Les Deux Alpes: a estação onde se esquia em um glaciar a 3.600 metros de altitude
A 3.400 metros, o frio morde as bochechas. A luz da manhã bate no domo congelado do Puy Salié e transforma a neve em um tapete reluzente. Aqui, no maior glaciar skiável da Europa, as pistas se estendem até o horizonte, dominadas pelos picos do Parc national des Écrins (parque nacional dos Ecrins). A Estação de esqui de Les Deux Alpes oferece uma raridade: descer 2.268 metros de desnível de uma só vez, do glaciar até o vilarejo.
Por que escolher Les Deux Alpes para esquiar?
O nome da estação conta sua história. No século XIX, os moradores de Mont-de-Lans e de Venosc compartilhavam essas pastagens de altitude para levar seus rebanhos para pastar todos os verões. Em 1946, esses dois "alpes" se uniram para criar uma das primeiras grandes estações francesas. Desde 2017, as duas comunas se fundiram oficialmente sob o nome de Deux Alpes.
A altitude excepcional da área garante neve confiável do final de novembro ao início de maio. O glaciar permite até esquiar em alguns verões, do final de junho ao início de agosto. Essa particularidade atrai tanto famílias em busca de neve garantida quanto praticantes experientes que procuram desnível.
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Uma área de esqui "invertida" com múltiplos rostos
A configuração da área surpreende os recém-chegados. As pistas mais acessíveis ficam no alto, no glaciar e nos setores intermediários. Quanto mais se desce em direção à estação, mais o terreno se complica. As encostas íngremes que levam de volta ao vilarejo exibem cores vermelha e preta no mapa de pistas. Essa lógica invertida oferece uma vantagem preciosa: os iniciantes aproveitam uma neve de melhor qualidade ao permanecerem no alto.
Para iniciantes e famílias
O front de neige (frente de neve), ao pé dos edifícios, conta com cinco teleféricos gratuitos, incluindo a esteira coberta Viking. As crianças aprendem a deslizar suavemente por lá, protegidas do vento. A pista Jandri, com 16 quilômetros de extensão, permite que os novatos liguem o glaciar à estação em uma descida suave e regular. Esta pista azul panorâmica atravessa vários cenários: neve fofa na altitude, passagens por bosques mais abaixo e vistas dos Ecrins o tempo todo.
Para esquiadores experientes e praticantes de freeride
O setor do Diable e as encostas da Toura oferecem pistas vermelhas técnicas onde o carving faz todo o sentido. Os entusiastas do fora de pista encontram seu espaço nas encostas norte, de exposição similar às de La Grave, acessível a partir do topo da área. O Grand Couloir, o Clot de Chalance e o Dôme do glaciar propõem trajetos desafiadores que exigem um guia de montanha.
O snowpark e a cultura freestyle
A Estação de esqui de Les Deux Alpes construiu sua reputação no mundo do freestyle desde a década de 1990. O snowpark de la Toura, a 2.600 metros de altitude, figura entre os maiores dos alpes franceses. Os shapers sculptam módulos para todos os níveis no local: mesas progressivas, rails de diferentes tamanhos e boardercross cronometrado. A Cool Zone, com suas mesas de piquenique em frente aos kickers, permite aproveitar o espetáculo entre uma descida e outra.
Todo verão, o glaciar recebe acampamentos de treinamento internacionais. Praticantes profissionais vêm para aperfeiçoar suas manobras antes da temporada de inverno. Essa energia freestyle é sentida na atmosfera geral da estação.
Além das pistas: a caverna de gelo e o mirante
O funiculaire Dôme Express (funicular Domo Expresso) abre caminho sob 40 metros de gelo para atingir 3.400 metros. Na saída, um túnel de 200 metros leva à grotte de glace (caverna de gelo). Dois guias de alta montanha, Bernard Lambolez e Bruno Gardent, esculpem um novo cenário no gelo milenar a cada inverno. Jogos de luz colorida iluminam as estátuas efêmeras. A entrada custa 6,50 EUR (cerca de 40 reais) para adultos.
Dica de amigo: Reserve uma quinta-feira de manhã durante as férias para a atividade "Segredos do funicular". Às 8h15, um guia faz você descobrir as entranhas da máquina antes da abertura ao público. O ponto de encontro é o guichê do teleférico Jandri.
O Belvédère des Écrins (mirante dos Ecrins), uma passarela suspensa sobre o abismo, oferece uma vista panorâmica de 360 graus da Meije, da Barre des Écrins e dos glaciares ao redor. Os não esquiadores podem acessar o local com um passe diário para pedestres.
O clima da estação: entre tradição e festa
A avenida principal se estende por dois quilômetros, ladeada por lojas de esporte, restaurantes e bares. A arquitetura dos anos 1970 predomina, sem charme particular, mas a energia que emana compensa amplamente. À noite, o après-ski atinge seu ápice no Pano's Bar, onde um DJ toca a partir das 15h. A patinação municipal de 1.800 m² abre das 16h às 22h, sendo gratuita para quem possui passe de esqui.
Para uma pausa tradicional, o teleférico de Venosc desce em oito minutos em direção ao vilarejo antigo. Suas ruas de paralelepípedos abrigam ateliês de artesãos e casas centenárias. O contraste com a estação de altitude surpreende a cada visita.
Estação super acolhedora que oferece muitas vantagens:
- Geralmente, a neve no inverno não decepciona, graças à altitude e ao clima.
- As pistas são de fácil acesso a partir das hospedagens.
- O glaciar oferece um visual espetacular para esquiar e até fazer trilhas.
- Tem uma vida de verdade na própria estação, com restaurantes aconchegantes e um clima bem descontraído.