Áustria, entre palácios e glaciares
Um fato que pouca gente sabe: Viena possui centenas de hectares de vinhedos bem no meio da cidade, uma raridade para uma capital europeia.
Talvez seja esse o detalhe que melhor resume a Áustria, um país que cultiva uma imagem de imponência imperial, mas que guarda surpresas discretas para quem busca além das fachadas douradas.
Uma viagem feita para quem curte cultura, montanha e um ritmo sem pressa
A Áustria não tenta agradar a todos. O país aposta em uma elegância clássica, em um ritmo cadenciado e em uma busca constante pelo bem viver. Quem procura baladas até o amanhecer, praias de areia ou preços de leste europeu pode se frustrar.
Destino recomendado para:
- Amantes de música clássica e ópera
- Fãs de esqui alpino e trilhas de alta montanha
- Viajantes em busca de arquitetura barroca e patrimônio histórico
- Famílias que procuram um destino seguro, bem organizado e fácil de circular
- Quem quer combinar museus, cafés tradicionais e boa gastronomia
- Viajantes solo, inclusive mulheres: a Áustria é um dos lugares mais seguros da Europa
- Quem ama natureza, lagos alpinos e vales arborizados
Destino não recomendado para:
- Viajantes com orçamento bem restrito: hospedagem em Viena e Salzburgo pesa no bolso
- Quem busca vida noturna intensa e festas até tarde
- Fãs de turismo de praia e litoral
- Quem quer fugir de multidões de turistas na alta temporada
Um custo de vida elevado e alguns detalhes para prestar atenção
Os preços na Áustria são um pouco mais altos que no Brasil, com a hospedagem sendo o item que mais pesa. Em Viena e Salzburgo, uma diária em um hotel de padrão intermediário fica entre 100 e 150 EUR (cerca de 620 a 930 reais) para duas pessoas. Por outro lado, comer fora costuma ter preços justos, muitas vezes mais acessíveis que em capitais da Europa Ocidental.
| Estilo | Onde | Duração | Orçamento estimado |
|---|---|---|---|
| City trip cultural | Viena | 3 a 4 dias | 400 EUR a 900 EUR (cerca de 2.480 a 5.580 reais) |
| Esqui alpino | Tirol (Innsbruck, Kitzbühel) | 1 semana | 900 EUR a 2.000 EUR (cerca de 5.580 a 12.400 reais) |
| Road trip alpina | Salzburgo, Hallstatt, Tirol | 10 dias | 700 EUR a 1.500 EUR (cerca de 4.340 a 9.300 reais) |
| Lagos e trilhas | Salzkammergut, lago Attersee | 1 semana | 600 EUR a 1.200 EUR (cerca de 3.720 a 7.440 reais) |
| Música e festivais | Salzburgo (festival de verão) | 4 a 5 dias | 600 EUR a 1.800 EUR (cerca de 3.720 a 11.160 reais) |
Um destino que funciona como um relógio
Na Áustria, tudo funciona de forma eficiente. Os trens da ÖBB são pontuais, o inglês é falado sem problemas nas cidades e a infraestrutura turística é impecável. Atrações concorridas como o Schönbrunn ou o Belvedere exigem compra de ingressos antecipada pela internet: aparecer lá na hora alta sem bilhete garante uma longa espera na fila.
No interior e nos vilarejos dos Alpes, o dialeto local prevalece e saber algumas palavras básicas em alemão ajuda bastante. A água da torneira é excelente, capturada direto das fontes alpinas, então não há necessidade de comprar água mineral embotellada.
Viena, uma capital com identidade própria

Viena guarda uma atmosfera única, mantendo viva a herança do Império dos Habsburgos. O palácio de Schönbrunn, com suas 1.441 salas, e o complexo imperial da Hofburg são paradas obrigatórias, mas prepare-se para o movimento intenso. Programe as visitas com antecedência.
A cidade também mostra um lado mais descontraído nos Heurigen, as tabernas tradicionais onde os vienenses bebem o vinho da casa bem perto dos parreirais. Outro ponto imperdível é o Naschmarkt, o mercado de rua no bairro de Mariahilf, ideal para comer bem gastando menos de 10 EUR (cerca de 62 reais). Para quem aprecia arte do século XX, o Belvedere guarda a famosa tela "O Beijo" de Klimt, enquanto o museu Leopold exibe uma coleção grandiosa de Egon Schiele.
No Prater, a roda-gigante erguida em 1897 proporciona um panorama de toda a região. Vale também caminhar pelo bairro de Landstrasse para ver a arquitetura colorida e orgânica do prédio de Hundertwasser, que foge completamente aos padrões sóbrios do centro histórico.
Dica de amigo: Fuja dos concertos vendidos por ambulantes fantasiados em frente à Ópera Estatal, pois costumam ser armadilhas caça-turistas de qualidade duvidosa. Prefira comprar ingressos direto nos canais oficiais de instituições como o Musikverein ou o próprio Staatsoper.
Salzburgo, Linz e o vale do Wachau

Berço de Mozart, Salzburgo merece mais do que um bate-volta rápido. Suas fachadas barrocas, igrejas com cúpulas características e a imponente fortaleza Hohensalzburg, acessível por funicular, formam um cenário inesquecível. No verão, o Festival de Salzburgo atrai amantes da música clássica do mundo todo: os melhores assentos esgotam com meses de antecedência e podem custar caro.
Em Linz, cidade de passado industrial que se reinventou, passarelas suspensas sobre telhados e o museu Ars Electronica revelam uma faceta moderna e surpreendente da Áustria.
O vale do Wachau, esticando-se entre Melk e Krems, é perfeito para ser percorrido de bicicleta pela ciclovia que acompanha o rio Danúbio. Pelo caminho, avistam-se ruínas de castelos, vinhedos em terraços e vilarejos medievais. Parar na abadia de Melk, empoleirada em um rochedo sobre o rio, é um dos pontos altos da viagem.
O Tirol: picos nevados e tradição alpina

O Tirol é a região mais procurada por quem viaja em busca de cenários de montanha. Com cinco glaciares, milhares de quilômetros de trilhas sinalizadas e grandes estações de esqui, é o paraíso dos esportes ao ar livre. A temporada de esqui vai de dezembro a abril, enquanto o verão abre espaço para caminhadas entre prados floridos e lagos cristalinos.
O vilarejo de Hallstatt, colado à encosta da montanha de frente para um lago espelhado, é o cartão-postal mais famoso do país. Reconhecido pela UNESCO, abriga as minas de sal mais antigas do mundo. O turismo em massa atrai multidões no verão, então o ideal é chegar bem cedo ou visitar fora da alta temporada.
A estrada alpina de Grossglockner, que chega até o passo de Hochtor a 2.500 metros de altitude, oferece uma das viagens de carro mais cênicas dos Alpes. Perto de Graz, o "lago verde" surge apenas na primavera com o degelo das neves, cobrindo trilhas e pontes em um fenômeno que só pode ser explorado com cilindro de mergulho em maio.
Dica de amigo: Algumas estações de esqui no Tirol oferecem descontos em dias específicos, como tarifas reduzidas para mulheres às segundas-feiras, estudantes às quartas e idosos às quintas. Vale a pena conferir o site da estação antes de comprar o passe de esqui pelo preço cheio.
Graz, a joia pouco comentada
Segunda maior cidade austríaca, Graz recebe muito menos visitantes estrangeiros que Viena ou Salzburgo, o que garante um clima autêntico. Seu centro histórico é protegido pela UNESCO, as ruelas escondem cafés tradicionais frequentados por moradores locais e a colina do Schlossberg proporciona uma vista panorâmica de toda a região, com acesso a pé ou de funicular.
A cidade também aposta em propostas modernas, como a ilha artificial flutuante no rio Mur, projetada por Vito Acconci, e galerias de arte contemporânea. Para quem quer fugir do turismo de massa, é uma parada certeira.
Para nós da Avygeo, Graz é a cidade mais subestimada da Áustria, reunindo atrações de primeira linha sem o estresse da superlotação.
A gastronomia austríaca: dos botecos rústicos à confeitaria refinada
A culinária do país é reconfortante, farta e surpreende positivamente. O Wiener Schnitzel, o tradicional bife à milanesa de carne de vitelo, está em todo cardápio: espere gastar de 15 a 25 EUR (cerca de 93 a 155 reais) em restaurantes ou de 8 a 12 EUR (cerca de 50 a 74 reais) em bistrôs informais. Já a Sachertorte, bolo de chocolate recheado com compota de damasco, é uma instituição vienense que deve ser provada no Café Central ou no Café Schwarzenberg.
O Tafelspitz (carne bovina cozida com legumes e molhos) é o prato clássico dos domingos em família, enquanto o Kaiserschmarrn, uma panqueca desmanchada servida com compota de frutas, alimenta os trilheiros desde o século XIX. Nos mercados como o Naschmarkt, há opções variadas de comida do mundo todo por 8 a 10 EUR (cerca de 50 a 62 reais).
Para beber, a Áustria produz vinhos brancos excelentes, com destaque para as castas Grüner Veltliner e Riesling na região do Wachau. Os Heurigen de Viena são o cenário ideal para provar esses vinhos direto dos produtores locais.
Quando ir à Áustria?
O país pode ser visitado o ano todo, dependendo do tipo de viagem que você procura. O verão (junho a agosto) é ideal para trilhas nos Alpes, banhos nos lagos do Salzkammergut e festivais ao ar livre, embora temporais de fim de tarde sejam comuns nas montanhas.
O outono (setembro a outubro) traz temperaturas agradáveis, menos gente nas ruas e a chegada do vinho novo (o Sturm) às tabernas de Viena. O inverno cobre os picos de neve de dezembro a abril para a temporada de esqui, além de abrigar mercados de Natal tradicionais.
A primavera também tem seus encantos, com os vales ficando verdes, os lagos começando a esquentar e as tarifas de hotéis mais baixas. É a época certa para ver o lago verde perto de Graz antes que ele diminua de volume.
Como chegar à Áustria?
Voos saindo do Brasil para Viena geralmente exigem conexão em grandes hubs europeus como Frankfurt, Paris ou Zurique. Companhias como Lufthansa, Austrian Airlines e Air France operam essas rotas regularmente.
Para quem já está na Europa, o trem é uma alternativa confortável, conectando cidades vizinhas rapidamente. O passe Interrail é uma boa pedida para quem pretende cruzar vários países.
Quem viaja com passaporte brasileiro não precisa de visto para estadias de até noventa dias a turismo na Área Schengen. Basta apresentar passaporte válido, seguro saúde obrigatório e comprovante de hospedagem e recursos financeiros; quem viaja com outra nacionalidade confere as regras do próprio passporte.
Como circular pelo país?
A rede ferroviária operada pela ÖBB é pontual e conecta perfeitamente Viena, Salzburgo, Linz, Graz e Innsbruck. Para economizar, vale monitorar as tarifas promocionales Sparschiene no site oficial com antecedência.
Para explorar o Tirol e as estradas montanhosas com liberdade, o aluguel de carro é recomendado. A famosa rota do Grossglockner cobra uma taxa de acesso (cerca de 35 EUR ou 215 reais por veículo), mas a vista compensa o investimento. Nas cidades, o transporte público funciona muito bem: em Viena, cartões de transporte ilimitado como o passe de 72 horas facilitam bastante os deslocamentos.
Nas regiões de lagos e vales planos, como o Salzkammergut, pedalar é uma excelente opção graças às ciclovias bem sinalizadas que margeiam rios e lagos.