Visitar Constantine: a cidade das pontes suspensas
Situada no leste da Algéria, Constantine tem um caráter único, construída no alto de falhas vertiginosas e cortada por pontes suspensas que ligam seus diferentes bairros. Conhecida como a cidade das pontes suspensas, ela também é uma das localidades mais antigas do mundo, com mais de 2.500 anos de história. Ao caminhar por essa joia argelina, você vai encontrar uma zona urbana onde o passado e o presente conviven em harmonia, emoldurados por um cenário natural marcante.
Um relevo excepcional e vertiginoso
O que separa Constantine de qualquer outro destino é a sua geografia impressionante. A cidade se espalha sobre um platô de rocha que domina as gorges du Rhummel, um cânion profundo que corta a região e separa as ruas. Essa paisagem impressionante transforma a visita em uma experiência marcante para quem gosta de cenários fora do comum. As pontes suspensas, verdadeiras obras de engenharia, conectam os extremos e entregam panoramas únicos.
O mais famoso de todos é o Pont Sidi M’Cid, que fica a mais de 175 metros de altura sobre as gargantas do rio Rhummel. Cruzar essa estrutura permite observar a cidade e os paredões de rocha de um ângulo privilegiado. O Pont Sidi Rached, outro símbolo local, é um dos maiores viadutos de alvenaria do mundo, ligando as ruas históricas ao centro moderno.
Uma história milenar
Constantine, chamada na Antiguidade de Cirta, guarda uma trajetória fascinante que remonta ao período numída. Ela funcionou como capital desse império antes de ganhar relevância sob o domínio do império romano. O nome atual veio como uma homenagem ao imperador romano Constantino, o Grande, que mandou reerguer o local após uma fase de destruição.
Essa herança antiga aparece a cada esquina, misturando ruínas romanas, construções islâmicas e edifícios da época colonial francesa. Entre os pontos principais, a Casbah de Constantine forma um labirinto de becos e velhas casas que revelam o passado árabe do lugar. Já a Mosquée Emir Abdelkader se destaca como uma das maiores mesquitas da Algéria, exibindo cúpulas imponentes e minaretes altos em uma arquitetura contemporânea.
O musée national Cirta, instalado em um prédio colonial, guarda uma seleção rica de peças antigas, com esculturas romanas e artefatos berberes. A visita é indispensável para entender a relevância histórica da região.
Tradição cultural e espiritualidade
Mais do que um livro de história a céu aberto, Constantine funciona como um polo cultural e espiritual na Algéria. Abriga universidades tradicionais e centros de difusão artística. A musique malouf, um estilo musical clássico da região, ainda pontua as festas e os encontros locais. Ouvir uma apresentação desse ritmo aproxima o visitante de uma herança refinada que mistura a poesia árabe com a tradição andaluz.
O lado espiritual também tem peso na rotina da cidade. Além dos templos islâmicos, o destino recebe peregrinos que chegam para conhecer a tombe de Sidi Rached, um santo muito respeitado pelos moradores locais. A fé molda o ritmo cotidiano das ruas.
Uma cidade moderna e receptiva
Mesmo com toda a bagagem histórica, Constantine mantém o dinamismo de um centro urbano atual. O centro reúne cafés tradicionais, comércios e feiras onde se encontram itens de artesanato da região. A place des Martyrs serve como ponto de encontro principal para quem quer caminhar ou conversar no fim da tarde.
A mobilidade conta com o apoio de estruturas modernas, como o VLT, que ajuda a vencer os desníveis do terreno. Na gastronomia, a influência berbere e árabe garante pratos cheios de personalidade. Vale a pena provar receitas como a chakhchoukha, um ensopado acompanhado de pedaços de massa de sêmola, além dos doces tradicionais que marcam presença nas mesas locais.
Constantina, uma das cidades mais antigas do mundo, é um lugar importante na história mediterrânea. Com seu antigo nome Cirta, capital da Numídia, ela leva há 17 séculos o nome do imperador Constantino I, que a reconstruiu em 313. Constantina também é apelidada de "cidade das pontes suspensas", "cidade do velho rochedo", "cidade dos ulemás", além de "cidade das águias" ou "cidade do malouf", a versão constantiniana da música árabo-andaluz, sendo a capital regional do leste do país.