A catedral de Salamanca: 900 anos de arquitetura e um astronauta na pedra
Na fachada oeste da Catedral Nueva, entre os anjos e os santos de pedra, um personagem inesperado observa os pedestres desde 1992: um astronauta em traje espacial, esculpido durante uma restauração por um canteiro brincalhão.
Essa é talvez a melhor introdução a um edifício que se recusa a ficar preso no tempo.
Por que visitar a catedral de Salamanca?
Salamanca abriga na verdade duas catedrais unidas: a Catedral Vieja, de estilo românico do século XII, e a Catedral Nueva, de gótico tardio, cuja construção começou em 1512 a pedido dos Reis Católicos. As obras foram concluídas em 1733, o que a torna uma das últimas grandes expressões do gótico espanhol. A originalidade do local está nessa coexistência, já que é possível caminhar de uma nave a outra sem sair do monumento.
Declarada Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco como parte do centro histórico de Salamanca, a catedral atrai cerca de 350.000 visitantes por ano. Trata-se de um monumento ativo: foram realizadas ali 495 celebrações eucarísticas, 72 casamentos e 36 concertos gratuitos ao longo de 2024.
A Catedral Vieja e seu retábulo bizantino
A seção românica concentra as obras de arte mais antigas. A sua Torre del Gallo, coroada por uma cúpula de escamas característica, continua sendo o grande símbolo da cidade. No interior, o retábulo-mor do pintor Nicolás Florentino, criado no século XV, impressiona pela riqueza narrativa: 53 painéis contam a vida de Cristo e da Virgem, coroados por um Juízo Final em tons de ocre e lápis-lazúli.
O claustro gótico merece uma visita demorada. A Capilla de Talavera guarda um dos poucos exemplos de rito moçárabe ainda praticados na Espanha. A luz entra de forma oblíqua, desenhando sobre as lajes formas que os peregrinos medievais podiam interpretar como sinais.
A Catedral Nueva: o gótico tardio em sua máxima proporção
A nave central da Catedral Nueva impressiona pela verticalidade. Suas abóbadas em leque alcançam 33 metros de altura, e os pilares fasciculados, que parecem troncos de árvores petrificadas, absorvem a luz dos vitrais flamígeros. O órgão barroco do século XVIII, um dos maiores da Espanha, domina o transepto.
Em outubro de 2024, uma nova obra contemporânea passou a integrar o acervo permanente: "Jesus como pedra angular da humanidade", uma grande tela de 5 metros de comprimento com 109 figuras, instalada na nave da epístola. A sua presença contrasta com o restante do espaço, e essa é exatamente a intenção.
Dica de amigo: A visita às torres por meio da experiência Ieronimus ganhou um novo espaço: o bajo cubierta, que corresponde à área entre as abóbadas e o telhado da Catedral Nueva, agora aberta ao público. O local exibe um mapeamento de vídeo imersivo projetado nas abóbadas com som espacializado. Esta é a principal novidade e deve ser combinada com o roteiro tradicional.
Ieronimus: subindo às torres
O acesso às torres e aos telhados da catedral pelo percurso Ieronimus proporciona uma das vistas mais marcantes de Salamanca. A entrada é feita pela Torre Mocha, passando por salas de exposição instaladas em antigas celas e aposentos do guardião, até chegar aos terraços situados a 110 metros de altura. Lá de cima, a cidade se revela em todas as direções, com seus telhados ocres, o rio Tormes e a universidade ao longe.
Destaques do trajeto:
- A Sala del Alcaide, com seus instrumentos e partituras renascentistas, oferece um vislumbre do interior da Catedral Vieja
- A passarela entre as duas catedrais, de onde se passa muito perto da cúpula da Torre del Gallo
- O novo bajo cubierta, com sua instalação de som e projeção sobre as abóbadas góticas
- O terraço superior, considerado o melhor mirante da cidade
Também há visitas noturnas às sextas-feiras e sábados, com roteiro guiado, som e luz, proporcionando um clima totalmente diferente da visita diurna.
O que mais impressiona
- Duas catedrais em uma única visita, reunindo dois séculos de história no mesmo lugar
- O retábulo da Catedral Vieja, um dos mais narrativos da Espanha
- O circuito Ieronimus ampliado com a área entre as abóbadas e o telhado
- A fachada churrigueresca, uma verdadeira obra-prima da escultura para ser apreciada ao pôr do sol
- O valor do ingresso, que continua acessível em comparação com outros grandes monumentos espanhóis
Pontos de atenção
- A subida pelo Ieronimus exige enfrentar escadas estreitas e íngremes, o que pode ser difícil para pessoas com mobilidade reduzida
- A alta temporada (julho e agosto) traz grande movimento, tornando recomendável a compra de ingressos online com antecedência
- Durante missas e eventos religiosos, algumas áreas podem ficar temporariamente fechadas
Valores estimados dos ingressos
| Categoria | Valor |
|---|---|
| Entrada padrão (Catedrais) | 11 € (cerca de 68 reais) |
| Tarifas reduzidas I (idosos 65+, estudantes, famílias numerosas) | 9 € (cerca de 55 reais) |
| Tarifas reduzidas II (7 a 16 anos, grupos escolares) | 7 € (cerca de 43 reais) |
| Tarifas reduzidas III (desempregados, crianças de famílias numerosas) | 6 € (cerca de 37 reais) |
| Grupos (mín. de 20 pessoas com guia oficial) | 7 € por pessoa (cerca de 43 reais) |
| Gratuito | Moradores da diocese, menores de 7 anos, pessoas com deficiência acima de 65% |
| Ieronimus, visita diurna individual | 4 € (cerca de 25 reais) |
| Ieronimus, visita diurna para grupos (mín. de 20 pessoas) | 3,50 € por pessoa (cerca de 21 reais) |
| Ieronimus, visita noturna guiada | 10 € (cerca de 62 reais) |
| Ieronimus, crianças menores de 10 anos | Gratuito |
Valores aproximados sujeitos a alteração. O ingresso da catedral e o acesso ao Ieronimus são bilhetes separados, que podem ser adquiridos individualmente ou online nos canais oficiais.
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*Informações sujeitas a variação
Conheci a catedral de Salamanca durante uma viagem de bicicleta, sem visitar a parte interna, mas ela realmente me marcou vista de fora.
A arquitetura é impressionante, com muitos detalhes para observar na fachada.
Chegando de bicicleta, a gente vai descobrindo ela aos poucos, o que aumenta o efeito uau.
Eu também gostei muito de passear pelas ruas antigas de paralelepípedos de Salamanca, e procurar as famosas esculturas pequenas (especialmente o famoso sapo) visíveis em algumas fachadas.