Os jardins da Pinède, onde o jazz criou raízes na Europa
O cheiro resinoso dos pinheiros centenários se mistura ao sal marinho trazido pela brisa. Sob os seus pés, na calçada do boulevard Baudoin, as marcas das mãos de Ray Charles, Ella Fitzgerald e B.B. King estão gravadas no asfalto. Este parque à beira do Mediterrâneo, o pulmão verde de Juan-les-Pins, carrega mais de sessenta anos de história musical.
Por que visitar os jardins da Pinède?
Classificado como Espace Boisé desde o início do século XX, este espaço abriga mais de 300 pinheiros, alguns dos quais deram nome ao próprio balneário. Foi aqui, em julho de 1960, que nasceu o primeiro festival de jazz ao ar livre da Europa, criado em homenagem ao clarinetista Sidney Bechet, que se casara em Antibes em 1951 em um desfile que entrou para a história. Claude Nobs, fundador do festival de Montreux, reconheceu que, sem a passagem por Antibes, Montreux não existiria.
O parque se divide em duas áreas distintas. A parte norte recebe as famílias com um parquinho, alamedas sombreadas e esquilos surpreendentemente amigáveis que descem pelos troncos para interagir com quem passa. A parte sul, a Pinède Gould, se transforma todas as viagens de verão em uma sala de espetáculos ao ar livre de frente para o mar.
A calçada da fama do jazz europeu
O boulevard Baudoin, que margeia o parque, oferece um passeio singular. Ao longo de cerca de 500 metros, 76 moldes de mãos de artistas estão gravados no chão. Miles Davis, Herbie Hancock, Stevie Wonder, Pink Floyd, Thomas Dutronc: cada lajota relata uma passagem pelo palco lendário da Pinède Gould. O acesso é livre e gratuito, aberto a qualquer hora. Os aficionados por jazz reconhecem os nomes, enquanto os outros descobrem uma galeria musical inesperada bem no asfalto morno.
O saxofone gigante de Sosno
É impossível não notar a escultura amarelo-vivo que se ergue entre os pinheiros. Este saxofone monumental de 5,50 metros é a obra póstuma de Sacha Sosno, escultor de Nice famoso pelas suas "obliterações". Apaixonado por jazz e amigo do saxofonista Barney Wilen, Sosno havia rascunhado o projeto em um pedaço de papel antes de falecer em 2013. Sua viúva, Mascha Sosno, supervisionou a fabricação da peça em aço, instalada na Pinède em 2018 pela quantia de 200.000 euros (cerca de 1,2 milhão de reais) paga pela prefeitura de Antibes. O vazio no centro do instrumento, marca registrada do estilo de Sosno, deixa a paisagem atravessar a forma do sax.
Um parque para viver, não apenas para atravessar
Fora da temporada estival dos festivais, a Pinède recupera uma calmaria agradável. Os moradores jogam bocha à sombra, as crianças correm entre os brinquedos e as alamedas convidam a pedalar ou andar de patins. Os bancos de frente para o mar, protegidos pela copa dos pinheiros, estão entre os cantos mais sossegados da Costa Azul para ler ou simplesmente ver o azul mudar de tom ao longo do dia.
Conselho de amigo: em julho, durante o festival Jazz à Juan, a Petite Pinède recebe shows gratuitos todas as noites nas Jammin' Summer Sessions. Chegue por volta das 18h30 para aproveitar os food trucks e uma partida de bocha antes do início dos sets, por volta das 19h15. O clima ali é mais descontraído do que na Pinède Gould, que é paga, e a qualidade musical costuma surpreender.
Este parque tem duas coisas que eu adoro: sombra e vista para o mar! Gostei muito da vegetação mediterrânea e também das flores super coloridas. A calçada da fama foi uma descoberta agradável também. Mas o mais legal de tudo são os esquilos! Eles não têm medo nenhum e são simplesmente adoráveis!