fica o mercado público, um galpão com dezenas de bancas onde você pode comer pastéis fritos na hora e tomar um caldo de cana por poucos reais. O Box 32, dentro do mercado, é ponto obrigatório para almoçar.
Dica de amigo: no fim do dia, caminhe pela Avenida Beira Mar Norte. O calçadão beira-mar reúne moradores correndo, passeando com cachorros e aproveitando as academias ao ar livre. É o melhor termômetro do ritmo da cidade.
As praias do leste e a Lagoa da Conceição: o coração de Floripa
A Lagoa da Conceição é o ponto de encontro natural de quem visita a cidade. Essa lagoa de água salgada, cercada por dunas e morros verdes, concentra bares, restaurantes, pousadas e lojas de surfe. O lugar ferve à noite na alta temporada e venta o bastante para atrair velejadores e praticantes de kitesurfe.
A poucos minutos dali, a Praia Mole tem ondas fortes e fica emoldurada por morros cobertos de vegetação. É o reduto dos surfistas e da galera jovem. Logo ao lado, a Praia da Joaquina se estende por três quilômetros, tendo ao fundo dunas de areia gigantes onde o pessoal pratica sandboard.
Nós avisamos sem rodeios na Avygeo: Barra da Lagoa é a nossa principal indicação para uma primeira viagem. Esse bairro de pescadores na costa leste mantém um clima sossegado, com ótimos restaurantes de peixe fresco e trilhas costeiras fáceis de acessar.
O sul selvagem: trilhas e praias desertas
É na porção sul que a ilha mostra seu lado mais bruto. A trilha da Lagoinha do Leste, com saída pelo Pantano do Sul, é a mais bonita de Floripa. Reserve pelo menos três horas de caminhada ida e volta para chegar a uma praia isolada entre o oceano e a mata nativa. O esforço físico é real, mas a paisagem compensa cada gota de suor.
Partindo da praia do Campeche, barcos levam em dez minutos até a Ilha de Campeche, área de preservação arqueológica. As águas cristalinas e as inscrições rupestres milenares atraem muita gente, por isso as vagas diárias são limitadas. Garanta seu lugar com antecedência no verão.
Dica de amigo: vá até o vilarejo de Ribeirão da Ilha, no litoral sudoeste. O antigo reduto açoriano tem casinhas coloridas, ruas estreitas de pedra e fazendas de cultivo de ostras. É o melhor lugar para comer ostras fresquíssimas do litoral catarinense pagando pouco.
O norte balnear e o legado açoriano
As praias do norte, como Canasvieiras, Jurerê e Praia dos Ingleses, têm as águas mais mornas e a melhor infraestrutura de hotéis, restaurantes e comércio. Jurerê Internacional é a área mais luxuosa, famosa pelos beach clubs e frequentada por celebridades e carros importados. Prepare-se para encontrar tudo lotado no verão.
Para uma experiência completamente diferente, o distrito de Santo Antônio de Lisboa preserva a herança dos imigrantes que chegaram em 1747. As ladeiras, a igrejinha de frente para a baía e os restaurantes tradicionais formam o cenário perfeito para ver o sol se pôr. Perto dali, a fortificação restaurada de São José da Ponta Grossa oferece uma vista panorâmica incrível da costa norte.
Onde comer e beber em Florianópolis?
A ilha é a capital nacional da ostra, com milhões de unidades cultivadas todos os anos nas águas de Ribeirão da Ilha e do sul municipal. Outro prato típico imperdível é a sequência de camarão, um banquete que inclui camarões preparados de várias formas, além de peixe, siri e polvo. Os estabelecimentos em Barra da Lagoa e Santo Antônio de Lisboa servem as melhores versões dessas receitas.
Para refeições rápidas, os pastéis do mercado público e os copos de açaí vendidos nas praias custam menos de R$ 18 (cerca de 3 euros) e salvam qualquer dia de passeio. Quando o sol se põe, a região da Lagoa da Conceição fica cheia de bares servindo caipirinha e cervejas artesanais locais, como a Cerveja Sambaqui.
Onde ficar em Florianópolis e arredores?
A Lagoa da Conceição é o endereço mais prático: fica no centro geográfico, tem vida noturna intensa e acesso rápido às praias do leste. Mochileiros encontram ótimas opções como o Geckos Hostel. Famílias com crianças costumam preferir os hotéis à beira-mar no norte da ilha. Já o sul, mais tranquilo, funciona bem para quem quer isolamento e não se importa em dirigir mais.
Como chegar a Florianópolis?
Quem vem de fora do país geralmente faz conexão em São Paulo ou Rio de Janeiro, pegando em seguida um voo doméstico de 1h a 1h40 operado por Gol, Azul ou LATAM.
O Aeroporto Internacional Hercílio Luz fica a 12 km do centro. Partindo de São Paulo de ônibus, a viagem rodoviária leva cerca de 12 horas. De Porto Alegre, conte com 6 a 7 horas de estrada. Há também voos diretos de países vizinhos como Argentina e Chile.
Como circular por Florianópolis?
A rede de ônibus conecta toda a ilha, mas as viagens podem ser demoradas e exigem balbúrdias nos terminais integrados: o TCEN no centro, o TLAG na Lagoa e o TIRIO no Campeche. Uma passagem custa cerca de R$ 10 (cerca de 1,80 euro). Os executivos (amarelinhos) são mais rápidos e um pouco mais caros. O Google Maps ajuda bastante a traçar as rotas.
Aplicativos como Uber e a brasileira 99 funcionam muito bem e saem mais em conta que os táxis tradicionais. Uma corrida do aeroporto até Canasvieiras custa em torno de R$ 90 a R$ 120 (cerca de 15 a 20 euros). Alugar um carro é a alternativa ideal para explorar cada canto no seu próprio ritmo, mas lembre-se de que estacionar e enfrentar o trânsito no verão exige paciência.
Quando ir?
A alta temporada vai de dezembro a março, com termômetros batendo 27°C a 30°C, praias cheias e festas todos os dias. O Carnaval agita a ilha inteira com blocos de rua e eventos em todos os bairros.
Se quiser curtir o litoral com calmaria, março e abril mantêm temperaturas agradáveis e praias mais vazias. É melhor evitar os meses de junho e julho se você não gosta de dias curtos, umidade e chuvas frequentes.
Florianópolis é um destino maravilhoso no sul do Brasil. Você pode ir para lá antes ou depois das cataratas do Iguaçu ou do Rio de Janeiro, por exemplo. A gente vai principalmente para surfar. O ideal é alugar um carro para conhecer as várias praias (difíceis de acessar de ônibus, mas não impossível). Muitos brasileiros ricos passam as férias lá. É um lugar para relaxar e curtir a praia, parecendo um pouco com uma mini Ibiza.