Amanohashidate, o tômbolo que desafia o olhar
São 6h30 da manhã. Uma névoa leve flutua sobre a baía de Miyazu, enquanto os pinheiros emergem aos poucos da penumbra. Em menos de uma hora, os primeiros visitantes vão se curvar para a frente a fim de observar a paisagem entre as pernas. Essa postura improvável, o matanozoki, faz parte do ritual há mais de mil anos.
Por que visitar Amanohashidate?
Esse cordão arenoso de 3,6 quilômetros que bloqueia a baía de Miyazu figura entre os Nihon Sankei, as três paisagens mais famosas do Japão, ao lado de Miyajima e Matsushima. O erudito confuciano Hayashi Gahō o inscreveu nessa lista no século XVII. Mais de 8.000 pinheiros japoneses se erguem no local, com suas silhuetas recortadas contra o azul do mar interior de Aso.
Segundo a mitologia xintoísta, as divindades Izanagi e Izanami teriam usado essa faixa de terra como escada para descer dos céus. Enquanto Izanagi dormia, a escada desabou no mar. O nome, que significa "ponte para o paraíso", perpetua essa lenda.
Os observatórios e a tradição do matanozoki
Dois mirantes oferecem perspectivas radicalmente diferentes. Ao sul, o Amanohashidate View Land fica no topo do monte Monju. O acesso é feito por teleférico ou monotrilho em poucos minutos a partir da estação. A vista leva o nome de Hiryūkan, ou "dragão voador", porque o tômbolo parece subir em direção às nuvens quando contemplado de cabeça para baixo.
O parque Kasamatsu no lado norte
Do outro lado da baía, o parque Kasamatsu oferece a perspectiva inversa: o Shōryūkan, ou "dragão ascendente". É aqui que a tradição do matanozoki teria nascido. O Sky Deck, uma passarela com piso de vidro reforçado, adiciona uma dose de vertigem à experiência. O físico Atsuki Higashiyama recebeu inclusive um prêmio Ig Nobel em 2016 por estudar cientificamente como essa postura altera a percepção das distâncias.
Atravessar o tômbolo a pé ou de bicicleta
Caminhar por essa faixa de areia ladeada por pinheiros leva cerca de 45 minutos. O aluguel de bicicletas nas duas extremidades permite reduzir esse tempo para um quarto de hora, mas vale a pena priorizar o ritmo lento. A trilha serpenteia entre os troncos retorcidos, tendo de um lado as águas calmas do mar interior de Aso e, do outro, a baía de Miyazu aberta para o mar do Japão.
Imperdíveis no percurso:
- A fonte Isoshimizu, classificada entre as cem melhores águas do Japão, onde a água doce brota paradoxalmente em plena zona marítima
- O pequeno santuário Amanohashidate-jinja, conhecido por realizar desejos amorosos
- O Kaisenkyo, uma ponte giratória de 36 metros que gira a 90 graus para deixar os barcos passarem
Os templos nas duas extremidades
Chion-ji e a sabedoria de Monju Bosatsu
No lado sul, a poucos passos da estação, o templo Chion-ji abriga uma das três grandes estátuas de Monju Bosatsu, o bodhisattva da sabedoria. Fundado em 808, ele atrai estudantes que vêm rezar antes das provas. Seus omikuji assumem a forma original de leques que os visitantes penduram nos galhos dos pinheiros ao redor. O pagode de dois andares, construído em 1501, é a estrutura de madeira mais antiga de Miyazu. Ele aparece na famosa pintura a tinta de Sesshū, conservada no Museu Nacional de Quioto.
Conselho de amigo: Experimente o chie no mochi vendido pelas quatro barracas em frente ao templo. Esse bolinho de arroz recheado com feijão vermelho deve transmitir a sabedoria de Monju. A tradição remonta ao século XIV.
O santuário Motoise Kono-jinja
Na extremidade norte, o santuário Motoise Kono-jinja reivindica uma ligação com o grande santuário de Ise. Segundo a tradição, as divindades Amaterasu e Toyoukehime teriam vivido ali antes de se mudarem para a península de Shima. O templo Nariai-ji, acessível por ônibus circular a partir de Kasamatsu, oferece um panorama adicional do tômbolo a partir de seus 300 metros de altitude.
Horários
*Informações sujeitas a variação
E eu concordo com essa classificação! Um lugar de sonho para descobrir o Japão pelo lado do mar. Os pinheiros, as praias, o ar puro do mar... É magnífico. Um passeio que convido você a fazer com calma, aproveitando o panorama. Demora cerca de uma hora a pé para percorrer essa "ponte no céu". Você também pode fazer de bicicleta, e aliás não tem nenhuma dificuldade especial.