O museu Toulouse-Lautrec em Albi: 1.000 obras em uma fortaleza medieval
Paredes de tijolo vermelho com sete metros de espessura. Uma luz suave que desliza sobre os cartazes do Moulin Rouge. Na antiga fortaleza dos bispos de Albi, Henri de Toulouse-Lautrec encontrou seu santuário póstumo. O museu Toulouse-Lautrec reúne aqui a maior coleção pública do mundo dedicada ao pintor, com mais de 1.000 obras legadas por sua família em 1922.
Por que visitar o museu Toulouse-Lautrec?
Henri de Toulouse-Lautrec nasceu em Albi em 1864, em uma família aristocrática descendente dos condes de Toulouse. Seus pais, primos germânicos, transmitiram-lhe uma doença óssea hereditária que parou seu crescimento a 1,52 metro. Essa condição física direcionou sua vida para a arte, longe das atividades equestres de seu pai. Ele morreu aos 37 anos, deixando uma obra colossal com mais de 700 pinturas, 275 aquarelas e 369 litografias.
Sua mãe, Adèle, e seu amigo galerista Maurice Joyant lutaram para criar este museu em sua cidade natal. A obstinação deles deu frutos: Albi detém hoje 219 pinturas, 563 desenhos, 183 litografias e os 31 cartazes que revolucionaram a arte publicitária.
O palácio da Berbie: quando a moldura rivaliza com a obra
O palácio da Berbie por si só já vale a viagem. Esta fortaleza episcopal construída entre 1228 e 1308 domina o rio Tarn com sua silhueta massiva. Seu nome vem do occitano bisbia, que significa bispado. Os bispos de Albi a ergueram para afirmar seu poder frente aos consules da cidade e aos últimos sobressaltos da heresia cátara.
As obras de renovação realizadas de 2001 a 2012 revelaram pisos do século XIII em terracota vitrificada, milagrosamente preservados sob os assoalhos. Em algumas salas, você caminha literalmente acima de um tribunal da Inquisição.
As obras principais para observar
As primeiras salas: retratos de família
O percurso começa pelas telas de juventude. A Condesa Adèle de Toulouse-Lautrec, sua mãe, aparece em vários quadros com uma ternura contida. Os estudos de animais, especialmente de cavalos, já mostram um senso agudo de observação e movimento.
O universo parisiense: cabarés e bordéis
As salas seguintes mudam o foco para a Paris noturna de Montmartre. As dançarinas do Moulin Rouge, as cantoras de café-concerto e as prostitutas dos bordéis desfilam com uma franqueza que chocava seus contemporâneos. O cartaz Moulin-Rouge, La Goulue de 1891 inseriu a litografia na história da arte.
Dica de amigo: o museu fecha entre 12h30 e 14h fora da temporada de verão. Seu bilhete continua válido o dia todo: aproveite para almoçar e passear pelos jardins gratuitos do palácio, com vista para o rio Tarn e a ponte Pont-Vieux.
O terceiro nível: os contemporâneos
O andar superior apresenta obras de amigos e contemporâneos de Toulouse-Lautrec. Pierre Bonnard, Maurice Denis, Émile Bernard e algumas telas de Matisse completam a imersão nessa época efervescente. Salões de aparato do século XVII, com tetos pintados e pisos de madeira originais, também abrigam obras de arte antiga, incluindo uma de Georges de La Tour.
Para localizar no percurso:
- O retrato de Gabriel Tapié de Céleyran, primo do artista, reconhecível por sua silhueta desengonçada
- Os desenhos preparatórios expostos ao lado dos cartazes finais, revelando o processo criativo
- As pedras litográficas originais utilizadas para a impressão
Na terra natal do pintor, um museu muito bonito dentro de um castelo espetacular. A disposição interna é linda demais. O lugar por si só serve de cenário perfeito para as pinturas do artista (tetos pintados, galerias de madeira...). O continente está à altura do conteúdo!
Também adorei os jardins, super verdes e floridos, com cercas vivas muito bem aparadas.