Frequentemente citada por sua alta qualidade de vida, Girona costuma ser discreta, mas suas mil belezas ultrapassam com facilidade as fronteiras da Catalunha, da qual é uma das cidades principais. Sitiada treze vezes entre 1295 e 1809, sua história agitada deixou tantos vestígios quanto charme. Se a riqueza do patrimônio e da cultura serve de base, o dinamismo contemporâneo faz dela um destino imperdível, bem no coração do vale do rio Ter e de sua natureza exuberante.
Um fabuloso bairro histórico
Quatro rios cortam as ruas da cidade e l'Onyar é sem dúvida o mais emblemático. As fachadas dos edifícios coloridos se refletem na água em tons de ocre e tijolo, uma cena que parece saída de uma tela impressionista. Onze pontes cruzam o rio , mas a mais surpreendente se destaca pelo vermelho vivo. O design metálico não é por acaso: o pont de les Pescateries Velles data de 1877 e leva a assinatura de Gustave Eiffel.
O rio Onyar também serve como separação natural entre a Girona moderna e o seu núcleo histórico, oBarri Vell. O local manteve o traçado da antiga cidade romana de Gerunda, então prepare-se para subir, descer e se perder em ruelas íngremes, onde cada escadaria revela uma nova surpresa. As muralhas cercam o bairro e formam o percurso panorâmico perfeito para caminhadas. O trajeto leva do Paseo Arqueológico aos Jardines de la Muralla, criando uma atmosfera fora do tempo. Bem no centro dessa área fortificada, a catedral Santa Maria domina a paisagem com imponência. Românica na torre, barroca na fachada e gótica na nave de 23 metros, ela exige o esforço de subir a imensa escadaria que fica em frente.
A arquitetura religiosa na cidade é impressionante. Vale a pena incluir no roteiro o couvent Sant Domènech com seus jardins, o monastère San Pere de Galligants, que é uma verdadeira joia da arte românica, e os bancos árabes de 1194, decorados em estilo oriental e inspirados nas termas romanas, coroados por uma cúpula que deixa a luz do dia entrar. Os jardins ao redor completam o cenário. Seguindo pela rue de la Força, você chega ao El Call Jueu, o antigo bairro judeu, um labirinto de passagens, arcos, tesouros medievais e pequenos refúgios verdes suspensos entre as pedras. Os fãs da série Game of Thrones vão reconhecer na margem direita o cenário de várias cenas marcantes.
Uma cultura de personalidade
Os museus em Girona são numerosos. O museu de história da cidade apresenta o passado de forma interativa. Único em seu estilo, o Museu do Cinema acompanha a evolução da imagem ao longo de quinhentos anos através de 30.000 objetos, enquanto o Museu de Arte, instalado no antigo palácio episcopal, exibe coleções românicas e góticas de grande valor.
Na Rambla de la Libertat, caminhar sob as arcadas é o programa ideal para compras em uma área totalmente exclusiva para pedestres. As lojas oferecem produtos artesanais e criações originais. O touron tem espaço garantido, e pequenas lojas dedicadas aos sabores locais, como azeites de oliva e anchovas, chamam a atenção. Os restaurantes são muito agradáveis na Plaça Independència, onde você pode provar a linguiça adocicada conhecida como botifarra dolça ou as batatas recheadas com carne empanada. Para um lanche rápido no meio da tarde, o xuico, um sonho recheado com creme, resolve o problema.
Girona é uma cidade vibrante, mas você já está na Costa Brava, uma região preservada onde a natureza manda. O Parc Devesa funciona como um pulmão verde repleto de bananeiras e abriga a feira local. A visita não fica completa sem passar pela praça da igreja San Feliu para encontrar a famosa estátua da leoa: reza a lenda que é preciso beijar o traseiro da escultura para garantir o retorno à cidade.
Como chegar
O acesso a Girona é simples por diferentes meios de transporte. O aeroporto local é um dos principais do país e recebe voos frequentes. Fica a 11 km do centro, com ônibus fazendo o trajeto regularmente. A rede ferroviária funciona muito bem com trens de alta velocidade ligando a cidades espanholas e francesas, já que Perpignan fica a apenas 100 km de distância. Para quem viaja de carro, a rodovia AP-7 oferece acesso direto a partir da fronteira com a França.
Quando ir
De março a novembro, o clima mediterrâneo de transição garante condições excelentes. Os invernos costumam ser amenos, porém chuvosos. O verão traz calor e dias ensolarados, embora valha ficar de olho em mudanças rápidas no tempo devido à proximidade dos Pireneus. Em meados de maio, o Temps de Flors transforma a cidade em uma festa florida que atrai visitantes durante dez dias, enquanto as celebrações da Semana Santa marcam outro período de grande animação para além do aspecto religioso.