O Hôtel des Invalides, colosso dourado onde repousa Napoleão
Em 15 de dezembro de 1840, um cortejo fúnebre subiu os Champs-Élysées sob um frio congelante. Centenas de milhares de parisienses se espremeram para acompanhar os restos mortais de Napoleão Bonaparte, repatriados da ilha de Santa Helena.
O destino final foi a cúpula cintilante dos Invalides. Quase dois séculos depois, essa mesma cúpula dourada, coberta por quase 13 quilogramas de ouro, continua sendo um dos marcos mais fáceis de reconhecer no horizonte de Paris.
Por que visitar o Hôtel des Invalides?
Antes dos Invalides, os soldados feridos vagavam pelas ruas de Paris ou sobreviviam em mosteiros. Em 1670, Luís XIV tomou uma decisão firme: mandou construir um complexo imenso para alojar, tratar e alimentar seus ex-combatentes. O arquiteto Libéral Bruant projetou um conjunto de 15 pátios, capaz de receber até 4.000 pensionistas. Um fato notável é que o local ainda abriga cerca de cem veteranos em suas instalações até hoje.
O resultado é um espaço tentacular de 13 hectares que funciona ao mesmo tempo como hospital militar, panteão nacional, museu de arte e história e sede de cerimônias oficiais da República. Poucos lugares em Paris concentram tantas camadas de história no mesmo endereço.
A cúpula e o túmulo de Napoleão
O dôme des Invalides (cúpula dos Invalides), projetado por Jules Hardouin-Mansart e concluído em 1706, chega a 107 metros de altura. Durante muito tempo, foi o ponto mais alto de Paris, antes da construção da Torre Eiffel. Sua estrutura se apoia em um princípio de cúpula dupla: a inferior, bem aberta, permite ver os afrescos de Charles de La Fosse pintados na cúpula superior, o que cria uma ilusão de céu aberto típica da arte barroca.
Logo abaixo, o túmulo de Napoleão impõe silêncio. O sarcófago pesa 18 toneladas de pórfiros vermelhos da Sibéria, assentado sobre um pedestal de granito verde. O corpo do imperador descansa em seis caixões encaixados uns nos outros, cada um feito de um material diferente: madeira, chumbo, mogno e ébano. O conjunto produz uma sensação marcante de solenidade.
O museu do Exército e suas coleções menos conhecidas
Um percurso que vai da idade do Bronze ao século XX
O museu do Exército, criado em 1905, guarda mais de 500.000 peças. As salas de armas e armaduras antigas, do século VIII ao século XVII, estão entre as mais ricas do mundo. As coleções reais incluem armaduras que pertenceram a Francisco I, espadas de cerimônia e canhões ricamente cinzelados.
As áreas dedicadas às duas guerras mundiais merecem uma visita detalhada. O Historial Charles de Gaulle, totalmente multimídia, reconstrói a trajetória do general por meio de instalações imersivas. O museu da Ordem da Libertação, que já vem incluído no ingresso, documenta a Resistência e a França Livre com uma precisão emocionante.
O museu dos Modelos em Relevo
No quarto andar, cerca de cem maquetes de cidades e fortalezas francesas, construídas durante os reinados de Luís XIV e Napoleão III, proporcionam um espetáculo fascinante. Essas miniaturas com riqueza de detalhes serviam para planejar a defesa do território. Boa parte dos visitantes acaba passando direto por essa seção.
Dica de amigo: o pátio de Honra e a catedral Saint-Louis des Invalides têm entrada gratuita, sem precisar de ingresso. Aproveite para observar os 60 canhões de bronze expostos no pátio e cruzar os dedos: concertos de órgão improvisados costumam ecoar por lá. Quanto ao museu, as aberturas noturnas na primeira sexta-feira de cada mês, das 18h às 22h, com ingresso a 10 € (cerca de 60 reais), são ideais para ver a cúpula iluminada em uma atmosfera única.
Um lugar onde a história se sobrepõe
Em 14 de julho de 1789, os manifestantes parisienses invadiram os Invalides primeiro para pegar as armas guardadas nos porões, antes de marcharem rumo à Bastilha. Durante a Segunda Guerra Mundial, pilotos da Royal Air Force se esconderam no sótão da catedral, longe do alcance dos nazistas. Grafites do século XVII, entalhados pelos próprios soldados feridos, ainda podem ser vistos em algumas paredes internas.
Desde julho de 2024, o projeto Minerva inaugurou um novo espaço voltado para a história do local, trazendo uma maquete tátil do século XVII e uma sala imersiva que atravessa diferentes épocas. Os Invalides seguem se reinventando.
Horários
*Informações sujeitas a variação
Fiquei impressionada com o tamanho desse prédio que é realmente enorme. O túmulo de Napoleão também é imponente e bastante elegante. Eu recomendo a visita ao museu que é super interessante. Se programem para passar várias horas por lá.